The Temper Trap - Hard Club, Porto [15Fev2017] Texto + Fotos - Wav
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The Temper Trap - Hard Club, Porto [15Fev2017] Texto + Fotos

21 de Fevereiro, 2017 ReportagensJoão Rocha

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Hard Club

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O Dia dos Namorados acontecera na noite anterior mas, para os casalinhos do Porto, a edição de S. Valentim este ano teve dose dupla. O clima de romance fazia-se sentir sem rodeios na agradável noite de 15 de fevereiro no Hard Club.  A razão? O regresso dos australianos The Temper Trap a território nacional. Ainda nem haveria razões para sentir saudades, não tivessem os mesmos marcado presença na anterior edição do Super Bock Super Rock, mas a verdade é que o antigo Mercado Ferreira Borges foi pequeno para receber todos aqueles que se dirigiram a ele para assistir ao concerto da banda.

A abertura de casa ficou nas mãos dos portugueses Cavaliers of Fun e, se não fosse a interacção do duo com o público português, dificilmente se perceberia a conterraneidade que partilhavam com a banda. Não por estes cantarem em inglês, e não, não por o público estar desatento com o que se passava em palco (vá, talvez um bocado), mas pela produção e composição sonora, que não se envergonha do seu dinamismo pop orelhudo, que pelo contrário, até o celebra. É no entanto de lamentar a confusão instrumental que colocava tudo sobre tudo, não existindo a harmonia pretendida por quem os ouvia. Miguel Nicolau e João Pedrosa foram os grandes vencedores da 2ª Edição do EDP Live Bands e, apesar de se mostrarem enérgicos em palco, a crescente plateia pouco ou nada lhes retribuiu a prestação.

Maioritariamente na casa dos trintas, o Hard Club continua a ser um espaço que volta e meia é atingido pelo fenômeno social que faz lembrar a célebre personagem de Herman José - a Senhora Dona Espantosa, praticante de cultura três vezes por semana. Se é o espaço, se é o fator geracional, se são os eventos, ou se é o facto de existirem demasiados bares por metro quadrado na sala maior do Hard Club (que tanto perturbam sonoramente qualquer concerto), o que é certo, é que uma grande fatia de público passou toda a primeira parte na amena cavaqueira, não reagindo sequer ao momento final onde os Cavaliers of Fun interpretaram uma cover da conhecida “We are Your Friends”, nem mesmo quando anunciaram a banda que todos estavam lá para ver.

 



 

Se é certo que ignoraram o seu anúncio, já a sua presença foi apoteótica. Os The Temper Trap subiram ao palco perante um público bem diferente do que 15 minutos antes tinha estado a assistir aos Cavaliers of Fun. Recebidos entre palmas e gritos, Doughy Mandagi solta logo um “Como estás Porto?” e a partir desse momento os Temper Trap têm a vida feita e quase não precisavam de tocar nenhuma música para conquistarem o público portuense. Não bastasse o delírio que já se vivia, a segunda música que se ouve é Love Lost, um dos hits mais populares da banda. Consigo traziam um novo álbum, Thick as Thieves, e foi dele que ouvimos a maioria das canções. O concerto abriu ao som da faixa homônima e, para espanto dos que consideravam a banda uma espécie de “one hit-wonder”, a generalidade da plateia reconhecia e fazia acompanhar a banda, ora usando os seus corpos para marcar o ritmo, ora para acompanhar a banda em massivos coros, como foi o caso de “So Much Sky.

Sempre calorosos e sentindo-se como re-vivendo a adolescência, todos batiam palmas, dançavam e cantavam ao som dos Temper Trap, e estes respondiam ao carinho assumindo as saudades que tinham de Portugal e do seu público. Carinho e carícias também não faltaram entre os apaixonados que reviviam uma extensão do seu dia anterior e, músicas mais melosas, como “Rabbit Hole”, faziam o ambiente perfeito para se envolverem na melosidade.

O clímax acontece no momento em que o vocalista da banda, durante “Drum Song”, assume também a percussão, despejando uma garrafa de água sobre o seu bombo, provocando efeitos visuais sempre que a baqueta nele embatiam. Perante o espetáculo, e tendo em conta os gritos que se fizeram ouvir, aquele era um concerto já ganho, quase apagando da memória a necessidade de ouvir o hit maior da banda. Depois de se ouvirem os australianos a declararem o seu amor pela cidade Invicta, o que para qualquer portuense funciona como uma preliminar sexual, e já no encore, a euforia fazia-se em crescendo antevendo os primeiros acordes de “Sweet Disposition. Portanto, aos primeiros acordes desta, a casa veio abaixo: um coro em uníssono que abafava a banda, pulos, mãos no ar e delirantes pessoas encavalitadas enfeitavam o cenário ambiental que se vivia naquela que obviamente foi a última música da noite.

Uma hora e meia de canções, uma prestação em palco carismática e um público apaixonado fizeram deste um concerto memorável para todos os que marcaram presença no Hard Club. Depois dele, poucos serão os que irão recordar a conceção dos Temper Trap como uma banda menor, cujo seu prazo de validade já expirou, e definitivamente ainda menos serão os que pensam que meio ano de distância é pouco tempo para sentir saudades de os rever.

 


por
em Reportagens
fotografia Bruno Pereira

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