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Beach House - 7

Review
Beach House 7 | 2018 Dream Pop
João Rocha 22 de Maio, 2018
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The Body - I Have Fought Against It, But I Can’t Any Longer

U.S. Girls - In a Poem Unlimited
A forma como começo estes textos segue por norma o mesmo método: ouço o álbum uma, duas vezes, e sinto-o. Começo a formular vários apontamentos no meu bloco, e ouço então uma outra vez, desta vez acompanhada por uma pesquisa relativa ao álbum e à banda. Por fim, organizo as ideias que escrevi, e elaboro-as numa folha em branco até elas se tornarem um texto que me deixe satisfeito. Acontece que desta vez, e após sucessivas dezenas de audições seguidas do novo álbum dos Beach House, encontro-me perante folhas e folhas de anotações diferentes – e cada vez que ele roda tenho algo novo a acrescentar –, o que me deixa numa encruzilhada de onde não sei sair. Em desabafo com um amigo, explicava-lhe este mesmo dilema que vos conto agora, confessando que não sabia como e o que escrever, o que me levou a questionar se seria isto o mesmo que sentir amor.

Ora pois bem, é, e 7, o novo trabalho do duo Americano, é a minha nova paixão desmedida, acusando – com orgulho até – toda a parcialidade que encontrarão nesta crónica.

Dista do dia de hoje mais de uma década desde que lançaram o seu primeiro álbum homónimo, e o amado Teen Dream não se encontra muito afastado desse mesmo marco temporal (ainda parece que foi ontem que o ouvi – e ouvi efectivamente!). Em 2015 surpreenderam-nos com dois álbuns antagónicos: um era um brilhante sonho pop, o outro um belíssimo pesadelo. Agora em 2018 apresentam-nos o seu sétimo trabalho. Um equilíbrio e uma harmonização entre Depression Cherry e Thank You Lucky Star, que cria um limbo entre a luz e a escuridão, um novo patamar da subconsciência chamado Nirvana. Em boa verdade 7, condensa em si tudo o que os Beach House já foram, tanto em estúdio como em palco. É em 2018 que James Barone, o baterista que os costuma acompanhar em tour, vê a sua bateria ganhar destaque no próprio álbum, como nos foi previamente indicado com o final do single de apresentação “Lemon Glow”. De facto, o som da bateria ganha no universo Beach House um espaço só seu, conjugando-se na perfeição com a restante construção sonora. Basta acompanharmos o crescendo rítmico da maravilhosa “Dive” para percebermos do que aqui se fala.

Mas 7 vai muito para além da presença de uma percussão mais enfasada. O grande encanto do álbum reside numa luxuosa consistência em nos activar a memória, uma memória que não se esgota na sonoridade da banda, mas que viaja até aos tempos dourados do dream pop e do shoegaze sem soar a algo datado (muito pelo contrário!). Há uma razão por trás desta realidade, ou aliás duas. Para a produção, a banda volta a depositar a sua confiança em Chris Coady, convidando também Peter Kember para se juntar à tarefa. Se o primeiro tem bem presente a identidade sonora de Victoria e Alex, o segundo tem dado cartas na inovação e experimentalismo a produzir para Panda Bear e para os MGMT. No entanto, é no seu passado musical que reside a carta na manga. Kember foi um dos maiores nomes do shoegaze na década de 90, tendo estado por trás dos Spacemen 3. Não é então, de estranhar que encontremos durante toda a audição, tonalidades de grandes nomes dessa época dentro do género, como é o caso de My Bloody Valentine, Galaxie 500, Bedhead e até Julee Cruise (a ela voltaremos mais tarde).  A magia acontece quando estes dois espaços se cruzam e conjugam numa abismal perfeição. É certo que a sonoridade dos Beach House não seria a mesma sem a história musical que os nomes anteriores construíram, mas ao sétimo álbum, o duo consegue, a par deles, a proeza de figurar nas listas obrigatórias para se conhecer o género.

Porquê? Muito resumidamente, porque estamos perante uma obra-prima. 7 é um álbum massivo mas ao mesmo tempo delicado, onde todas as camadas que o compõem são detalhadas e pesadas, mas que combinadas elevam-no ao patamar do sonho (uma vez mais). É então, numa já densa composição musical que surge a voz de Legrand, e aí assistimos a um milagre. O seu cantar expande-se dentro de todas as canções, ocupando-as, envolvendo e ligando todos os espaços que as compõem, e quando damos por ela (só no final do álbum) fomos totalmente submergidos na atmosfera criada: um filme noir em tons de dream pop. Por vezes, é na contenção que atinge tal efeito, como é o caso de “L’Inconnue” onde visualizamos logo de imediato o universo sonoro que Angelo Badalamenti e David Lynch criaram para Twin Peaks através da voz de Julee Cruise. De facto, qualquer música de 7 teria lugar no palco do The Bang Bang Bar (também conhecido por Roadhouse), na última temporada da série.

Não existem espaços livres nas canções deste novo trabalho dos Beach House, mas mesmo assim tudo soa leve e fresco neste encontro entre a inovação e o clássico. Em “Drunk in LA” temos a fórmula clássica das suas músicas, onde existe um crescendo de mão dada entre a voz, os sintetizadores e a guitarra de Alex Scally, mas dada a coesão do álbum, soa-nos a algo totalmente novo e surpreendente (não será sempre a qualidade mais surpreendente?).

No entanto, é de apontar que “7” tem um tremendo defeito: acaba. É um choque quando as músicas deixam de percorrer a nossa alma e voltamos a cair na realidade. Neste prisma, o álbum funciona como uma droga, uma a qual eu já sucumbi e não consigo largar. Diziam os Beach House numa entrevista, que alteraram várias vezes o nome do álbum. Esteve para se chamar “777”, numa alusão numerológica a uma nova entidade mística. Com este trabalho completam 77 canções originais, daí a importância em manter o nome centrado no número. Acabaram por decidir batizá-lo meramente com a ordem que ele ocupa na sua discografia, e tal feito faz-nos relembrar a letra de “Monkey Gone to Heaven” dos Pixies: “(…) If the devil is six, then God is 7”, e após a sua audição só me resta dizer que este macaco foi para o céu.
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Beach House - 7
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