wav@wavmagazine.net | 2014 | PT
a
WAV

Vodafone Paredes de Coura 2015 [19-22Ago] Texto + fotos + vídeos

19 | 20 | 21 | 22

 

 

 

IMG_3514_DONE

O primeiro dia do Vodafone Paredes de Coura 2015 era, logo à partida, um dia histórico. Era o dia que dava início à primeira edição completamente lotada do festival organizado há mais de vinte anos na pequena vila perto da fronteira espanhola. E, para o celebrar, guitarras. Muitas guitarras. Do pós-punk cru dos Ceremony ao shoegaze dos Slowdive, culminando nos TV On The Radio, o rock foi celebrado no Dia 1 de Paredes de Coura.

Recebidos por uma moldura humana praticamente inédita em Paredes de Coura, os Slowdive ofereceram um concerto absolutamente memorável no dia inaugural da primeira edição lotada do festival minhoto. A banda britânica subiu novamente aos palcos nacionais após um concerto igualmente apoteótico no NOS Primavera Sound do ano passado, e conseguiu que a hora de set apresentado tenha aparentado durar não muito mais de 10 minutos.

Num concerto que explorou algumas das melhores composições do shoegaze do início dos anos 90, contidas em álbuns como Pygmalion ou Souvlaki, a banda de Neil Halstead e Rachel Goswell arrancou mais a frio com “Slowdive” e “Avalyn”, mas a segunda metade de concerto acabou por desfazer as dúvidas: não eram necessários mais de quatro concertos na presente edição de Paredes de Coura para que se encontrasse algum que ofuscasse qualquer atuação do ano passado.

A sequência mágica de malhas como “Machine Gun”, “Souvlaki Space Station”, “When The Sun Hits” e “Alison” culminou num dos primeiros grandes momentos do festival, a incrível “She Calls”. Maravilhosa foi também a interpretação de “Dagger”, que interrompeu de forma introspetiva e comovente a sequência de algumas das mais explosivas canções dos ingleses.

Instrumentalmente irrepreensíveis, a imagem de marca dos Slowdive funcionou na perfeição: as linhas de guitarra claras como água, montadas uma sobre a outra numa harmonia perfeita, levavam ao êxtase o muito público que se estendia pelo anfiteatro natural de Paredes de Coura. Até final, houve tempo para “Golden Hair”, cover de Syd Barrett, que fechou com chave de ouro um dos concertos mais memoráveis das últimas edições de Paredes de Coura.

Não muito tempo depois subiriam ao palco os TV On The Radio. Esta autêntica instituição do art rock norte-americano, composta por membros como Kyp Malone e Tunde Adebimpe, cancelara dois concertos em Portugal no ano passado, mas desta vez viria mesmo a Paredes de Coura com o estatuto de cabeça de cartaz e, consequentemente, com a responsabilidade de fechar o dia de abertura do festival.

Contando com mais de 15 anos de carreira, o concerto dos naturais de Brooklyn atravessou um pouco de toda a discografia da banda, mas com especial destaque para o mais recente Seeds. O crescendo à la Spiritualized de “Young Liars” anunciava o início de um concerto enérgico e que mostrava alguns dos melhores exemplos do rock esquizofrénico e indubitavelmente diferente de tudo o resto que é a música dos TV On The Radio.

O êxito “Will Do” ficou de fora do alinhamento, como era esperado, o que terá desiludido alguns dos que só conheciam a canção mais comercial da banda, mas que pura e simplesmente se entende que não encaixaria nos moldes do concerto dado em Paredes de Coura.

Ainda assim, não ficaram de fora sucessos “Wolf Like Me”, “DLZ” ou “Staring At The Sun”, esta última a canção que fechou o alinhamento pré-encore, e que com os seus refrões orelhudos conseguiram arrancar uma boa participação do público, apesar da enérgica presença em palco do duo dos virtuosos Malone e Adepimbe.

No último concerto antes do sol se pôr definitivamente, foi a vez do pós-punk dos Ceremony ser a imagem a reter de um dos melhores concertos do dia. Com especial incidência para o último disco, The L-Shaped Man, a atuação da banda californiana deixou de fora muitas das curtas malhas de hardcore punk que caracterizavam o seu som ao longo dos primeiros quatro discos.

Liderados por Ross Farrar, os Ceremony fizeram mesmo um melhor trabalho na interpretação ao vivo das canções de The L-Shaped Man do que em estúdio. Juntaram-se à senda rock de um belo primeiro dia de concertos no Vodafone Paredes de Coura.

Num dia em que o rock puro e duro reinou em Paredes de Coura, subiram ao palco os Blood Red Shoes, duo originário de Brighton composto por Laura-Mary Carter e Steven Ansell, que viveu o auge do seu rock direto ao assunto entre os anos de 2008 e 2010, quando se assumiam como um dos principais valores do indie rock britânico.

Hoje, com quatro discos lançados desde a estreia em 2005 com o single “Victory For The Magpie”, o som da banda tornou-se não só cansativo e repetitivo como, em abono da verdade, os riffs já não saem de maneira tão fluida. O rock desta dupla que usa a “fórmula White Stripes”, mas com os géneros de guitarrista e baterista invertidos, toca um rock que agora não é mais do que genérico.

Apesar da energia de Ansell, que acumulou muitas vezes a função de vocalista à de baterista, só em algumas das canções mais antigas como “I Wish I Was Someone Better” ou “This Is Not For You” se vislumbrou algo mais do que um rock sem rodeios mas inegavelmente gasto. De louvar o esforço, ainda assim.

 

Vídeo resumo

 

 

Outras galerias

 


 

Texto: Luis Sobrado e João Rocha
Fotografia: Bruno Pereira e Hugo Adelino
Vídeo: Mariana Vasconcelos
Share Button

Comentarios

comentarios

Por Wav / 27 Agosto, 2015

Deixar um comentário

About the author /


~