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Bipolar Explorer – Dream Together

Bipolar Explorer

Dream Together | 2017

PONTUAÇÃO:

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O ano de 2016 não deixou boas recordações a muito boa gente! Há quem diga que o melhor que aconteceu em 2016, foi 2017 ter começado. E ainda bem que assim foi. Logo no primeiro dia do novo ano, a banda nova-iorquina Bipolar Explorer apresentou, como um presente de Natal atrasado, o seu novo registo sonoro. Dream Together é o sexto trabalho longa duração deste trio de post-rock (dreampop, shoegaze, slowcore, minimalist indie ou o que lhes quiserem chamar) composto por Summer Serafin, Michael Serafin-Wells e Jason Sutherland.

Depois dos muito aclamados Of Love and Loss (2013) e Angels (2015), Dream Together é um disco que é óptimo para ser contemplado naquele inverno frio, embrulhado em mantas, cercado por aquecedores e com uma chávena de café arábica acabado de moer. Durante uma hora, os Bipolar Explorer trazem de volta aquela sonoridade característica a que habituaram os seus fãs, os loops sofridos, as guitarras a transpirarem sentimentos, as melodias infinitamente nostálgicas e uma voz à procura de algo que não pertence a este mundo. O resultado desta equação é um regresso a um tempo ao qual não existe certeza de que se tenha pertencido, mas que nos é bastante familiar.

A porta deste regresso é aberta por “Thirteen”, uma melodia que nos prepara para receber a melancolia e compreender que o amor nem sempre tem um final feliz. Esta percepção é ouvida de forma sofrida em “I’m Not Alone”, “With no arms to hold me/ Let your spirit enfold me/ I’m not alone”, mas, logo a seguir, em “Dream 3”, é clara a vontade de uma vida a dois ser para sempre recordada, “The precious spell and time will tell/ The world the tale/ How I’m in love”. Tragicamente falecida num acidente de viação, Summer Serafin continua a ser a inspiração e o motivo para os viciantes álbuns de Bipolar Explorer. Em “Listen”, Michael Serafin-Wells declara todas as suas intenções, “Rest now/ In the garden of ours/ And I’ll be along/ To reverse every wrong/ In just a little while/ I’ll meet you there”, e não esquece que a saudade de Summer só será suportada pelo amor que ainda lhe nutre, “So deep inside my heart/ Where you’ll remain and always burn/ The most beautiful spirit/ Ascension/ The miracle made true/ Blessed, precious treasure/ I need you more than ever”, é chorado em “To The Other Half Of The Sky”. Com pausas instrumentais que nos fazem suster a respiração e mergulhar mais fundo na nostalgia, “Fireflies” e “Along These Lines” enriquecem todo este conjunto de declarações de amor.

A nível instrumental, Dream Together não se apresenta de forma diferente do que até então foi produzido pelos Bipolar Explorer. Aliás, tudo o que ouvimos neste novo disco é já a sonoridade de marca destes nova-iorquinos. O destaque aqui vai para a porrada sentimental que nos é oferecida. Murros e pontapés são desbravados ao longo da audição. Sempre que uma nova faixa se inicia, é como se nos levantássemos do chão para cair novamente e só no final nos apercebemos dos hematomas e hemorragias por todo o corpo. É já quando acaba que, de olhos inchados e coração apertado, baixamos a tampa do computador, pousamos a chávena de café e soltamos uma palavra de alívio: foda-se!

Nota: Este autor usa o Antigo Acordo Ortográfico.

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Por Diogo Rocha / 1 Março, 2017

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