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clipping. - Splendor & Misery

Review
clipping. Splendor & Misery | 2016
Rafael Oliveira 07 de Dezembro, 2016
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Os clipping. não são uma banda convencional. O trio de Los Angeles é conhecido por criar uma sonoridade atípica, constituída pelo rap no seu sentido mais puro e “tradicional”, bebendo inspiração até da vertente mais club. Completam essas influências, com beats caracterizados pela presença de elementos da sonoridade noise, e pelo uso de samples pouco convencionais no hip-hop, podendo assim serem denominados como um grupo de hip-hop experimental.

O último álbum é até à data um dos mais complexos, Splendor & Misery apresenta-nos uma narrativa e um conceito: A história do único sobrevivente (Cargo 2331) a bordo de uma nave intergaláctica, após uma revolta de escravos, e a maneira como este enfrenta a sua solidão. O mote cinge-se ao desenvolvimento deste personagem, e na posterior aceitação da sua solidão enquanto liberdade. O primeiro álbum dos clipping., CLPPNG de 2014, apesar de sonoramente um pouco mais complexo (presença forte de beats e samples variados e a conotação com o lado mais club do rap), preconizou o caminho até este último álbum.

Splendor & Misery é o álbum cuja densidade sonora é maior apesar de menos complexa. O instrumental, que sempre foi elemento chave na música dos clipping., tem neste disco o cargo fundamental de união e transmissão da narrativa, quase como se de uma banda sonora de um filme se tratasse. Os interlúdios se à primeira vista nos parecem fillers, aquando ouvidos ganham outro dos papéis principais na integridade da obra final, pois é através da voz de Daveed Diggs, frágil, distorcida e esbatida no instrumental noise, abrasivo cheio de estática, que se encontra o meio através do qual se vão desvendando os elementos mais íntimos da personagem (Cargo 2331).

A densidade de que falo vai sendo notada à medida que se escuta o álbum uma e outra vez, a conceptualidade presente na narrativa é executada perfeitamente na ambiência criada pela instrumentalização, os sons reportam para a solidão que é sentida, William Huston e Jonathan Snipes criam a imagem sonora perfeita para a narrativa de Diggs, são de salientar os sons metálicos que remetem para os ruídos das entranhas de uma nave à deriva em pleno espaço. Daveed domina liricamente e com o flow extremamente rápido e fogoso, ao qual já nos habituou anteriormente. Mas o elemento que se destaca mais é o instrumental, isso não é algo negativo, Diggs cumpre perfeitamente a função de vocalizar a narrativa.

Destaque para a faixa “Long Way Away” que através do uso de elementos gospel reporta para a problemática da escravatura, interligando sonoramente e tematicamente o passado e o futuro. Contribui igualmente para dar corpo à ideia de space opera em torno da qual a narrativa está construída, denotando possivelmente a influência de Hamilton, peça de teatro musical que Daveed Diggs integrou recentemente. “Wake Up”, “True Believer”, “Air ‘Em Out” e “Break the Glass” são as faixas fortes do álbum, as quais os interlúdios complementam melhor, bem como as que nos presenteiam plenamente com a sensação desoladora de solidão no espaço.

Splendor & Misery, apresenta-se assim como o álbum mais conceptual e denso dos clipping. (até à data), um disco com muito para dar a quem o queira ouvir vez após vez. Um lançamento diferente por parte do trio, mas sem dúvida um que demonstra em pleno, as suas capacidades.

[Este autor utiliza o Antigo Acordo Ortográfico
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