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Björk - Vulnicura

Review
Björk Vulnicura | 2015
Rafael Trindade 10 de Fevereiro, 2015
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Björk não precisa de introduções. Diva do pop artístico e da música experimental com uma aparência irreverente de visuais inconfundíveis. A sua discografia é detentora de alguns dos discos mais importantes dos últimos 25 anos, tais como Debut (1993), Post (1995), o aclamado Homogenic (1997) e o meu predileto trabalho da Islandesa, Vespertine (2001). Björk é a super-estrela da música que todas as intérpretes pop que pretendem sair da norma estética aspiram e sonham ser, mas nenhuma chega propriamente aos calcanhares da cantora e produtora Islandesa.

Björk é muito provavelmente a minha artista feminina favorita de todos os tempos. Sabe criar um fator de choque visual, tem talento imensurável para dar e vender, é uma artista que se sabe reinventar e que é extremamente humilde para as pessoas com quem trabalha e sobretudo para aqueles que a admiram: os fãs. Eu sou um destes fãs, e é precisamente por me assumir como tal que tomo conhecimento e admito que a segunda metade da discografia de Björk está repleta de falhas: Medulla foi inofensivo, Volta não sairia magoado com um sentido de consistência entre faixas e com mais coesão, e Biophilia, embora o melhor dos três discos e certamente bom, não mostrou Björk como o fenómeno que Homogenic nos deu a conhecer.

Estamos em 2015. Björk anunciou Vulnicura como o seu primeiro disco em 4 anos, atribuindo créditos de produção a dois grandes nomes: Arca (produziu Kanye West, FKA Twigs, etc) e a ascendente revelação da música ambiente, The Haxan Cloak. O lançamento estava previsto para Março mas o disco foi imediatamente liberado através de um "leak" online fora do controlo de Björk. Assim, Vulnicura viu a luz do dia no primeiro mês de 2015. A acumulação de "momentum" foi perfeita, tudo aconteceu de imediato e a quantidade de expectativa é uma montanha.

Ouvi Vulnicura com um coração repleto de esperança direcionada a um disco que ansiava desde o momento em que foi anunciado. Logo à primeira música o meu coração partiu. De imediato. Por muito que eu quisesse e ainda queira gostar de Vulnicura, não gostei e não gosto. Queria um disco da Björk e deparei-me com uma jornada de liricismo amargo e de vocalizações oscilantes por cima do papel de parede que são os instrumentais geralmente redundantes de Vulnicura (sim, os produzidos por Arca e The Haxan Cloak). No seu novo disco, Björk deixa-se levar pela corrente da pretensão e concretiza temas desnecessariamente longos que poderiam muito bem ser sintetizados, encolhidos, diminuídos e resumidos. Por favor, "Black Lake", a faixa mais longa do álbum (10 minutos), dispõe de 5 minutos para sair de uma secção musical e se transpor noutra. Há ritmos percutivos minimalistas e engraçados em "Atom Dance" cuja qualidade acaba por ser engolida por todo um alongamento temporal que traz repetição. Excesso, demasia.

"Lion Song" poderia ser um bom tema se não fosse a sua progressão de acordes não-apelativa e sem qualquer inspiração. "Family" é uma faixa de duração monstruosa que mostra divisões incoerentes e uma atmosfera fastidiosa de transformar qualquer ouvinte num bebé adormecido. Nem quero falar em "NotGet", a pior faixa de Vulnicura e talvez da carreira inteira de Björk. Nunca pensei em detestar um tema da Islandesa de corpo e alma, mas detesto este. É tão repetitivo que a voz de Björk, cuja eu tanto prezo e admiro, se torna incomodativa. Indesejada, monocórdica e sobretudo irritante. E com "Quicksand" acaba Vulnicura da maneira que melhor resume o disco em questão: Baço, amorfo. Morto. Desinteressante, sem qualquer ponto alto. Parado, monótono e extremamente aborrecido.

Nunca pensei em escrever palavras depreciativas relativamente a Vulnicura, o novo disco de uma das minhas intérpretes favoritas de todos os tempos, a aclamada e brilhante Björk. Mas acordarei todas as manhãs sem qualquer fragmento de arrependimento contido em mim por ter escrito algo negativo sobre o álbum. Vulnicura foi a experiência musical mais aborrecida que eu presenciei este ano até agora. De facto, foi uma experiência musical tão aborrecida que nem espaço me concebeu para chorar de desgosto: ao invés disso, adormeceu-me solenemente através de toda uma redundância sónica que não era de esperar da parte de Björk e da sua excelência de companhia produtiva. Björk é, de facto, imprevisível. Mas até a imprevisibilidade é uma espada de dois gumes. Algures na Islândia existe uma montanha extremamente alta cuja escalada até ao topo se apresenta como uma tarefa desafiante e difícil de concretizar. Essa montanha é Vulnicura. E, meus amigos, a montanha pariu um rato.

 
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