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Vodafone Paredes de Coura 2016 [17-20Ago] Texto + Fotos

31 de Agosto, 2016 ReportagensJoão Rocha

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Vodafone Paredes de Coura

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A chuva matinal que caiu sobre os campistas funcionava para muitos como um presságio negativo do que aí viria. Com um cartaz aparentemente mais fraco, o sentimento de baixas expectativas começava a generalizar-se e a ausência do Sol pela manhã, que permitiu a todos recarregarem as baterias das loucuras da noite anterior na Vila na frescura das suas tendas, não convidava sequer a aproveitar o ex-libris natural do festival: o seu rio.

O tempo foi mudando e o dia começou a decorrer na normalidade a que estamos habituados. No entanto, não manterei o leitor no suspense de perceber o quão bom ou mau o festival foi, pois, no fim do contas, o Vodafone Paredes de Coura 2016 também não demorou a demonstrar ao seu público o quão bom ele seria. Ninguém estava preparado para o que esta edição tinha reservado para nós: desde concertos a ambiente, 2016 será dos anos mais memoráveis para os que frequentam este histórico festival. Caso ainda não seja claro para vocês, simplifico: o “Couraíso” foi totalmente merecedor da simpática alcunha que lhe damos.

Ao primeiro dia, grandes concertos aconteceram, mas nenhum deles abriria espaço para o pensamento da ideia que anteriormente escrevi. O dia 17 foi reservado para a consagração de Paredes de Coura como uma espécie de instituição ao serviço da música nacional. É provável que grande parte dos artistas nacionais tenham crescido com e a frequenta-lo, e logo no primeiro concerto desta edição, os portuenses We Trust relembram que foi lá que tudo começou. Com os Coura All Stars, coro composto por jovens das redondezas, o projeto de André Tentugal abriu as odes do festival de palco cheio a inundar o público com o seu pop catchy. Acarinhados pelo público, e numa casa que lhes diz tanto, num concerto especial, anunciam ali também a pausa no projeto. E a nós custa-nos pensar em melhor despedida que esta.

Seguiram-se os Best Youth, uma agradável surpresa sensual que caiu sobre Coura à mesma velocidade que o luar. Se a sonoridade provocante e aconchegante da banda se devia ao som e movimento melódico de Catarina Salinas, esta tinha de dividir as atenções com Ed Gonçalves, que exprimia ora verbalmente, ora fisicamente para a sua seis cordas a tremenda felicidade que tinha em estar a pisar aquele palco. Ora uma pista de dança eletrizante, ora um vale de neblina mística, os Best Youth encantaram um já numeroso público ao tom de músicas como “Red Diamond” ou da final “My Moon, My Man”, cover alucinante da cantora Feist.

Aos Minor Victories coube a tarefa de abrirem a vertente internacional do Festival. Discretos por natureza, esta superbanda conta com elementos de Slowdive, Mogwai e Editors trouxe na bagagem o seu álbum de estreia homónimo. Apesar de o seu timbre ainda ecoar na memória do vale (depois de um concerto dos Slowdive no ano passado), Rachel Goswell rapidamente relembrou o porquê de figurar como um dos nomes cimeiros do rock alternativo. Poucos artistas conseguem ter o shoegaze na voz e Rachel é uma delas, aqui acompanhada por uma sonoridade mais a roçar no post-rock e noise rock, conseguiu criar um certo ambiente no recinto em faixas como “Scattered Ashes” ou “Out to Sea”, onde no final ficou a ecoar um “Thank You” em loop, deixando ora muitos deliciados com a mestria musical, ora outros confusos sobre se o concerto havia terminado ou não. No entanto, ficaram longe de conseguir aquecer um público sedento por calor.

 



 

Felizmente, os apetites do público não tardaram em ser saciados e os Unknow Mortal Orchestra sobem ao palco como autênticas estrelas da música prontas para dar um espetáculo único. A verdade é que todos os seus concertos são únicos e este não foi diferente, com o público a entregar-se de corpo e alma à banda que lhes deu o amado “II”. Totalmente seguros das suas capacidades, entregam-se ao instantâneo e viajam maioritariamente pelos seus últimos dois álbuns num estilo de jam session, onde cada um puxava e seguia os outros. Onde cada um traz a sua influência, onde o hip hop encontra o funk e o dance, é na voz, destreza de guitarra e carisma de Ruban Nielson que a fórmula se conjuga em psicadelismo de qualidade. Assumindo o ego de uma antiga estrela de rock, atira-se ao público durante “Stage on Screen”, e a ele leva- o igualmente à sua loucura nos mais recentes “Multi-Love” e “Can’t Keep Checking My Phone”. Todos saltam e dançam naquele que foi o melhor concerto da noite, onde também não faltou “So Good At Being in Trobule”, hit maior de uma banda aqui totalmente abraçada por quem a assistia.

 



 

A mood estava lançada, a energia que foi recuperada nas horas a mais dormidas permitidas pela chuva estava pronta a libertar-se em pleno depois do maravilhoso concerto dos UMO e felizmente para os festivaleiros, os Orelha Negra estiveram à altura. Num dia onde o ecléctico foi a palavra de ordem, foi com muito agrado que recebemos o projeto que se pauta por esta palavra também. Misturando a atualidade musical com sonoridades de trap, funk e jazz, o coletivo conseguiu manter o calor da noite ao som do seu hip hop instrumental, fechando assim um primeiro dia que, apesar de não ter sido glorioso (também não o ambicionava ser), cumpriu o seu papel: abrir o apetite para o resto de todo o festival.

 


 
por
em Reportagens
fotografia Hugo Adelino

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