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Cloud Nothings – Life Without Sound

Cloud Nothings

Life Without Sound | 2017

PONTUAÇÃO:

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Todo este tempo à espera deste álbum valeu a pena, cada minuto. E assim dá gosto esperar! Se o álbum anterior, Here And Nowhere Else, já foi muito bom, este novo volta a ter o mesmo estatuto, e senão, melhor! Guitarra, muita distorção, barulho, e mais guitarra, são aspetos compõem este grande trabalho. Cloud Nothings, que já dispensam apresentações, voltaram da maneira como deviam, com um grande Life Without Sound.  Assim como a capa, bela e inspiradora, fazendo jus ao que o vocalista, Dylan Baldi afirmou: “este álbum é suposto ser inspirador”. Capa e música, acreditem, são.

A banda de Cleveland, apresenta-nos um trabalho composto por nove faixas, e com uma duração de uns, bem passados, 37 minutos. Aquela rapidez e aquela energia “impaciente” parecem não permanecer com tanta evidência como nos trabalhos anteriores, ainda que, em “Darkened Rings” e “Sight Unseen” se encontre algum do som áspero, ruidoso e rápido que a banda nos habituou anteriormente.  Mas este novo som dá-se ali, como água em plantas, perfeito. E assim, parece haver ali uma certa maturidade, começando logo pela primeira música do álbum, “Up to the Surface”, uma das mais bonitas do álbum, que transparece essa mesma maturidade, embutida nessa tranquilidade e inspiração que Baldi tanto quis transmitir. Quase que nos faz ficar naquela sensação de “olhar para o infinito”, de tal sonhar que experienciamos. É de notar o bom uso que fazem do piano, durante toda a música, dando-a, um tom muito mais melódico, tornando assim esta música muito mais rica, a nível do som.

A faixa mais catchy aqui vai para a já conhecida “Modern Act”, o primeiro single lançado, a mostrar o lado mais indie-rock da banda. Baldi também referiu que este álbum é como “uma busca por algo que lhe falta”, e é aqui, em “Modern Act”, que o vocalista transmite grande parte desse sentimento, tendo em exemplo, versos como, “I want a life, that’s all I need lately / I am alive but all alone”. Ainda neste aspeto catchy temos também, a música “Things Are Right With You”, com um trago mais a pop, que assenta que nem uma luva. Fica uma sonoridade interessante, que consegue ficar na cabeça. Assim também em “Enter Enterly”, encontramos um certo equilíbrio entre o pop e o rock, com o refrão “a retrair”, que resulta numa ótima combinação com o arranhar na voz de Baldi.

“Realize My Fate” e “Stranger Year” aparecem aqui como que experiências diferentes, no álbum, com um tom entre o calmo e agressivo, notando-se uma boa distorção, o bater insano da bateria (no caso da primeira) e o piano de fundo (na segunda) e a exaltação na voz de Dylan que fica bem em qualquer uma das duas.  

Este grande trabalho também se deve ao grande John Goodmanson, (produtor de álbuns de bandas como por exemplo Death Cab for Cutie e Blonde Redhead), que conseguiu aqui fazer um ótimo trabalho com a banda e puxar daqui um álbum com experiências diferentes, mantendo a essência dos Cloud Nothings, mas dando, ao mesmo tempo, uma certa madureza que joga bem entre ritmos distintos. E é nestas experiências que os Cloud Nothings tentam encontrar o seu lugar, encontrar algo que ainda lhes faltava, e daí esta diferença na banda.

Este ano de 2017 começa bem, e já fazia falta um álbum novo assim. Desta vez a espera foi maior, mas também o ganho foi maior. Pode-se dizer que sim, este é um som que deve existir.

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Por Miguel Teixeira / 2 Fevereiro, 2017

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