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Courtney Barnett - Sometimes I Sit And Think, And Sometimes I Just Sit

Review
Courtney Barnett Sometimes I Sit And Think, And Sometimes I Just Sit | 2015
Luís Sobrado 30 de Março, 2015
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Se podemos dizer que 2014 nos deu Angel Olsen, também é justo darmos a Courtney Barnett o título de grande promessa feminina confirmada como artista de topo do indie rock atual. Depois de, nos últimos dois anos, os singles "Avant Gardener" e "History Eraser" terem dado algum (merecido) airplay à australiana, chegou-nos agora aos ouvidos Sometimes I Sit And Think, And Sometimes I Just Sit, o primeiro longa-duração de facto.

Comecemos pelo título: é maravilhoso. Ao nível de um A Bunch Of Meninos ou de um Only Myocardial Infarction Can Break Your Heart, dois dos grandes títulos-de-discos-melhores-que-o-disco-em-si que nos últimos anos viram a luz do dia. Contudo, este não é original. É uma frase de A. A. Milne, autor da série de livros do Winnie The Pooh. Quererá isto dizer alguma coisa sobre Courtney Barnett? Cremos que sim. O sentido de humor é admiravalmente desprendido de qualquer pretensiosismo; a escrita é solta e, a espaços, dylanesca: quase que em fluxo de consciência, as palavras e rimas vão sendo debitadas ao ritmo de uma conversa; tudo é autobiográfico, honesto, ingénuo, humano.

Courtney tem uma capacidade inacreditável de transformar os mais banais acontecimentos do dia-a-dia do homem moderno em canções extraordinárias. "An Illustration Of Loneliness (Sleepless In NY)" retrata o simples olhar para o teto como se do mais importante assunto se tratasse; "Dead Fox" culmina com o mais desarmante monólogo sobre um susto ao volante, após uma dissertação sobre comer barato e saudável; "Aqua Profunda!", a fazer lembrar o wonky-tonk, fala do nadador a tentar impressionar a nadadora da pista do lado.

Embora seja a superior songwriting ability de Courtney o seu principal trunfo, há um bom punhado de canções que, musicalmente, roçam a perfeição. "Elevator Operator" é incrivelmente catchy e orelhuda; "Small Poppies" é uma fantástica malha de guitarras em crescendo até culminar num final épico e "Pedestrian At Best" um super-hino punk rock. Mas "Depreston" é, provavelmente, a grande vitória deste disco. Aliada a uma das mais bonitas melodias compostas ultimamente, esta é uma canção que demonstra todo o talento de Courtney Barnett ao contar a simples história de um casal à procura de casa e transformá-la numa canção grandiosa. Tudo sem nunca esquecer o poder de um bom refrão ("If you’ve got a spare half a million / you could knock it down and start rebuildin’") que ecoa nas nossas cabeças bem depois de a música terminar.

Não temos dúvidas que Stephen Malkmus ou David Berman, dois amigos que são também líderes de duas instituições do indie rock do fim do século passado, gostariam de ter uma conversa com Courtney Barnett. Provavelmente, essa conversa não iria ter na sua ordem um sequer assunto de interesse global. O mais certo é que não tivesse mesmo uma ordem. É slackers que eles são, e é slackers que vão continuar a ser. E ainda bem que assim é, por debaixo da voz adormecida, do sotaque carregado e das canções despreocupadas de Courtney Barnett, está uma fantástica songwriter e uma tremenda genuinidade.

É tudo aparentemente tão effortless, que não há como não amar Courtney e este disco. All hail the girl from Down Under.
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Courtney Barnett - Sometimes I Sit And Think, And Sometimes I Just Sit
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