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The Soft Moon @ Musicbox – Lisboa [12Mar2016]

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© Alípio Padilha / Musicbox

Após um efusivo concerto na edição transacta do festival Vodafone Paredes de Coura e uma data em Guimarães no dia anterior, foi no Musicbox, em Lisboa (que cada vez mais se torna na nossa segunda casa), que pudemos presenciar o quão furiosos são estes The Soft Moon ao vivo. A sala estava esgotada e caminhar pelo Musicbox com a simples ambição de ir buscar uma bebida revelava-se numa tarefa demasiado árdua para ser executada. Isto, claro, nos 40 minutos de espera por Luis Vasquez e companhia, pois logo após “Black” espalhar a sua industrialidade pelas colunas da sala lisboeta, o público presente liberta-se das “amarras” que o mantinha quieto e desata numa dança pouco ortodoxa que, mais tarde, se viria a tornar num mosh pit.

Vasquez deambula ora entre a guitarra ora entre os sintetizadores, criando planícies rítmicas semelhantes entre canções e quase sem nunca existir um tempo de descanso. Atira-nos para um poço abissal onde o pós-punk moderno domina, voltando, em seguida, às tonalidades mais industriais de uns Nine Inch Nails, por exemplo, notórias no seu mais recente disco Deeper, lançado em março do ano passado, e aqui a ser apresentado quase integralmente. Apesar dos constantes apelos do público à reação do frontman da banda (lembramo-nos de alguém que exaustivamente gritava a Vasquez para que este tocasse “Zeros” – tema de 2012 do álbum com o mesmo nome), este pouco reagia, demonstrando-se pouco falador durante a arrebatadora hora de concerto. Para além de um “Lisboa, é a nossa primeira vez aqui” e o típico “obrigado por terem vindo, vocês são fantásticos”, não se ouviu nada de muito particular. “Zeros” foi tocada pouco antes de “Wrong”, o mais recente single da banda que todos sabiam na ponta da língua.

Em palco, a banda norte-americana, composta ao vivo por Luigi Pianezzola, no baixo, e por Matteo Vallicelli, na bateria, mostra-se bastante enérgica, mexendo-se frequentemente para trás e para adiante, gesticulando e saltando, no pequeno espaço livre deixado por entre todos os instrumentos, pedais e maquinaria presentes no palco do Musicbox.  “Insides” e “Being”, com os pedais de delay bem presentes, encerram o set regular com um Vasquez endiabrado e gritando “I can’t see my face. I don’t know who I am. What is this place? I don’t know where I am” fazendo-nos viver os seus dramas existenciais enquanto os strobes o transportavam ora para a penumbra ora para luminosidade total. O público, ainda não saciado, chamava pela banda que regressaria para interpretar mais duas canções: “Die Life” e “Want” foram as escolhidas para findar este concerto intensíssimo, com Luís, na última, erguendo a sua guitarra bem alto e terminando um concerto com um curto noise/feedback, despedindo-se dos fãs com um aceno e saindo de palco em seguida.

Sem margem para grandes esperanças de um novo regresso, a música de dança (que servia aqui de música ambiente) irrompe pelas colunas da sala, puxando os presentes, bruscamente, de volta à realidade e encaminhando-os para a saída, dissolvendo o negrume com que esta se viu envolta na passada e curta hora de concerto.

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Por Diogo Alexandre / 20 Março, 2016

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