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Vodafone Paredes de Coura 2016 - Dia 3 [19Ago] Texto + Fotos

31 de Agosto, 2016 ReportagensJoão Rocha

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Vodafone Paredes de Coura

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Ainda abalados pelo dia anterior, a tarde de sexta soube ainda melhor para relaxar e recuperar energias para gastar na noite em que o rock seria rei. Nega Jacci no Palco Jazz criou um clima próprio à beira rio e, entre o tropicalismo e a melancolia do MPB, os festivaleiros que por ali descansavam (ora deitados ora a dançar ao ritmo da melodia) atingiram uma espécie de estado de Nirvana.

No recinto, este sentimento tentava-se recriar ao som dos First Breath After Coma, banda de Leiria que, como o nome indica, grandes fãs do trabalho dos Explosions in the Sky. Muito presos à sonoridade das suas (ou vá, sua) infulências(s), deram um concerto cheio de dualidade de emoções. Se por um lado foi bem melodioso, capaz de gerar um ambiente igualmente agradável e relaxado para um fim de tarde, por outro, e para os mais conhecedores, tudo soava a um ripoff da banda americana.

Já Kevin Morby teve a vida facilitada no palco principal. Usando várias vezes a cartada de Portugal ser o seu país favorito, conseguiu facilmente ganhar a empatia do público que começava a afluir ao recinto. Trazia consigo um álbum novo, “Singing Saw”, e com o seu folk rock conseguiu providenciar um belo concerto onde partilhou o estrelato com a destreza de Meg Duffy na guitarra. Em simultâneo, os Sean Riley & The Slowriders demonstravam no Vodafone FM o porquê de serem dos melhores projetos nacionais que por aí andam. Apesar de também trazerem álbum novo na bagagem, é de clássicos como “Houses and Wives” ou “This Woman” (esta com Paulo Furtado em palco na guitarra), que comprovam que em Portugal também se faz Blues de qualidade.

 



 

O Sol pôs-se e a partir daí o efeito de relaxamento terminou. Os últimos raios solares inundaram Paredes de Coura com testosterona e os californianos Crocodiles foram os primeiros a sentirem esses efeitos. Encantados com o Portugal Minhoto e as suas gentes, não tardaram a perceber que a fórmula infalível de conquistar um português é convidando-o para um copo. Portanto, entre canções de noise pop a lembar um pouco Jesus and Mary Chain, vão surgindo convites e elogios aos presentes e ao seu país. O público agradece com os seus passos de dança e o mood vai-se criando para uma...

...EXPLOSÃO! Esta é a palavra que melhor descreveria o concerto dos King Gizzard & the Lizard Wizzard. De facto, para se fazer jus ao concerto nada mais se deveria acrescentar a ela. O concerto foi um impacto contínuo após o eclodir da bomba. Para o público e para banda. Vindos da Austrália, demonstraram que o “old-schollismo” pode ser atual e vibrante, e sem adornos ou enfeites deram o melhor psicadelismo que alguém estaria preparado para receber em Paredes de Coura. Com duas baterias em palco, três guitarras, um baixo, teclados, harmónica e até uma flauta, não pararam de se atirar a malhas frenéticas como o caso de “Gamma Ray”. Poucos conseguiram acompanhar as letras, mas todos acompanharam de forma apocalíptica em jeito de mosh e crowd surfing. O Pó voltou a instalar-se, e a alegria também.

 



 

Os Vaccines já não são novidade, nem para o público português, nem para a música em geral, e como tal já não são abençoados pela sensação de novidade que impulsiona muitas bandas. Não estivéssemos nós num universo dito alternativo, os Vaccines seriam algo muito aproximado de um “one hit wonder”. Apesar de terem conseguido agarrar o público (entrar no palco ao som do genérico de Game of Thrones ajudou), as mais recentes canções passaram ao lado do público em geral, apenas conseguindo causar alguma contida euforida repescando What Did You Expect From the Vaccines?, com músicas como o hit maior “Post Break-Up Sex”, que mesmo assim não conseguiu ficar para a memória desta edição. Mais tarde fariam um DJ Set no after e, apesar das suas habilidades para a tarefa serem praticamente nulas, souberam jogar todos os clichés certeiros da música comercial, dos Jackson 5 a Kendrick Lamar, e contribuir para uma noite de dança eufórica.

No entanto, antes disso, o momento alto da noite ainda estava para acontecer. À semelhança do que sucedera no dia anterior, o cabeça de cartaz voltou a ser o melhor momento da noite, deixando o público em delírio. Estrelas maiores do rock alternativo, os Cage The Elephant voltaram a encontrar em Paredes de Coura, um Portugal que os tem num lugar bem especial no coração. De facto, é de estranhar que ainda não tenham sido chamados a outros palcos, mas depois da receção que tiveram no dia 19, talvez isso venha a mudar.

As primeiras palavras que ouvimos de Matthew dizer, ou melhor gritar, é que este é o seu festival favorito em todo o mundo, e a partir daí só lhes soubemos dar provas do porquê de tal acontecer. Constantemente epilético pelo palco, ora aos saltos, ora a correr de uma ponta a outra, durante uma hora e meia percorreu os maiores sucessos da banda e contou com um público para fazer de voz de suporte. Provavelmente em Paredes nunca se cantara com tanta confiança refrões de músicas. “Trouble” e “Come a Little Closer”, canções de uma fase mais orelhuda da banda, foram os apogeus desta dinâmica, mas músicas da sua fase inicial, como “Ain’t No Rest for the Wicked”, foram igualmente reconhecidas. Os Cage The Elephant, são daquelas bandas que Portugal andava a amar mas que nunca ninguém tinha percebido, e sempre que Brad, irmão de Matthew, descia ao público, recebia e retribua todo o seu amor. Intencionalmente colocada no final ficou a melosa “Cigarette Daydreams” deixando o público no estado de entrega total para no fim arrebentar ao som de “Teeth”.

 



 

Finalizava-se assim o terceiro dia de Paredes de Coura, e a certeza de expectativas superadas estava já instalada em todos os presentes. Nunca em três dias seguidos se assistiram a tão bons e surpreendentes concertos simultâneos. Nem em Paredes nem em qualquer outro festival. E de coração cheio ficava a decisão no ar de ir para a tenda ou continuar a desbravar pó e suor pelo um after fora.

 


 
por
em Reportagens
fotografia Hugo Adelino

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