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Vodafone Paredes de Coura 2016 - Dia 2 [18Ago] Texto + Fotos

31 de Agosto, 2016 ReportagensJoão Rocha

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Vodafone Paredes de Coura

Vodafone Paredes de Coura 2016 [17-20Ago] Texto + Fotos

Vodafone Paredes de Coura 2016 - Dia 3 [19Ago] Texto + Fotos


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Vamos diretos ao assunto: Ninguém estava preparado para o que aí viria. Esta é a frase que sem dúvida marca o segundo dia do Vodafone Paredes de Coura. O dia começou como todos os outros neste festival. Uns mais cedo, outros mais tarde, todos acabaram por afluir às margens do Taboão para uns banhos de um caloroso Sol, ou de um gélido mas sempre apetecível rio. De facto, é sempre uma luta constante decidir entre ficar a aproveitar o dia solarengo, ou ir para o recinto aproveitar os primeiros concertos.

A julgar pela quantidade de público a assistir aos concertos de Ryley Walker e Joana Serrat, foram mais os que preferiram deliciar-se com o bom tempo do que a subirem a mítica rampa de Coura “a horas”. Em boa verdade, e para descanso destes campistas, não perderam nada demais. Ambos traziam na bagagem disco novo, no entanto não foram capazes de cativar quem os assistia com as suas músicas. Se o primeiro até conseguia demonstrar destreza nos momentos mais improvisados, a segunda manteve-se sem sal durante todo o concerto. Para estes dois, o seu maior problema eram as suas próprias músicas, banais num universo já tão explorado que é esta nova vaga do folk. Festivaleiros sedentos por libertarem energia ou serem contagiados por empatia não encontraram ali o que procuravam.

Felizmente, não demoraram muito a depararem-se com estes objetivos. Franzinos e com um certo ar arisco, os Whitney subiram ao Palco principal para criar uma rápida empatia com o público. Gritar logo no início que Portugal é o seu país favorito do mundo ajuda. Apesar do anfiteatro natural ainda não se encontrar muito cheio, esta banda pós Smith Westerns conseguiu deliciar o público com o seu álbum de estreia “Light Upon the Lake”, havendo ainda tempo para prestar tributo a Bob Dylan, re-interpretando “Tonight I’ll Be Staying Here With You” do álbum de 1969 Nashville Skyline. Banda sonora perfeita para um fim de tarde, tudo o que se podia pedir mais era uma pequena brisa e uma boa bebida gelada.

 



 

Em contrapartida, uns minutos mais tarde, eram os bracarenses Bed Legs que no Vodafone FM davam a primeira dose de “boom” na explosão que o público tanto ansiava. Contagiando o público com a sua tremenda alegria em estar em palco, mostraram que mais do que fazer bom rock&roll, também se o sabe viver. E por entre latas de cerveja bebidas num só gole imediatamente esmagadas após com a irreverência de um qualquer jovem americano no seu prom, criaram os primeiros saltos e encontrões de muitos que aí viriam no decorrer do dia.

Já no palco principal atuavam os Sleaford Mods, ou melhor, declamavam raiva e sensibilidade. Apenas com um portátil e um microfone trazem toda a atitude punk para os tempos atuais, transformando Paredes de Coura numa espécie de comício onde a ideologia reinante é o inconformismo e onde a palavra de ordem se transforma num movimento de anca constante.

 



 

É, no entanto, no momento seguinte que o movimento se instaura como rei em Coura. Ansiosos por libertar toda a líbido energética que estava acumulada, os festivaleiros encontraram na exímia sincronia de duas baterias, acompanhadas por uma guitarra frenética e um baixo constante, o click para se atirarem ao mosh e ao crowd surfing, acompanhando a entrega da banda até ao fim. Com uma carreira que já conta com mais de uma dezena de álbuns, e um novo álbum lançado este ano, os Thee Oh Sees riffaram toda uma carreira e demonstraram ser das melhores bandas que alia o rock ao psicadelismo que por aí anda. De “The Dream” a “Contraption”, os Thee Oh Sees transportaram-nos para outra dimensão onde o oxigénio era pó, e ninguém se importava com isso.

 



 

Após tão explosivo concerto, não merecíamos ser mimados com o que se seguiria. De facto, muitos não conseguiram controlar e mantiveram uma atitude mosheira para desagrado de vários. Lá de cima do palco, que nem uma divindade, James Murphy a tudo assistia, visivelmente feliz e agradecido pelo carinho que lhe era assim entregue numa bandeja bem adornada. Os LCD Soundsystem eram o nome maior de todo o cartaz e comportaram-se como tal. De facto arrisco-me a dizer que já não víamos um cabeça de cartaz a verdadeiramente sê-lo faz tempo. O concerto destes já históricos americanos entra diretamente para o registo dos melhores que já passaram por Paredes de Coura, quem lá esteve compreenderá certamente o porquê. Numa casa cheia, seriam poucos os que se lembrariam do concerto de 2004, primeira vez que os LCD passaram por Coura, mas o que é certo é que a diversidade de idades e gostos convergiu toda ao Palco Vodafone para assistir ao regresso deste histórico projeto de dance punk.

A entrada fez-se ao som de “Us vs Them” e rapidamente a bola de espelhos desceu apenas para dar o tom oficial à pista de dança que James Murphy e companhia haviam instaurado entre todos. Conhecedores da discografia, ou apenas do nome, todos cantavam que “the time has come, the time has come”, enquanto se entregavam ao mais cru de todo o “pisto-dance”. Com um autêntico estúdio montado em palco, todos os sons eram instantâneos, tocados e pensados ao momento, e Murphy demonstrava a sua capacidade tremenda em atirar palavras como uma metralhadora ou a faze-la ecoar durante longos segundos como um poderoso trovão, resultando em algumas interpretações que soavam bem melhor que as versões de álbum. A celebração seguiu ao som de “Daft Punk is Playing at My House” até “Dance Yourself Clean” do mais recente álbum This is Happening que remonta já a 2010. “Losing my Edge” faz o resumo de toda a carreira de Murphy, no entanto não restam dúvidas que a banda que se orgulha de não fazer hits em “You Wanted a Hit”, conseguiu colocar várias das suas músicas na língua de muitas pessoas. Na reta final dedica-se o resto do espetáculo a Lemmy dos Motorhead, com quem haviam convivido naquele mesmo recinto em 2004, e a verdadeira magia acontece: “New York I Love You But You’re Bringing Me Down” transforma o público num céu estrelado (a Vodafone acertou nos brindes desta vez), abrindo a porta emocional de todos para “All My Friends”, clímax final onde se viam muitos abraços à nossa volta, entoando a célebre interrogação “Where are your friends tonight?” De facto, tendo em conta a perfeição de concerto que os LCD Soundsystem nos trouxeram, nada melhor que ter os amigos connosco para vivenciar tamanha experiência.

 




 

De alma cheia e ligeiramente abalados pela mestria do concerto anterior, o dia foi colocado imediatamente no pedestal das memórias de Paredes de Coura, fazendo até esquecer um pouco o concerto semi-frio de Shura no palco Vodafone FM (concerto que bebe do revivalismo pop dos anos 80, mas que fica aquém da força de natureza expectada em Sharon Jones & the Dap Kings), e causando alguma apatia (a digestão de LCD Soundsystem fez-se demorar) no concerto que se seguiu dos eléctricos Suuns. Precisavamos de mais tempo para experienciar de novo e felizmente a noite daria-nos isso.

 


 
por
em Reportagens
fotografia Hugo Adelino

Vodafone Paredes de Coura 2016 - Dia 2 [18Ago] Texto + Fotos
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