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Caroline Polachek - Pang

Review
Caroline Polacheck Pang | 2019
João Rocha 30 de Outubro, 2019
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Não precisamos de recuar muito no tempo, ou fazer um grande esforço de memória para nos lembrarmos do apogeu da música pop internacional. Canções sobre efemeridades (e não canções efémeras como muitas gostam de apontar), orelhudas e muito semelhantes (não usassem todas a mesma fórmula) eram a santíssima trindade da produção mais comercial do mundo musical. No entanto, com a viragem da década e a explosão da Internet, assistimos a uma mudança de paradigma em que estas que outrora seriam de nicho a atingirem números gigantes de público, e consequentemente a redefinirem o género e a passarem a ser os faróis criativos dos grandes nomes que ainda resistem ao teste da relevância musical.

Se os Chairlift estiveram na vanguarda deste movimento, é a vez agora da sua vocalista, Caroline Polacheck, tentar afirmar-se no jogo a solo. Já por duas discretas vezes demonstrou o interesse em fazê-lo, em 2014 com Arcadia, com o pseudónimo de Ramosa Lisa, e em 2017, com Drawing The Target Arround the Arrow, onde assinou com as suas iniciais CEP. Se na primeira tentativa explorava a sua capacidade vocal, na segunda limitou-se a explorar os limites da eletrónica. Este caminho permitiu-lhe ganhar confiança nas suas capacidades de compositora e produtora e assim trabalhar em algo que assinaria sem medo com o seu próprio nome. Assim, em 2019, oferece-nos Pang, um projeto onde depositou toda a sua dedicação e entrega.

Entre o anúncio do álbum e a sua edição efetiva, foram cinco as músicas que perderam/ganharam lugar no alinhamento do álbum de estreia de Caroline. Desde logo indicador de uma clara consciência da história que tem para contar, cortando ao supérfluo e renegando a típica “palha” que a música pop nos habituou. De facto, falar aqui meramente em pop desvaloriza em muito o resultado conseguido em Pang. Neste álbum temos uma pesquisa e experimentação entre os limites da voz e a música eletrónica. Se nos últimos anos Polacheck tem conhecido e experimentado todos os meandros do dream pop, a sua voz, apesar de característica, ainda estava constrangida por diversas limitações. Assim, e mais uma vez prova da sua entrega a este álbum, dedicou-se a aulas de canto clássico, e as vocalizações aqui emanadas demonstram resultados bem significativos.

“The Gate” abre as hostilidades de uma história que percorre as três frases do amor: a entrega, a dor e a euforia. É também cartão de visita do registo musical que vamos encontrar, assim como o início de uma viagem de total coerência, coesão e fluidez de faixa para faixa. As composicões sonoras transpiram sonho e misticismo, e comungam em perfeição com a voz celestial de Caroline. A evolução vocal da cantora é sem dúvida um dos factores de maior destaque em Pang. O timbre único e bem colocado, de cantora que conhece bem o seu instrumento, confunde-nos entre o seu purismo e a maquilhagem autotunesca. Ambas as vertentes estão bem presentes, totalmente comedidas, totalmente perfeitas. Músicas como “I Give Up” elevam-se abruptamente devido a tal factor. Segue-se “Look at Me Now”, um dos momentos mais belos do álbum, lembrete que há uma história a ser contada, que flui sem esperar por nós. Para fechar a trilogia, segue-se “Insomnia”, o apogeu do álbum. Sendo a música mais experimental de todas, aborda-se uma tentativa clara de compenetração lírica enquanto se desafia os limites do aceitável no mundo pop. A faixa transparece os assombros da noite enquanto viaja por um ambiente ora celta, ora industrial alemão, colapsando esta (fucking awesome) bad trip em “Ocean of Tears”. Caroline Polacheck vem assim provar demonstrar como a música eletrónica pode estar cheia de alma.

Apesar de todo o conceptualismo e experimentação, Pang também tem meros momentos Pop. “Meros”, como forma de expressão, pois faixas como “So Hot You’re Hurting My Feelings” são autênticas delícias. Esta aparente disparidade no álbum serve um propósito (transpor um estado), mas causa-lhe alguma banalidade. As músicas, apesar de muito próprias, não são assim tão inovadoras no cenário musical actual. Não é de estranhar, visto Pang ser filho de uma colaboração directa entre Caroline e Danny L Harle. Este último é um dos nomes cimeiros da PC Music, marca responsável por nomes como Charli XCX. De facto, se ouvirmos “Hit me Where it Hurts” com a devida atenção temos de dar o braço a torcer, e apesar de Polacheck a segurar com firmeza, esta soaria na perfeição na tonalidade da cantora de “Boys”.

Feitas as contas, o primeiro álbum em nome próprio de Caroline Polacheck é um autêntico deleite para as primeiras audições, mas não tem a força, ou factor único que nos faça voltar a ele vezes e vezes sem conta. Com músicas bem catchy, e composições arrojadas, falta-lhe uma certa pujança ou característica diferencial que nos arrebata. Não obstante, Pang não deixa de ser um óptimo álbum que vem demonstrar que Caroline não precisa da fama inerente aos Chairlift para causar moça no dream-pop. Em última análise, a dedicação, perseverança, e uma ideia bem estruturada são o suficiente para fazer um álbum bem no ponto.
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