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​Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs – Feed the Rats

Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs

Feed the Rats | 2017

PONTUAÇÃO:

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Porcos, não uma, nem duas, mas sete vezes, assim é o nome deste grupo, o porquê não se sabe ao certo. Entre mil e uma possibilidades, pode ser uma alusão ao livro “Animal Farm” de Orwell por exemplo, – como o álbum Animals, de 1977, dos Pink Floyd, – ou alegórico à sua obstinação ou inflexibilidade perversa, ou então tem um significado mais mundano, os seus riffs são conspurcados com a merda – passo a redundância – de sete porcos, o que parece figurativamente perfeito.

O vocalista, Matthew Baty, descreve a banda e a sua música como: “(…) a pretty perfect balance of obnoxiousness, ridiculousness, intensity and theatrics, and somewhere within that spectrum is where our music sits too”. Ao ouvir o seu LP de estreia Feed the Rats ninguém poderá dizer o contrário, é um balanço perfeito entre tudo isso, apenas fica a faltar uma colher de inovação no seu som para que sejam uma receita perfeita.

Feed the Rats compõe se de três faixas, duas a rondar os quinze minutos – “Psychopomp” e “Icon” – e uma de que não chega aos cinco – “Sweet Relief”. Arranca com “Psychopomp”, tema que dá nome à cassete que saiu em 2014, mas com uma pequena grande diferença, falta lhe a intro espacial e psicadélica. Para mim não há dúvida, foi uma dura perda. Ainda assim a versão que integra Feed the Rats, intro de lado, é digna do rótulo heavy psych. É vigorosa e hipnótica, é abrasiva, monolítica, a voz é ríspida e alienada, tudo é desenfreado mas ao mesmo tempo sente-se um controlo inexplicável. Na segunda parte da desta faixa, ao som do primeiro “I am the demon! I am the shaman!” tudo faz sentido, existe de facto controlo, um controlo xamânico imposto pelo demónio.

Entre os dois monólitos de quartos de hora está “Sweet Relief” que, ainda que seja regada de psicadelismo metaleiro, tem como fundação um riff stoner cansado de ser ouvido. Há espaço para solos de guitarra destravados e gritos maníacos e incompressíveis que rodopiam em volta de quem os ouve, tudo é feito como deve ser feito, mas nada soa desconhecido ou exploratório.

Se na segunda parte da primeira faixa a voz ainda se dava a conhecer como o demónio, em “Icon”, que começa com um baixo corpulento e preguiçoso, ele não só volta a exibir os seus guturais como à passagem dos 7 minutos dança esbracejando desavergonhadamente e corre pontapeando ao som de uma carcaçada bruta. O diabo está a solta! Mas à passagem dos 11 minutos, ele parece cansar-se e grita “hold me” enquanto o som se densifica, ficando mais lendo, e quando parece que o demónio está para se deitar eis que soa um ríspido “I confess” que dá entrada a parte mais visceral e grosseira de Feed the Rats. Que bela maneira de dar por findo um álbum.

Feed the Rats é uma obra muito bem conseguida apoiada em dois belos pilares com quinze minutos de altura, mas tal como Samuel Mira (Sam The Kid, Orelha Negra) dizia em 2007, na música é preciso “(…) pôr cenas novas na mesa. Não tragam pudim, o pudim já está na mesa. Tragam arroz doce, falta arroz doce…”. Ainda que Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs não tragam “arroz doce”, derrubam tudo o que esteja em cima da mesa com as frequências seus riffs densos enquanto quem os ouve destrói freneticamente o que resta da casa – o seu concerto na última edição do Reverence Valada, em 2016, prova exatamente isso.

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Por Rafael Baptista / 13 Fevereiro, 2017

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