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Destroyer - Have We Met

Review
Destroyer Have We Met | 2020
João Alves 06 de Fevereiro, 2020
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of Montreal - UR FUN

Elliot Moss - A Change in Diet
“I was like the laziest river, a vulture predisposed to eating off floors. No wait, I take that back, I was more like an ocean stuck inside hospital corridors.” A volátil primeira frase de Have We Met introduz-nos desde cedo ao mundo peculiar e em constante evolução de Dan Bejar.

As letras para este décimo segundo álbum foram gravadas à noite na sua bancada de cozinha, enquanto a sua filha de onze anos dormia. O artista descreveu recentemente o seu processo de escrita como tentando cantar a frase menos poética do mundo e depois torná-la bonita. Este efeito colateral de começar longe de onde quer chegar fica agarrado às músicas terminadas, trazendo-lhes um caos e um liricismo mutável, com o seu melhor exemplo em “Raven” (“Just look at the world around you. Actually, no, don’t look”).

A maturidade e desaceleração que se nota ao longo de Have We Met deixa tempo para o detalhe e para o passageiro, como se Bejar se tivesse conformado com o estádio da sua carreira e, citando o último álbum de David Berman, para o qual chegou a gravar diversas sessões: “The need to speed into the lead suddenly declines”.

Aos 47 anos, o vocalista tem mais um ano do que o seu pai quando morreu e traz-nos música difícil de desassociar a uma fase mais avançada e refletida da vida, onde deixa patente a sua experiência (“I know when to hold ‘em, And I know when to leave, I know where to go”), ou quando recorre sem problemas à generalização, como em “Cue Synthesizer” (“Been to America, been to Europe, it’s the same shit”).

Apesar da calma, o novo álbum é mais maximalista e surpreendente que os seus antecessores: “Kinda Dark”, uma das melhores músicas que a banda já assinou, começa com um loop eletrónico que rapidamente passa para segundo plano até se dissipar, dando lugar a uma progressão de dois acordes num piano que toma a ribalta até se lhe juntar uma guitarra, culminando numa súbita e disruptiva distorção que desaparece tão imediatamente quanto tinha aparecido.

Na mesma medida, a música que se lhe segue, “It Just Doesn’t Happen”, começa com um sintetizador quasi-pop possante que se desvanece, e quando volta vem acompanhado de uma guitarra e bateria que o sustentam, que o elevam.

Esta crença na reiteração, no reforçar dos sons e dos motivos, que sempre esteve patente na música de Destroyer, está mais sofisticada, a começar na instrumentalização, com as notas emparelhadas de piano no início de “Crimson Tide” ou o riff de guitarra recorrente de “Cue Synthesizer”. Mas esta necessidade de repetir nota-se, acima de tudo, nas letras, onde parece que por vezes só está satisfeito quando a frase é proferida tantas vezes que se torna numa verdade absoluta. As primeiras quatro músicas terminam com Bejar a repetir incansavelmente as palavras que formam os seus títulos.

Em “University Hill”, cujo nome vem da zona em que vivia na sua infância em Vancouver, alterna com uma voz feminina (“Come on, University Hill, It’s Called Love”), similarmente ao que tinha feito em “Chinatown”, single do seu mais prestigioso álbum Kaputt.

A produção assinada pelo membro dos New Pornographers e intermitente de Destroyer, John Collins, foi começada por Bejar exclusivamente com o seu computador, rompendo com o habitual processo de criação conjunta da banda.

Dan Bejar prova que a idade é de facto só um número, visto que o efeito de fake drums, como se lhes refere em “Cue Synthesizer”, os adornos flagrantemente digitais no fundo de “Television Music Supervisor” e tantos outros momentos prodigiosos em pequena ou maior escala ao longo da obra vêm vestir a belíssima harmonização, que assente em melodias cativantes e escolhas criativas audazes, torna Have We Met no álbum mais ambicioso e detalhado da banda até agora.
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