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Battles – La Di Da Di

Battles

La Di Da Di | 2015

PONTUAÇÃO:

8.1

 

 

 
Em 2007 dava-se a grande explosão mundial daquilo que viria a ser chamado de “cena indie”. Artistas um pouco por todo o mundo, de mãos dadas com o boom da internet, saltavam para as luzes da ribalta definindo assim aquilo que viria a ser a cultura musical popular da nossa atualidade. Os Battles intregravam essa nova vaga de músicos que assaltavam os nossos reprodutores musicais, e passados oito anos do aclamado primeiro álbum lançam La Di Da Di, prova viva que continuam frescos e originais como quando os conhecemos em Mirrored.

Numa banda que faz música de forma matemática, não nos espantava que cada um dos seus integrantes fosse um elemento independente numa fórmula cujo resultado é Battles. John Stanier trazia a fúria que lhe conhecíamos dos Helmet, Dave Konopka a arte no domínio das cordas, Ian Williams a magia dos sintetizadores e Tyondai Braxton aparecia na linha da frente modelando a sua voz até atingir o registo pitoresco. Com a saída do último da formação, os restantes elementos mostraram as suas capacidades enquanto músicos, e não deixaram o projeto morrer agora sem o “cabeça de cartaz”. Para colmatar a sua ausência foram convidados músicos como Gary Numan ou Matias Aguayo, que introduziram um pouco do seu cunho na estrutura complexa que é a música dos Battles. Como resultado, e apesar da sua qualidade e do sucesso comercial devido a Ice Cream, o álbum perdia alguma da essência do que nos havia sido apresentada em 2007. O entendimento que a voz era a porta de entrada que permitia ao público aproveitar as camadas e loops das suas músicas introduziu-os num universo mais pop, que agora em 2015 vêem arriscadamente renegar.

La Di Da Di é um álbum meramente instrumental, que não esquecendo a sua personalidade sonora celebra e afirma os Battles como o que são presentemente: três criativos e talentosos músicos conscientes de que sozinhos conseguem ter um resultado igual ao da fórmula inicial, em contraposição da ideia de que só o conseguiriam somando novos elementos. Assim, conseguem em 2015 aquele que é possivelmente o álbum mais coeso da sua carreira, navegando um caminho contraditório àquele que o público esperaria deles. Não contendo músicas hit, ou que se aproximem minimamente do mundo pop, este novo álbum joga pela precisão matemática e exploração livre e descomprometida do que cada um deles têm de melhor para oferecer, dois conceitos aparentemente antagónicos, mas que aqui funcionam num equilíbrio perfeito.

O início é quase utópico: “Yabba” com os seus quase sete minutos é uma faixa que pacientemente vai introduzindo, camada por camada, o ouvinte ao universo da banda. Que universo é esse? É um habitado por sintetizadores, guitarra, baixo e bateria, que quando se encontram geralmente despertam o bichinho para bater o pé – “FF Bada”, onde a guitarra é rainha, começa lentamente, mas vê o seu ritmo avançar constantemente até ao ponto de comprovar claramente esta teoria. Há ainda tempo obviamente para o característico loop temático. “Dot Net” e “Dot Com” são duas obras-primas, muito semelhantes que funcionam como irmãs gémeas de uma novela. A primeira faz o papel de irmã rica, angustiada com a vida, enquanto que a segunda é a pobre, mas recheada de alegria na sua vida. No fim encontram-se e unem-se em prol do seu bem comum. É também no fim de “La Di Da Di” que encontrámos outro dos seus melhores momentos. “Luu Le” é a apoteose de adrenalina libertada pelos Battles ao sentirem que estavam a arriscar. Se a musicalidade textural soava complexa até agora, na última faixa decidem desconstruir todo o álbum e o resultado é verdadeiramente impressionante. Teclas a soarem a cordas, cordas a soarem a teclas, a confusão é tão deliciosa, que o facto de ser a última faixa do álbum, nos deixa a sensação memorável do mesmo.

De facto, o álbum peca um pouco pela falta de impacto que causa. Não encontrámos em La Di Da Di momentos de epicidade como “Atlas”, sendo que os loops e a ausência de voz possa causar algum aborrecimento durante o meio do álbum. No entanto, é na audição e interpretação do mesmo como um todo que percebemos o quão coerente, bem produzido e criativo é este álbum. Este passo foi bastante ousado, e provavelmente desagradará aos fãs da banda, mais precisamente os da altura de “Gloss Drop”, mas aqui deste lado ficou-se convencidos que o acto arriscado foi mais que bem-sucedido. Depois de dois álbuns onde a voz tinha um papel importantíssimo no som da banda, é num álbum onde este elemento é suprimido que encontro aquele que considero ser o momento onde os Battles conseguem ser mais Battles, fazendo deste La Di Da Di o melhor registo da banda até à data.

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Por João Rocha / 26 Outubro, 2015

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