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a-nimal - Distopias

Review
a-nimal Distopias | 2016
Diogo Alexandre 14 de Março, 2016
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Com três discos (e um EP) lançados e pertencentes a um dos coletivos artísticos mais prolíficos em Portugal, custa-me a crer que ainda nenhum meio especializado (ou pelo menos nenhum que eu tenha visto) se tenha debruçado sobre este fenómeno que desde 2013 cria e lança artistas de boa qualidade em edição digital e física. Fundadores do coletivo independente A Besta (que já vai no seu 18º lançamento, sendo este o 16º) e da qual fazem parte bandas como Deslize, O Poema (A)Corda, Subasement, entre outros, os a-nimal regressam assim, cerca de um ano depois, aos registos discográficos com Distopias (depois de Mundo Em Retalhos e da compilação Abnormal Sessions, lançada no início do ano passado), um disco inspirado após leitura de “1984” de George Orwell, “Brave New World” de Aldous Huxley e “The Dispossessed” de Ursula Le Guin, que se revela como a cereja no topo do bolo de um percurso de longo conhecimento e crescimento musical.

Fundados em 2010, em Montemor-o-Novo, por João Sousa (ex-I.A.C.), na guitarra, e André Calvário, na bateria, a quem mais tarde se juntaria José Santos, no baixo, os a-nimal começaram como uma banda influenciada pelo movimento Punk – uma espécie de Punk Alternativo - talvez pelas influências trazidas pelo primeiro. Mundo Em Retalhos, tal como o E.P. homónimo, são exemplos disso mesmo. Tendo isto tudo em consideração, é engraçado e prazeroso podermos observar a evolução da banda desde então. Apesar de ser de difícil premonição aquilo que os a-nimal se viriam tornar, Distopias não rompe com o passado, longe disso, é a aprimoração da sonoridade de uma banda com já 6 anos de atividade, e recuando no tempo (após escutarmos os seus primeiros trabalhos) conseguimos perceber que a identidade é a mesma. O som pode mudar, mas a identidade mantém-se e é isso que se pretende.

É com a entrada de Tiago Eira, nos sintetizadores, que a banda dá o salto para aquilo que é hoje em dia e devemos dizer que sem Tiago, Distopias não seria a mesma coisa. Por outras palavras, não seria tão bom quanto é. O álbum conquista-nos desde cedo após uma introdução de 4 minutos chamada “Os Despojados” (ou “o descolar da nave”, como lhe chamo), antecedendo “Jamindi” (improviso assumido pelo nome, pensamos), e é aqui que a viagem começa verdadeiramente: malhão de 8 minutos que nos faz soltar os primeiros headbangs. É fechar os olhos e seguir em busca de algo impossível de se encontrar, que a vida é mesmo assim. Toda a ambientalidade criada pelos sintetizadores, o “build up” da música a preparar nova explosão no overdrive da guitarra, está tudo aqui e bem feito. “Zullen We Gaan” segue o exemplo da anterior, sendo esta bem mais krautish, com groove q.b., fazendo-nos lembrar uns Amon Duul II, por exemplo, e saindo de mansinho com mais uma ode ambiental eletrónica em “Urras”. São estas pausas pensadas, como que a dizer “agora absorvam lá isto que acabou de acontecer”, que nos fazem perceber o quão este disco foi bem premeditado.

Segue-se “Amlam”, um pós-rock com a virilidade do rock mais espacial contemporâneo. E se a faixa anterior serviu para acalmar os ânimos, tudo termina com a stressante “1984” (remetendo-nos automaticamente para o clássico literário do mesmo nome), seguida pela compassada “Amarres”, aparcando a nave em terreno desconhecido, ou conhecido por outros que não nós.

Paramos, abrimos os olhos, e pensamos no mundo e em nós. Distopias faz-nos pensar, direta ou indiretamente, e é isso que causa impacto no ouvinte e que o torna único para cada pessoa. Este é, sem dúvida, o melhor disco de a-nimal até à data e um dos grandes trunfos da música portuguesa atual, deixando-nos expectantes pelos seus próximos trabalhos.

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