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The Sound of Revolution 2019 [1/2Nov] Texto + Fotos

16 de Novembro, 2019 ReportagensSolange Bonifácio

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O The Sound Of Revolution é um festival que vive principalmente e meritoriamente da comunidade dentro do hardcore. Ocorreu no seu formato indoor novamente em Klokgebouw, próximo da estação de comboios de Strijp-S, em Eindhoven. Já em 2018, a terceira edição indoor deste festival, contou-se com bandas de referência como os Gorilla Biscuits, Agnostic Front e Suicidal Tendencies. O festival tem vindo a crescer e rapidamente tornou-se num dos maiores festivais de punk/hardcore não somente na Europa, como em todo o mundo. Por quase toda a história do hardcore, diversas bandas em diferentes períodos e de diversos locais têm desempenhado um papel importante no seu desenvolvimento. É importante reforçar o facto que o festival ganhou vida a partir de Martijn Van den Heuvel – vocalista dos No Turning Back, que sempre teve uma conexão profunda com a cena hardcore e o sonho de promover um festival dentro da mesma comunidade. Assim sendo, o The Sound Of Revolution foi criado em 2016, quando Martijn, também agente, se juntou à equipa da Loud Noise.

No primeiro dia, os concertos começaram às 18.30, com os Diss Guy a serem a primeira banda a subir ao palco. O line-up dividiu-se em dois palcos, com o Revolution Stage e o Warzone Stage – respetivamente palco principal e secundário. Quando as portas abriram, já se podia sentir a energia no ar a antever a explosão de concertos que iria haver durante estes dois dias de festival. Atualmente, os Disturbance são uma das bandas dentro do underground punk mais conhecidas e mais antigas da Holanda. A banda tem uma atitude DIY, e é inspirada no movimento punk de rua e no estilo dentro dessa mesma cena musical do Reino Unido em finais de 70. Acabaram por abrir as hostilidades no palco principal em bom ambiente festivo.

De seguida no palco secundário tocaram os Higher Power que são uma das bandas britânicas mais criativas de momento. Inspirados na comunidade punk/skate americana, acabam por transparecer essa mesma energia não só na sua música, mas também nos seus concertos - acabando por dar um concerto no Warzone Stage repleto de energia, com um som dinâmico algures dentro do thrash/crossover e hardcore. Depois de onze anos a viajarem pelo mundo em diferentes tours, a escreverem músicas prolíficas e a serem um dos embaixadores da new wave do NYHC, os Backtrack anunciaram o seu fim. Mas não antes de darem o seu último concerto na área do Benelux no The Sound Of Revolution, onde tocaram músicas como, “Their Rules”, “The Worst of Both Worlds” e “One With You”. Foram provavelmente até à hora do timetable a banda que deu o concerto mais explosivo.

Formados em 1993 nos subúrbios de Orange County durante o auge do grunge e do renascimento do punk pela mão da Epitaph, subiram ao palco do Revolution Stage os Ignite, que têm uma carreira excepcional com um registo dentro do punk/hardcore enraizado com melodias cativantes e repletas de diferentes dinâmicas. Não faltaram registos musicais em Eindhoven como “Bleeding”, “Let It Burn” e o clássico “Veteran”, embora com alguns problemas técnicos, conseguiram agarrar o público. Os escolhidos a fecharem o palco secundário no primeiro dia de concertos no The Sound Of Revolution foram os Shelter. O Krishna hardcore poderia ser interpretado como apenas um enigmático subgénero na história do straight edge e dentro do hardcore, mas a influência que os Shelter tiveram e ainda têm perante toda essa comunidade não pode ser subestimada. Fundados por Ray Cappo (Youth Of Today) em 1990 e inspirado pelo seu crescente interesse nos ensinamentos espirituais do Guru Prabhupada, os Shelter foram pioneiros na cena Krishnacore e não poderiam ter fechado este palco de melhor forma, com um concerto arrebatador.

A fecharem o primeiro dia de concertos no Revolution Stage, os Heideroosjes subiram ao palco. São uma banda de punk rock lendária holandesa, com uma enorme influência na cena do punk/hardcore holandês nos anos 90 e mesmo a nível internacional. Apesar de não estarem em ativo há diversos anos, a banda decidiu celebrar o seu 30º aniversário com diversos concertos, incluindo no The Sound Of Revolution. Desde modo, ajudaram a terminar em ambiente festivo o primeiro dia de concertos. Muitos foram os que continuaram a festa no bar do Blue Collar Hotel (que fica lotado de quem vai para o festival durante esses dias), mesmo ao lado da sala de espetáculos, já tendo se tornado um ritual de muitos se juntarem nessa zona entre e após concertos. 

Dia 1 (1/11)


O segundo e último dia do festival começou bastante mais cedo. Muitos foram os que foram almoçar à área de restauração do festival, que para além de ser um espaço enorme e que apresenta muito boas condições, também reúne diversas opções vegan, bar, mercado de distribuidoras musicais e merch, com dj’s a ajudar a manter o ambiente festivo. Também esteve presente a Hardcore Help Foundation, que é uma organização sem fins lucrativos. Foi fundada na Alemanha em 2011, após o tsunami no Japão com o intuito de ajudar amigos necessitados - revitalizando todo o espírito de entreajuda que existe nesta comunidade. Atualmente ajudam diversos projectos não somente na Alemanha mas no exterior também.

A este segundo dia junta-se um terceiro palco que na realidade é o segundo palco a nível de proporção de tamanho e capacidade de pessoas, intitulado de True Spirit Stage. Entre as 13.30h e às 17h.00h da tarde seguiram-se perto de duas mãos cheias de concertos - onde tocaram os L.A. Inquisicion, The Real Danger, Dead Heat, Live By The Sword, The Geeks, Eisberg, Grade 2, Bent Life, Mainstrike, Death by Stereo e Foreseen. Em destaque está o energético concerto dos The Geeks, que tocaram pela primeira vez na Europa, tal como o concerto dos Mainstrike, no qual duas crianças estiveram em palco e o vocalista relembrou a importância de toda a Youth Crew.

Às 17.30 subiram a palco uma das bandas emergentes mais pesadas dentro da cena atual do hardcore, os Jesus Piece –brutais, sombrios e intransigentes, estes são oriundos da notória cena hardcore de Filadélfia. A banda mistura explosões sonoras com ritmos inconstantes, incorporando elementos de ruído, tons ameaçadores e atmosferas assombrosas nas suas composições dinâmicas. Tudo se reúne durante os seus concertos, apaixonadamente violentos e cativantes – e assim foi em Eindhoven. Enquanto no Revolution Stage e no Warzone Stage, começaram respectivamente com intervalo de 15 minutos os concertos de Lions Law e Next Step Up.

Entretanto no True Spirit Stage, subiram ao palco os No Turning Back, seguidos de concertos dos Victims, Death Before Dishonor, Outburst, dos The Last Resort, e uma menção honrosa ao concerto dos Shutdown. Com mais de vinte anos em ativo, os No Turning Back têm vindo a provar que, através de pura perseverança, trabalho duro, dedicação e levando a cabo as suas esperanças e sonhos, que se pode conseguir qualquer coisa. Deram um dos concertos da noite, senão o “concerto da noite” para muitos. O vocalista e fundador do festival relembrou ao público presente o facto do The Sound Of Revolution ter como base ser um sonho dele. Apresentou-nos ao Jamie, um fã de No Turning Back que tinha como sonho em tocar com a banda. O Jamie veio da Alemanha e tem simplesmente 9 anos, e essa noite os No Turning Back realizaram o seu sonho, onde tocaram juntos a “Never Give up”. Um público incansável desde o primeiro momento que a banda entrou em palco ficou eufórico, e este momento irá ficar marcado como um dos maiores momentos não só deste ano, mas provavelmente de edições anteriores do The Sound Of Revolution.

Os veteranos Terror também proporcionaram outro dos grandes concertos e momentos do festival, e são provavelmente uma das maiores bandas da atual cena hardcore. Liderados pelo carismático vocalista Scott Vogel, atualmente recuperaram toda a componente musical que tocavam inicialmente - na sua forma mais crua e honesta. Tocaram clássicos modernos, como "Keepers Of The Faith", "Live by the Code" e “Stick Tight”. Foram das bandas mais incansáveis, onde o vocalista pediu constantemente ao público para subirem ao palco, com stage dives imparáveis por todo o lado – com uma invasão épica ao palco do público com a banda a tocar a última música. Foi um brilhante caos, e mais um momento inesquecível neste festival.

Quinze minutos antes dos The Bouncing Souls subirem ao palco, tocaram ainda os The Crack no Warzone Stage. Os The Bouncing Souls celebram o seu 30º aniversário este ano, sendo mais uma das bandas a trazer deste modo as festividades ao The Sound Of Revolution. Desde a sua criação, eles tornaram-se uma das instituições musicais de New Jersey graças às suas canções de punk rock rápidas e animadas como "True Believers", "Manthem" e "Lean on Sheena" – não esquecendo que durante as três décadas que marcaram a sua história musical, continuaram a manter as suas raízes DIY. Sendo uma das bandas clássicas entre outras com outro registo musical a terem passado no festival.

Formados em 1985, os Youth Of Today deram um passo firme como um dos grandes precursores do estilo de vida revitalizado de straight edge, chamado e conhecido por muitos de Youth Crew. A banda inspirou milhares de miúdos dentro da cena do hardcore, espalhando não apenas a sua mensagem de positividade, vegetarianismo e veganismo, mas também de uma vida livre de drogas, enquanto traziam uma nova energia de urgência ao movimento. Músicas desta banda mítica como, "No More", "Break Down The Walls" e "Youth Crew" tornaram-se hinos por várias gerações e não faltaram no concerto que nos presentearam, onde por momentos pareceu que se voltou atrás no tempo. Não haveria melhor forma de fechar estes dois dias de concerto, onde fomos relembrados de toda uma irmandade dentro de uma comunidade que partilha entre si diferentes valores, éticas e estilo de vida, sempre com um espírito de união muito presente.

O The Sound Of Revolution reúne todos os componentes para ser uma experiência única, servindo de ponto de encontro para uma comunidade que vive com um espírito de irmandade, embora considerado caótico ou extremo por muitos, mas que vive num núcleo que continua a ter como base, respeitar um ao outro. Toda esta união foi visível, sentida e amplificada nos concertos desta edição onde estiveram presentes pessoas de 41 nacionalidades diferentes.

A essência e a experiência deste festival, passa por descartar qualquer noção de maior é melhor. Todos os tipos de bandas dentro das genéticas musicais que por aqui passam têm a sua relevância e importância. Tudo é bom aqui e quem vai sabe o espírito, ambiente que a encontrar em sinergia com toda a entrega e explosão visível entre público e bandas. O hardcore é isto e muito mais. Fica o grito, “queremos que o The Sound Of Revolution regresse novamente para o ano, e em grande” – HARDCORE LIVES!

Dia 2 (2/11)
por
em Reportagens
fotografia Solange Bonifácio

The Sound of Revolution 2019 [1/2Nov] Texto + Fotos
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