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BadBadNotGood – III

BadBadNotGood

III | 2014

PONTUAÇÃO:

9.0

 

 

 

O trio de Toronto, BadBadNotGood, já não é de todo desconhecido e se, em tempos receberam rótulos por fazerem covers cobertos de genialdade em formato instrumental – de relembrar “CMYK” de James Blake, “Flashing Lights” de Kanye West, “Limit To You Love” de Feist ou “You Made Me Realize” de My Bloody Valentine – e ainda um primeiro álbum a receber transformações das bases musicais de Hip-Hop para o Jazz, hoje produzem todas as suas influências numa sonoridade inédita com bases na Jazz Fusion, Electrónica, Hip-Hop e desvanecidamente o post rock, para além das colaborações que já têm acrescentadas no currículo: Frank Ocean, Tyler The Creator, Earl Sweatshirt, MF Doom, Pharaoh Monch, RZA, entre outros.

Depois de dois discos lançados de forma DIY, o projecto musical, que surgiu na faculdade de Música Humber College, mostra uma evolução positiva ao assinar com a primeira editora, a Innovative Leisure, naquele que seria o primeiro álbum de originais, que acabou por trazer um sonoridade única e característica do trio. O primeiro disco em que as composições têm como base o jazz e só depois ganham influências do hip-hop, esse feito é facilmente reconhecível aquando a audição comparativa de “Kaleidoscope” com “Fall In Love” do primeiro álbum (cuja base é o hip-hop com influências de jazz sobrepostas).

III, é assim a amostra de que, após um álbum feito por pessoas com “não mais de 21 anos”, os BadBadNotGood não são apenas adolescentes ou jovens que aspiram uma carreira musical boa, mas que o fazem através de produções trabalhadas e singles extasiantes que acabam por ser grandiosos na alma, sem ser preciso o auxílio de uma Fender Mustang ou de riffs que acabam por buscar influências psicadélicas a fim de transmitir emoções. “Hedron” e posteriormente “CS60” – os primeiros avanços deste novo trabalho – desenham isso sem se verificar tais influências.  A bateria desenha os kicks, o baixo dá a base mais grave e por fim, o teclado agarra na influência jazz  e desenha um som poderoso que se constrói com a percussão no seu estado mais forte, e depois as quebras, aqueles momentos de repouso do inconsciente excelentemente bem conseguidos através desta sonoridade.

Embora se note um amadurecimento e evolução do estilo inicial dos BadBadNotGood a fórmula de III ainda é nova e acaba por não transmitir a nostalgia verificada nos dois primeiros trabalhos, à excepção de “Differently, Still”. No entanto, este terceiro trabalho, mostra uma improvisação futurística no que toca à fusão contemporânea de sons electrónicos com instrumentos clássicos.  As recomendações ficam em “Since You Asked Kindly”, “Can’t Leave The Night”, “Eyes Closed” e “Confessions (Feat. Leland Whitty)”.

 

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Por Sónia Felizardo / 16 Julho, 2014

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