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Code Orange – Forever

Review
Code Orange Forever | 2017
Artur Basto 30 de Janeiro, 2017
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Para se poder falar de Code Orange, há que fazer notar um facto muito importante, o único que os deixa estar ao nível de bandas como Pantera, no sentido em que, a cada álbum que lançam, fazem com que os seus antecessores, de pesado, não tenham nada. Que esta banda tem um som diferente, isso já se sabe. Que a aparência deles é de respeito, isso é facto. Agora, os verdadeiros destaques que fazem esta banda de putos sobressair-se é sem dúvida o aumento da agressividade e da lesão mental que cada álbum vai deixando. No caso de I am King, todo o álbum se destacava por uma agressividade física pura e dura. Forever vai mais além. É um ataque selvagem à sanidade física e mental do ser humano. Pode-se genuinamente dizer que já amadureceram o suficiente para terem deixado de ser “Kids”.

A começar logo com o homónimo do álbum, passando pela “Kill The Creator” e até chegar à “Real”, estas três faixas são aquelas que têm uma conexão entre elas muito maior, deixando as restantes músicas em lugares distintos por aquilo que as destaca, mas não deixando de fazer com que o álbum se complemente num todo. O grande destaque inicia-se precisamente em “Real”, quando somos assolados por um death metal abrasivo, com um “build-up” inesperado, empurrando-nos para uma queda num abismo mental, no qual somos obrigados a entrar numa discussão com a pior parte do nosso interior, crescendo de novo uma revolta imensa.

O curativo dessa revolta encontra-se em “Bleeding In The Blur”, onde se inicia o desapego desta intensidade, levando-nos na onda mais Adventures (projecto lateral da banda), criando a qualidade sonora de algo como Twitching Tongues, juntando o mais agressivo e cortante dos riffs com a voz mais limpa e suave possível, colmatando num misto de elementos de influência nitidamente grunge, trazendo à tona lembranças de Superheaven.

O maior choque em todo o álbum não foi na agressividade, nem nos riffs, mas sim nos sintetizadores e em todo o experimentalismo, que já nos é familiar por parte da banda, na faixa “The Mud”. Algo simples, mas realmente eficaz, mostrando como a música electrónica não ganha peso só em festas. Todo o álbum (sim, direi isto mais uma vez, porque é verdade) é de um peso incalculável, mas a arma especial usada para acabar com qualquer que seja as esperanças ou desejos de uma pessoa, reside na “The New Reality”. Sem dúvida, é onde se gastaram os cartuchos de maior calibre no sentido de roçar a insanidade auditiva, fazendo-se seguir de “Spy”, que nos traz de novo um excelente equilíbrio entre algo rápido, algo lento, algo penetrando, mas sem nunca perder o seu peso, clássico Code Orange.

Para quem está a ouvir o álbum pela primeira vez e, após todo este contexto, acha que as coisas já vão acalmar, é porque ainda não chegaram à “Ugly”. Esta faixa volta com toda a ambiência grunge e que nos submerge numa onda de mal-estar mental e que nos encosta no pior dos cantos da casa assombrada que é a nossa mente, deixando-nos lá sem qualquer hipótese de escapar, fazendo-nos aperceber que a única verdadeira solução é deixar-nos ir. E a partir daí só piora, neste fim de álbum, a agressividade sonora e física, aquelas músicas para concerto acabam. Entrámos num patamar em que o ataque é puramente mental. Torna-se introspectivo, na pior acepção da palavra.

A ambiência meio industrial da “Hurt Goes On” acorda-nos do pesadelo em que estávamos para simplesmente nos apercebermos que afinal era pura realidade. E aí ficamos a tentar calmamente decidir onde vamos depois disso, numa corrida frenética em espiral para o ponto de não retorno, no momento em que entram os sintetizadores, chegando finalmente ao senso de que não há escapatória verdadeira quando os riffs voltam a atacar em peso. Mas, sublinho novamente, um peso muito mais mental do que aquele que nos estouraria os ouvidos, em actuações ao vivo. Para um fim super belo, “Dream2” só nos deixa com a sensação de uma reflexão interior com as últimas ideias e pensamentos que nos passeiam na cabeça, antes do último suspiro de esperança nos largar… para sempre.

Code Orange sabe atacar. Conhecem demasiado bem o cerne da fragilidade humana, e criam ataques demasiado rápidos e com uma devastação à qual só se escapa com muita dificuldade. Isto não é um álbum para os fracos de mente nem de ouvidos. Só nos deixa a desejar para ver o que o futuro lhes trará, pois estamos apenas a assistir ao começo da banda. E que começo. Este álbum não se resume a música pesada, resume-se a música pesada e eficaz. Mexe-nos com a mente e corpo. Mexe-nos com a alma. Como já referi, apesar de cada música se destacar plenamente das outras, há uma ligação entre elas que não dá para negar nem refazer facilmente. Um excelente início de 2017, sem dúvida.

Nota: Este autor usa o Antigo Acordo Ortográfico.
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