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Beach House – Thank Your Lucky Stars

Beach House

Thank Your Lucky Stars | 2015

PONTUAÇÃO:

8.9

 

 

 
Aquando o anúncio do lançamento de um novo álbum ainda este ano, os Beach House provocaram não só a típica expectativa a quem a banda agrada, assim como o temor de um álbum recheado de restos que poderiam muito bem ser lançados enquanto lados B dos singles de Depression Cherry. É então que vemos acrescentada a frase que, e diz-nos a experiência, é sinónimo de treta ou de desgraça: vai ser diferente de todo o resto.

Conhecidos pela sua persistência no dream pop, o duo americano conseguiu a proeza de, mantendo-se sempre muito fiel à sua sonoridade, construir uma carreira que primazia a consistência à inovação, e assim, nunca soando a novidade, sempre conquistaram pela sua bela construção musical. Antes de ouvir este novo álbum era impossível imaginar como seria soar diferente, uma banda que nunca se aproximou de o fazer. Depois da audição o julgamento é instantâneo (a contrastar com a extensa degustação que o é ouvir): ainda bem que arriscaram, Thank Your Lucky Stars atreve-se a reclamar para si o pedestal de melhor álbum dos Beach House.

Comecemos pelo pior que é facilmente identificável, e não assim tão prejudicial quanto isso. A proximidade temporal entre os dois trabalhos é o principal inimigo deste novo registo. De facto, o álbum não transborda a momentos memoráveis como acontecia por exemplo com Teen Dream, e mesmo não sendo Depression Cherry um dos melhores exemplos deste factor, Thank Your Lucky Stars não consegue ter momentos como “Space Song” ou “Beyond Love”. Apesar de não ser propriamente um álbum com defeitos ou erros, não se pode deixar passar a ousadia em usar excertos de outras músicas para fazer outras: ouçam o início de “On the Sea” do álbum de 2012 Bloom, e depois comparem com a banal “Common Girl”, momento menos genuíno neste Thank Your Lucky Stars.

No entanto, e como anteriormente já foi referido, não são estas pequenas questões que modificam o nosso grande obrigado aos Beach House, ocupando espaço de pouca relevância sensorial durante a audição. São mais os prós que os contras, e é logo no início que Victoria e Alex jogam uma cartada mestra: “Majorette” é a música perfeita para começar a transição sonora que resulta da filtragem dos excessos do dream pop. É através desta fórmula, onde o shoegaze é mais soberano, que o duo consegue a proeza de fazer um álbum totalmente diferente da sua carreira, sem que a sua marca se torne irreconhecível. Claramente o trabalho mais pessoal e introspetivo do duo, compreende-se perfeitamente a necessidade dos norte- americanos o presentearem ao seu público. A doçura da tristeza continua lá (ou aliás, é amplificada), o que, e aliada a letras mais introspetivas e concisas na sua mensagem, torna o álbum o mais gerador de empatia de toda a carreira. Este é o grande trunfo de Thank Your Lucky Stars, que apesar de negro, é na sua simplicidade que consegue conquistar os corações e (ouvidos) de todos nós. “All Your Yeahs” é a embaixadora deste moto, onde a felicidade é grata às desaventuras da vida, aproximando-se muito do dogma lecionado pelos Big Star, levitando assim entre os seus pares no pedestal de melhores faixas do álbum. Quase no fim, o auge: “Elegy to the Void” é uma obra-prima que arrepia pela lentidão partilhada entre a voz de Victoria e as cordas que se ouvem de fundo. Trata-se de uma marcha fúnebre, uma ode ao nada, a celebração máxima ao tudo a que estamos gratos.

Assim, e enquanto a caravana da melancolia percorre as estrelas, a nossa noite de solidão auto requisitada vai passando, golo a golo, embriagando-se numa lua que apesar de envolta em negro, consegue brilhar.

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Comentarios

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Por João Rocha / 19 Novembro, 2015

3 comentários

  1. joão

    oblá, “levitation” é do Depression Cherry

    • João Rocha

      Tens toda a razão. A primeira estrofe da Majorette faz-me sempre confundir a música com a Levitation. Já tá corrigido, e obrigado por teres reparado 🙂

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