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Death Grips - Jenny Death

Review
Death Grips Jenny Death | 2015
Rafael Trindade 10 de Abril, 2015
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Após um significativo período de tempo durante o qual fãs aguardaram impacientemente nos quatro cantos do mundo, finalmente chegou até nós o ansiado e aparentemente último projeto musical a nome do coletivo mais misterioso, enigmático e blasfémico da nova década.

Entremos em The Powers That B, uma dimensão “Death-Grips-iana” onde já não se misturam processos de editoras com marcadores de tempo ilusórios e caralhos robustos e eretos na capa de discos. É difícil não contemplar aquilo que a banda alcançou com o disco duplo, este que é sem qualquer margem ou sombra de dúvida o projeto mais ambicioso da carreira dos Death Grips. Ride, Hill e Flatlander alegam duas facetas musicais que permanecem em constante mudança. Primeira faceta: o “glitch-hop” industrial que conceberam com o revolucionário The Money Store e que exploraram minuciosamente com projetos subsequentes como o controverso No Love Deep Web, o desorientador Government Plates e especialmente com a personificação musical de um exorcismo que é a primeira parte constituinte de The Powers That B, Niggas On The Moon; Segunda faceta: a vertente hardcore punk dissonante, representada em tela cheia no disco de estreia da banda, Exmilitary, e agora enfatizada e levada às mais dolorosas e violentas extremidades com o disco em questão: o tão esperado Jenny Death.

Descrevamos Jenny Death em termos sónicos, antes de explorarmos toda a estética conceptual do álbum. Este é o disco mais maníaco, caótico, visceral e absolutamente barulhento do catálogo discográfico do trio Californiano. Em Jenny Death habitam influências de hardcore punk, rock and roll, hard rock, rock psicadélico, rock progressivo, noise rock e shoegaze, agregando-se todos estes elementos ao glitch-hop hipnótico, às muralhas sonoras de música industrial e à abordagem experimental ao hip-hop que caracteriza a banda desde o primeiro dia. Em Jenny Death, MC Ride grita, sussurra, berra, ralha, confessa, chora, expressa até não sentir mais nada. Flatlander, versatilmente, fusiona todos os elementos acima enumerados e Zach Hill exerce performances devastadoras que resultam nas sonoridades mais violentas, agressivas e vivas que o kit de Hill já figurou num disco dos Death Grips.

É fácil alienar os Death Grips quando se olha superficialmente para o corpo de prova discográfico do trio. Muitas pessoas que hoje são devotos e obcecados fãs da banda já o fizeram – é muito provável que, de facto, a pessoa que está a ler isto neste preciso momento já o tenha feito – e eu, inclusivamente, também caí no erro de fazer tal coisa. É inevitável: os Death Grips são o tipo de banda que facilmente desorienta qualquer pessoa à primeira impressão, por muito que a mente da pessoa em questão seja altamente recetiva. O coletivo liderado por Zach Hill tem a habilidade de talhar a nossa capacidade racional ao meio e de nos dividir ao inserir no nosso subconsciente a questão: “isto é uma valente cagada ou a coisa mais genial que eu já ouvi na minha mísera, entediante e nunca alterável vida?”. Conseguiram manusear os meus juízos de valor com The Money Store, descoordenaram os meus sentidos com Niggas On The Moon e obliteraram os meus julgamentos com as três evidências musicais liberadas antes do lançamento de Jenny Death: “Inanimate Sensation”, “On GP” e “The Power That B”. E Jenny Death é isso mesmo: o provável disco mais bizarro que a banda já concebeu.

De facto, se Niggas On The Moon foi um exorcismo psicológico do ser humano que é Stefan Burnett – podendo, um exame à mente suicida e perturbada da personagem através de um microscópio infalível com a funcionalidade de nos fazer compreender (ou pelo menos aceitar de braços semi-abertos) a constante contemplação que Burnett exerce perante a sua mortalidade – então Jenny Death é o som de todas as fobias, pestes, demónios e parasitas que habitam a alma de Stefan a encarnarem a sua vida através do pejorar de uma existência meramente física e vagamente psicológica; a sonoridade de todos os hábitos esotéricos de uma mente conturbada a assumirem uma entidade física, conjurando assim a “res cogitans” e a “res extensa” de toda a escuridão que em MC Ride habita.

Jenny Death retrata esotericamente as fases que constituem o processo do tormento de uma mente suicida. Primeira fase: A auto-aversão. “I Break Mirrors With My Face In The United States” é o sucumbir do amor próprio de um ser humano para consigo mesmo a tomar uma forma musical. Ouçamos a natureza a cantar o caos através de letras como “I don’t care about real life”, escutemos a desordem interior do ser humano. Segunda fase: A alienação. Percebemos a importância da primeira arte quando Stefan Burnett, em “Inanimate Sensation”, alega que aprecia mais o seu iPod do que a atividade sexual que concede ao ser humano a capacidade de reprodução que, “a posteriori”, origina a existência de novas gerações. Se a alienação social fosse audível, personificar-se-ia através dos 6 atemorizantes e tormentosos minutos que constituem “Inanimate Sensation”.

Terceira fase: A nulificação da existência / a demência. É em “Turned Off” que assistimos à negação de Stefan perante a sua presença no universo. “I’m turned off like a myth / Can’t look me up, I don’t exist”, nulifica assim o personagem a sua própria vida. Em “Why A Bitch Gotta Lie?”, MC Ride questiona o porquê de coexistir no meio de uma constantemente ramificada sociedade enganosa que subtilmente destrói, corrói e mata pessoas sem ser julgada ou castigada por isso. Sucessivamente, em “Pss Pss”, comunica através da perspetiva de um “voyeur” a assistir à copulação entre um homem e uma mulher, que consequentemente à visualização das imagens dotadas de tanta intimidade e erotismo, se sente enojado, usando várias metáforas fisiológicas em ordem de transmitir a mensagem.

Quarta fase: A obliteração da racionalidade. Em The Powers That B, são enfatizadas a exaustão e a frustração que atormentam MC Ride de tanto esforço exercer ao criticar a sociedade pelos seus hábitos que a MC Ride parecem ridículos, ao ponto de este sentir uma relutante vontade de se juntar ao conjunto de membros constituintes da sociedade que são diariamente e constantemente subjugados e usados pela autoridade, assumindo estes uma existência meramente física. Quinta fase: A desmotivação. Ride não consegue ver algo à sua volta que o faça querer viver uma vida lúcida e produtiva. Em “Centuries of Damn”, MC Ride descreve o quotidiano constituinte da realidade como algo chato, materialístico, nunca inteligível e sem qualquer apelação para com ele. Em “Beyond Alive”, o atormentado personagem descreve tudo o que vê à sua volta ao alegar visões de corpos em cima de corpos, vozes esquizofrénicas do seu subconsciente que exclusivamente comunicam com ele e, finalmente, a escuridão ao fundo do túnel que é a personificação metafísica da morte: Jenny.

Sexta fase: A nota de suicídio e a desintegração do ser humano. É em “On GP” que testemunhamos a destruição do mito que é MC Ride e a revelação do ser humano que dentro deste personagem possuído habita: o sobrevivente, Stefan Burnett. Contempla os diferentes métodos através dos quais pode atingir o término da sua existência, examina todos os ângulos de extremas consequências adjacentes à sua vontade de se auto-nulificar. Pela primeira vez mostra complacência para com aqueles que ama, sublinhando que lamenta o facto de a sua família e amigos nunca terem compreendido nem nunca virem a compreender os motivos que levam Stefan a querer suicidar-se, e proclamando que confiscaria a sua própria vida se não fossem estas pessoas a segurarem a sua mão.

Em “Death Grips 2,0”, somos assombrados por um instrumental repleto de atmosferas sonoras industriais e de trabalhos eletrónicos perturbadores. Não ouvimos mais a voz de Stefan Burnett, nunca conheceremos a sétima fase do processo caótico que constitui Jenny Death e provavelmente nunca mais ouviremos os Death Grips aos quais fomos habituados durante 5 anos. Mas lembremos as últimas palavras de Stefan Burnett:

“I’d be a liar if I sat here claiming I’d exit in a minute, but I can’t say I wouldn’t have my limits”.
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Death Grips - Jenny Death
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