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Zola Jesus @ Maus Hábitos – Porto [01Nov2015] Texto + Fotos

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Zola Jesus apresentou-se no Porto com um trompetista e um teclista, e estes trataram de a levar por um estilo gótico, experimental e numa electrónica mais new wave. Isso é algo que está bem vincado no último álbum da cantora, Taiga, que trouxe sem dúvida uma nova lufada de ar fresco nesses estilos, e também àquele pop mais comercial por quem Zola admitiu ter influências.

Mas se acham que está aqui uma receita para a desgraça enganam-se. Zola Jesus parece contornar bem esses problemas e transformar-se, ao vivo, numa artista ainda mais interessante, e que o digam todos os que ali estiveram. Prova disso mesmo é a forma como o teclado dá outro tipo de sonoridade e espectacularidade ao primeiro single do último álbum “Dangerous Days” e que também se encontra visível em “Hunger” um dos grandes momentos deste concerto. Uma pop bem catchy que fica no ouvido, e obriga a ir para casa ouvir e re-ouvir.

Nika Roza Danilova (o seu verdadeiro nome), não é “apenas” uma cantora, é uma artista, um animal de palco. Raramente esteve quieta um segundo que fosse. Corria de um lado para o outro, encarando a plateia olhos nos olhos num olhar assustador e desafiante. Várias foram as vezes em que Zola saía do palco para percorrer a plateia,  enquanto todos reagiam e dançavam aos seus pés, literalmente. Outro dos momentos mais especiais do concerto fica reservado para quando a artista regressa ao palco, larga o microfone, os músicos pousam os instrumentos, e começa-se a ouvir a artista a cantar os primeiros versos de “Nail” numa versão acapella, algo que deixou os presentes completamente deliciados e vidrados ou mesmo apaixonados.

Depois de um alinhamento muito focado no seu último trabalho, Taiga, a cantora regressa para um encore onde acaba por revisitar os seus anteriores trabalhos e fazer as delícias do público, primeiro com “Skin” dando a este tema uns falsetos completamente incríveis como que uma nova vida e logo a seguir com “Vessel” onde Zola volta a saltar para o meio do público, mas desta feita com bateria para tocar no meio de toda a gente.

A cantora norte-americana confirmou assim todas as expectativas que se geraram em torno dela desde a sua última passagem por Portugal, e o quão complexo é o seu último trabalho num concerto excelente e à altura da ocasião.

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Por João Neves / 4 Novembro, 2015

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