24
SEG
25
TER
26
QUA
27
QUI
28
SEX
29
SAB
30
DOM
1
SEG
2
TER
3
QUA
4
QUI
5
SEX
6
SAB
7
DOM
8
SEG
9
TER
10
QUA
11
QUI
12
SEX
13
SAB
14
DOM
15
SEG
16
TER
17
QUA
18
QUI
19
SEX
20
SAB
21
DOM
22
SEG
23
TER
24
QUA

Vagos Metal Fest 2018 [9-12Ago] Texto + Fotos

27 de Agosto, 2018 ReportagensJorge Alves

Partilhar no Facebook Partilhar no Google+ Partilhar no Twitter Partilhar no Tumblr
Vagos Metal Fest

Crónicas do Sonic Blast Moledo 2018

Sonic Blast Moledo 2018 [10-11Ago] Fotogalerias
Mais um ano, mais um Vagos Metal Fest, já na terceira edição desde que assumiu a tarefa de continuar o legado iniciado pelo festival anterior, realizado nesta mesma vila entre 2009 e 2015. Apostando novamente num cartaz tão eclético quanto a sua natureza musical específica o permite, o terceiro capítulo daquele que já se afirmou como o maior festival de metal em Portugal (existem outros com mais história, mas este ocupa o primeiro lugar no que à dimensão diz respeito) ficou marcado pelos concertos memoráveis que por lá passaram, mas também por problemas técnicos (leia-se falhas de energia em determinadas atuações e mau som noutras) que têm de ser corrigidos com urgência. Contudo, se pensarmos nos momentos inesquecíveis que vivemos e cujas memórias continuamos a guardar, tudo valeu a pena, no final.

Depois de um agradável arranque na quinta-feira, onde o principal destaque vai para mais uma competente actuação dos israelitas Orphaned Land, novamente a promover o espírito de união entre povos, o dia de sexta  proporcionou a oportunidade de testemunhar o triunfal regresso ao nosso país por parte dos britânicos Cradle of Filth. Outrora presença regular no nosso país, a mítica banda – tão amada quanto controversa – já não pisava solo lusitano há doze anos, pelo que o seu retorno era deveras aguardado por todos aqueles – e eram muitos nesta noite – que olham para os discos do grupo como obras de grande valor emocional. No entanto, por muito intenso que este sentimento de saudade fosse, cedo nos apercebemos que estávamos perante algo muito mais forte do que uma mera sessão de nostalgia. O que vimos nesta noite foi uma banda rejuvenescida, com vontade de exibir essa renovada vitalidade artística e provar que os seus melhores dias residem não só num passado glorioso mas também num futuro risonho.

Iniciando a prestação ao som da intro “Ave Satani”, imediatamente passaram para “Gilded Cunt” e logo aí Dani Filth mostrou estar em excelente forma, com a sua voz a revelar uma força que pensávamos estar completamente desaparecida, mas que o frontman conseguiu, de alguma forma, recuperar. Na verdade, tudo o que aqui vimos parecia o produto de uma utópica fantasia, mas os sonhos por vezes tornam-se realidade: para qualquer fã de Cradle, esta foi uma atuação perfeita, com um alinhamento recheado de clássicos e uma atmosfera soberba. Foi nesse ambiente mágico, de reencontro após uma ausência demasiado longa, que temas incontornáveis como “ The Forest Whispers My Name”, “ Dusk and Her Embrace”, “Born in a Burial Gown”, “Her Ghost in the Fog” ou “From the Cradle to Enslave” misturaram-se com novidades como “Heartbreak and Seance” ou “ You Will Know the Lion by His Claw”. De resto, houve dedicatórias aos Moonspell, amigos de longa data com quem continuam a colecionar recordações, uma breve falha de energia que, felizmente, não apagou a chama desta poderosa atuação e, acima de tudo, muito carinho, felicidade e uma bonita e inspiradora troca de energia entre uma banda que se reencontrou a si mesma e um público desejoso de matar saudades com a mesma.

Os Moonspell, mencionados acima no texto, também marcaram presença neste evento, o que, se pensarmos na amizade com os Cradle of Filth, só enfatizou o espírito de convívio e de saudável nostalgia que se fez sentir no dia de sexta-feira. Forçados a lidar com as frequentes falhas de energia, que neste caso obrigaram a uma relativamente curta pausa na atuação, deram, ainda assim, uma lição de perseverança, não baixando os braços e apresentando um concerto que só provou o quanto merecem o estatuto que conquistaram. Goste-se ou não do som que praticam, não há como negar o profissionalismo que caracteriza cada prestação da banda, incluindo a cuidadosamente elaborada componente cénica que faz com que cada prestação se transforme numa experiência mais complexa e enriquecedora. Em fase de promoção ao mais recente 1755, o alinhamento fez-se de uma constante viagem entre o passado e o presente, com clássicos obrigatórios como “Opium”, “Alma Mater” ou “Full Moon Madness” a conviverem com novidades como “Em Nome do Medo” ou “ Evento”. No final, o grupo proporcionou uma atuação extremamente bem conseguida onde a dedicação e a persistência foram as armas usadas para enfrentar - e ultrapassar - os obstáculos (involuntariamente) colocados no caminho.

Os norte-americanos Converge podiam, em teoria, estar algo deslocados no cartaz, tendo em conta que a sua sonoridade, ainda que inegavelmente pesada, é talvez mais indicada para outro tipo de ambiente e até público, mas na prática assinaram uma das prestações mais dinâmicas e brilhantes de todo o festival. Beneficiando de uma boa receção por parte da audiência que fez questão de os ver – alguma claramente presente somente por causa deles - o grupo de hardcore/mathcore espalhou brutalidade do início ao fim. Contudo, essa intensidade, verificada musicalmente noutras bandas do festival, adquire nos Converge uma profunda componente emocional, o resultado de um sentimento de desespero expresso em sons igualmente agonizantes. Olhamos para o vocalista Jacob Bannon e para a sua postura irrequieta e entendemos o quão visceral tudo isto é; mais do que um murro no estômago, as composições dos autores de Jane Doe são um cruel ataque à alma. No entanto, queremos – melhor, precisamos – disso, e é por isso que absorvemos toda esta pancadaria sonora e ainda voltamos para mais – a experiência revela-se catártica. “Reptilian”, “A Single Tear” ou “Heartache” foram alguns dos temas que nos derrubaram emocionalmente e nos deixaram esgotados, como se tivéssemos sido atingidos por uma saraivada de balas. Um concerto tão belo quanto violento, tão apaixonado quanto assustador. Quem o viu e o sentiu certamente nunca se esquecerá desta marcante passagem.

E o que dizer dos Ratos de Porão que ainda não tenha sido dito? Com 37 (!) anos de carreira, mantêm-se iguais a eles próprios, e por isso estamos honestamente agradecidos. Desejamos essa familiaridade, essa estabilidade, num mundo por vezes demasiado imprevisível. Com o sempre carismático João Gordo a referir orgulhosamente que a banda canta em português, a verdadeira língua aqui falada acabou por ser a da integridade e paixão. Nesta nova passagem – não ousamos conta-las pois já são muitas – a ligação entre o grupo brasileiro e o público português foi novamente estabelecida, resultando em mais uma prestação devastadora.  Mesmo ligeiramente mais cansados – algo totalmente compreensível tendo em conta a idade e os anos de estrada - os Ratos continuam uma máquina imparável.

10/08


A qualidade de som no Vagos constituiu, ao longo de todo o festival, um dos pontos negativos do evento, sendo que isso ficou bem claro com a atuação dos suíços Bölzer. Numa eterna batalha com condições acústicas desfavoráveis, a dupla conseguiu, ainda assim, impressionar com a força e a intensidade emocional das suas composições – poderosas e espirituais malhas de um metal extremo que, abraçando o death e o black, nunca chega realmente a habitar nenhum desses universos. Durante o tempo que permaneceram em palco, deixaram bem claro que se encontram no auge da sua existência e que são uma das propostas de peso mais excitantes e refrescantes dos últimos anos. Pode não ter sido a atuação perfeita que sabemos que são capazes de proporcionar quando beneficiam de um som cristalino, mas a pujança que exibiram foi suficiente para que a euforia tome conta de nós.

Os noruegueses Enslaved também lidaram com problemas técnicos, mas, a exemplo dos Bölzer, foram salvos pela brilhante fórmula musical que praticam e que acaba por compensar essas falhas, pois é impossível não manifestar entusiasmo ao testemunhar tamanha mestria instrumental, qualidade de composição e uma formidável capacidade de instalação de atmosfera - nesta ocasião mágica e majestosa. Viajando pelo passado sem esquecer o presente, escutaram-se novidades como ”Storm Son” ou “Sacred Horse” mas também recordações como a velhinha “Svarte Vidder”, retirada do seminal “Frost”. Uma prestação maravilhosa de uma banda que se mantém fiel às raízes black metal sem deixar de explorar os limites da sua criatividade, adicionando elementos prog (sobretudo na fase mais recente) a uma sonoridade que já há muito que se distingue pela complexidade e ousadia. Vimos, sentimos, viajamos; simplesmente fenomenal.

Os holandeses Carach Angren, que já por cá tinham estado no passado mês de fevereiro, são um inegável caso de popularidade, e ao vê-los ao vivo compreende-se imediatamente esse carinho. Sem desvalorizar o talento que possuem no campo da composição, a verdade é que em palco a vertente musical funciona como suporte para uma esplêndida componente cénica, onde o uso de máscaras, um manequim feminino posteriormente esfaqueado ou a própria prestação do vocalista “Seregor”, que se reveste de uma enorme veia teatral, fazem parte deste caricato espetáculo de horrores. Tendo aperfeiçoado a mistura entre o imaginário do terror e a execução exímia do seu black metal sinfónico, os Carach Angren ocupam hoje uma merecida posição de destaque no panorama internacional da música pesada e, nesta inspirada nova visita ao nosso país, assinaram um dos melhores concertos do festival.

O dia de sábado, marcado também pelo lamentável cancelamento dos franceses Dagoba (ainda assim, a primeira confirmação para 2019), teve como atração principal o regresso dos Kamelot. Apesar de serem um nome reconhecido e respeitado dentro da cena power metal, a verdade é que a posição como cabeças de cartaz pareceu algo forçada. Talvez seja por não o terem sido quando visitaram o “anterior” Vagos (em 2010, num dia encabeçado pelos Carcass), mas a passagem do grupo não teve o mesmo encanto que caracterizou a dos Cradle of Filth ou, no domingo, a dos Suicidal Tendencies. Não se questiona aqui o mérito da banda – nesta noite fantástica do ponto de vista da pura execução musical (ainda que, infelizmente, outras vítimas da má acústica que parece ter assombrado o festival), mas faltou aquela magia que se sentiu quando os restantes cabeças de cartaz subiram ao palco. Contudo, não deixou de ser bom poder recordar temas como “Centre of the Universe” (do magnífico Epica, onde 2003 já vai), “Forever” ou escutar e apreciar canções mais recentes como “Phantom Divine (Shadow Empire)” ou “End of Innocence”. Um concerto competente que, noutras condições, podia ter sido melhor.

11/08


Chegados ao quarto dia desta aventura intitulada Vagos Metal Fest, o cansaço já se acumulava ao mesmo tempo que um sentimento de saudade lentamente invadia o coração- depressão pós-festival, como lhe chamam. Todavia, a vontade de aproveitar ao máximo a diversão era motivo mais do que suficiente para realizar um último esforço, tarefa facilitada pela actuação enérgica dos Suicidal Tendencies. Veteranos da cena crossover thrash, eram a atração principal deste dia e mostraram estar em forma, num perfeito exemplo de como a experiência e a paixão para sempre serão os ingredientes essenciais na receita para um concerto memorável. Com 38 anos de carreira, o dinâmico vocalista Mike Muir é hoje o único elemento original que se mantém na formação, mas os músicos que o acompanham - com óbvio destaque para a lenda que é o baterista Dave Lombardo - dão conta do recado e, juntos, formam uma máquina bem oleada. “You Can't  Bring me Down”, “Trip at the Brain”, “War Inside My Head” ou “Pledge your Allegiance “ foram algumas das malhas que se ouviram nesta incrível celebração que terminou com uma invasão de palco por parte do público presente – o mais memorável momento desta triunfal passagem por Vagos. Uma prestação surpreendente onde todos, desde fãs da velha guarda até adeptos recentes, comemoraram em conjunto a contínua vitalidade da consagrada banda californiana.

Festa é também a palavra mais adequada para descrever a atuação dos norte-americanos Municipal Waste. Óbvios discípulos do legado de nomes como os míticos D.R.I., foram autores de uma das mais endiabradas, suadas e potentes prestações de todo o festival. Na verdade, é em palco que temas como “Sadistic Magician”, “ Bourbon Discipline” ou “Unleash the Bastards” atingem todo o seu potencial, pois a música que criam deve ser apreciada num contexto de pura diversão desenfreada. Neste regresso a terras lusas, onde a banda já viveu episódios felizes, assistimos a um concerto exemplar, dotado de uma intensidade explosiva que certamente não deixou ninguém indiferente.

Para a lista de atuações cheias de garra vai igualmente a dos britânicos Feed The Rhino. Apesar de a sua música - um hardcore de tons mais melódicos – ser, em certos momentos, um pouco genérica, a verdade é que a dedicação do vocalista Lee Tobin à arte de cativar uma audiência fez com que esquecêssemos isso e nos deixássemos contagiar pela força e sentimento desta prestação, que acabou por se revelar uma das maiores pequenas surpresas do último dia. Walls of death( incentivadas pelo referido frontman), crowd surfing,  de tudo houve e se viu nesta prestação que valeu talvez mais pela entrega do que propriamente pela oferta musical minimamente satisfatória.

Ross the Boss, ex-guitarrista dos Manowar, veio a Vagos para apresentar temas da sua carreira a solo e, claro, recordar as influentes composições da banda que ajudou a fundar logo no começo da década de 80. Goste-se ou não da sonoridade dos autores de “Kings of Metal”, esta passagem acabou por constituir uma interessante e genuína sessão nostálgica, uma oportunidade para aqueles que cresceram com os Manowar, assim como para as gerações mais novas, de entoar clássicos como “Battle Hymn” ou “Hail and Kill” como se não houvesse amanhã. De certa forma, era como se uma máquina do tempo tivesse discretamente aterrado no recinto e transportado todos os presentes para o passado glorioso onde estes temas fizeram história – mas não, permanecíamos, fisicamente, no ano de 2018. Poderá ter sido somente uma efémera viagem no tempo, mas nada mais se pedia, e nada mais se queria também.

Outro dos grandes destaques deste dia – e desta edição, diga-se - foi o regresso dos Memoriam. Fundados com o objetivo de prestar tributo a Martin”Kiddie” Kearns, o falecido baterista dos Bolt Thrower, o grupo - espécie de constelação de músicos com currículo no metal extremo (Bolt Thrower, Benediction, ente outros) – proporcionou uma belíssima dose de death metal musculado, infernal e absolutamente delicioso, assinando um concerto que vai ficar – perdoem-nos a piada – na memória de quem o viu. O mesmo não se pode dizer, todavia, dos suíços Schammasch, substitutos dos Sinister, cuja ausência de escuridão não possibilitou a criação de um ambiente adequado ao black metal avant-garde do grupo.

Num dia que contou ainda com uma potente atuação dos Integrity, cuja demolidora descarga de hardcore/punk com referências ao sludge e até ao thrash só pecou por uma ligeira descida de intensidade já perto do fim, ou com um curioso concerto acústico dos Ensiferum (solução de última hora devido à perda dos instrumentos no voo para cá), as emoções foram muitas e o balanço final claramente positivo, mesmo com as falhas já previamente apontadas. Vemo-nos para o próximo ano, Vagos?

12/08
por
em Reportagens
fotografia Helena Granjo

Vagos Metal Fest 2018 [9-12Ago] Texto + Fotos
Queres receber novidades?
Comentários
http://www.MOTORdoctor.PT
Contactos
WAV | 2018
Facebook WAV Twitter WAV Youtube WAV Flickr WAV RSS WAV
Queres receber novidades?