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The Cat Empire @ Hard Club – Porto [30Out2015] Texto + fotos

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Oriundos da Austrália, os Cat Empire encontram-se numa digressão que traz na bagagem sete álbuns de estúdio. No passado dia trinta de Outubro, foi a vez de o Porto os receber, um dia antes de atuarem em Lisboa. Marcado para as nove e meia no Hard Club, ninguém poderia àquela hora imaginar o espetáculo que se avizinhava.

Quando os Pierce Brothers subiram ao palco para garantirem a primeira parte, ainda pouca gente se encontrava na sala maior do ex-Mercado Ferreira Borges. Nem uma centena de pessoas se encontrava num espaço que rapidamente se encheu de adrenalina. A causa? Dois irmãos a darem tudo de si num concerto que meteria inveja a muitos veteranos do folk. Jack e Pat visualmente irreverentes contagiaram um público que pouco tempo teve para reagir à agradável surpresa que os Cat Empire lhes tinham preparado. Com uma saudável dose de loucura, levavam o público aos aplausos e gritos de encorajamento em momentos que envolviam Jack a tocar digeridoo enquanto colocava com a outra mão a harmónica na boca de Pat para este a tocar ao mesmo tempo que lhe dava forte na guitarra. Noutras alturas era Jack, possuído pela euforia, que se atirava com as baquetas contra a guitarra de Pat e fazia dela bateria, enquanto o outro a tocava. Típico da juventude ou não, o que é certo é que conquistaram o público, e este, no momento em que Jack decide vir fazer das grades do “fosso” percursão, alguns desinibidos vieram meter conversa e saciar a curiosidade sobre a banda. Sem perder o ritmo, respondeu-lhes a tudo, e quando volta ao palco era rei e senhor do público portuense (a quem não poupou elogios). Se não tivéssemos vindo pelos Cat Empire, todos sairíamos saciados dali.

Enquanto no palco a equipa técnica preparava os instrumentos da banda australiana, nós que nos encontrávamos na fila da frente, somos surpreendidos pela repentina enchente de pessoas que assolou o Hard Club. O concerto pode não ter esgotado, mas pouco espaço havia para as pessoas se moverem, no entanto todos estavam á vontade, aliás quanto mais apertados iam ficando ao longo do concerto, mais bem disposto o público se ia encontrando. Mas já lá iremos. Foi ao som do último álbum Steal the Light de 2013 que entraram em palco, e somos apanhados pelo espanto de um público conhecedor de todas as suas letras. Cantaram do início ao fim, e mais que isso, sabiam ser o coro necessário quando este era inexistente. Logo na abertura, com “Brighter than Gold”, o que se fazia mais destacar não era o refrão em uníssimo, mas sim um ritmado “oh-ah-eh” coletivo entre todos os versos. E durante tudo isto, todos dançavam, pulavam, expressavam corporalmente o som da fusão do folk com o ska.

Em boa verdade, na generalidade, as músicas dos Cat Empire funcionam bem melhor ao vivo, do que em estúdio, no entanto o concerto não se traduzia em repetições ipsis verbis das faixas dos álbuns. Houve tempo para medleys, ou para battles de trompete vs. Trombone vs. Saxofone como foi o caso em “How to Explain”, para nós o momento (mais) alto do concerto. Cada vez mais apertados, o público delirava quase a roçar o ponto de estarem a assistir ao concerto do maior ídolo musical da história, e balançando uns contra os outros criavam uma onda de alegria e energia que causava uma relação bilateral de causa-efeito com o palco.

Depois de muito suor, e no fim de um longo concerto que se estendeu por quase duas horas, os Cat Empire podiam bem ficar agradecidos pelo público estrondoso que têm, e nós passamos a conseguir compreender o mistério que fez arrastar uma pequena multidão para o Hard Club. Poucas são as bandas que através de boa música conseguem passar uma vibe positiva, e ser deixado penetrar por ela sem restrições, é o agradecimento genuíno, suado e barulhento que o Porto teve para lhes oferecer.

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Por João Rocha / 4 Novembro, 2015

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