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Under The Doom Festival 2016 – Dia 1 [12Fev] Texto + Fotos

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A viagem até Lisboa foi tumultuosa. A chuva e a localização do RCA são igualmente desafiantes mas esperava-se uma noite repleta de boas bandas e a oportunidade de ver os míticos Primordial. A noite começou com NEVOA. O grupo portuense, que já é presença assídua em festivais da identidade, inaugurou o palco, trazendo o seu Black Metal, ou Blackgaze, profundo, atmosférico e inovador em Portugal. A atuação foi competente e a sala já composta recebeu bem a banda que ainda assim parecia estar a meio gás. Mantêm-se como uma das grandes promessas do novo Black Metal português.

De Barcelona chegaram os Foscor, que em catalão significa escuridão, herança que incorporam vivamente no seu repertório de Black Metal, com temas cantados em inglês e catalão. Uma banda de “veteranos” descontraídos em constante comunicação com público e muito bem recebidos. Deram um concerto competente e sólido, sem esmorecer. Seguiram-se Painted Black, projeto português de Doom com influências góticas. A este ponto a sala do RCA já estava praticamente cheia e o público assistia descontraído mas entusiasmado à performance competente da banda, à potência da voz de Daniel Lucas e Micaela Cardoso, que fez uma aparição em palco.

A banda irlandesa de Alan Averill, Ciarán MacUilliam, Michael O’Floinn, Pól MacAmlaigh e Simon O’Laoghaire era sem dúvida o momento esperado da noite, como ditou a sala cheia do RCA. A excentricidade visual e a forte presença de palco do vocalista, Alan Averill não precisaram de muito tempo para aquecer e logo com a primeira malha, “Where Greater Men Have Fallen”, o público delira e canta em uníssono, estica-se para tocar na pele pintada do vocalista. Tema após tema os ânimos mantêm-se. Há em Primordial uma energia e um misticismo contagiante e no vocalista uma capacidade incrível de nos prender com o seu olhar penetrante e gestos ritualizados. Uma coreografia do além que não esmoreceu os grandes fãs da banda durante as quase 2 horas de concerto. Primordial peca pelo que brilha. A performance prende-se no vocalista, sem grandes momentos de brilho dos restantes músicos e instrumental, o que resultou no velho problema de após a primeira hora tudo começar a soar ao mesmo.

Na verdade, este foi em geral o problema do primeiro dia do Under The Doom, nomes e géneros variados mas quase eles com performances lineares na sua intensidade e sem grande experimentalismo. Apesar do segundo dia ter sido ainda mais cheio em termos de número de bandas, a nossa presença não se verificou. É pena que em fim de semana de Clássico, a organização tenha tido tão pouco desportivismo.

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Por Mariana Vasconcelos / 20 Fevereiro, 2016

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