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F.P.M. - Já Estou Farto

Review
F.P.M. Já Estou Farto | 2016
Diogo Alexandre 05 de Abril, 2016
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Os F.P.M. (sigla para Feio, Porco e Mau) são uma banda de Lisboa que se divide entre Amadora e Alvalade, ou seja, da periferia para o centro, visto que apesar do baterista carregar o peso do nome “Ribas” (“o rei de Alvalade”, como lhe chamou, e quem somos nós para questionar) ao peito (ou nas mãos), é a zona mais afastada do metropolitano de Lisboa que leva a melhor por 3-2, numa ran à melhor de cinco. Nada que comprometa seriamente as ambições musicais nem a música, propriamente dita, deste grupo que acaba de se estrear no passado mês de fevereiro com Já Estou Farto, o seu primeiro longa-duração, lançado com selo Infected Records, editora já algo estabelecida dentro da “cena” punk nacional e que já ultrapassou, por larga margem, a meia centena de edições, sendo esta a sua septuagésima nona.

Introdução feita, partamos então para a descrição da obra per se e não há melhor maneira de começar dizendo que quando este disco nos chegou à mesa, por assim dizer, ficámos bastante surpreendidos pela sinceridade e qualidade (porque não?) de um álbum de estreia de uma banda cuja qual nunca tínhamos ouvido falar anteriormente.

Já Estou Farto foi-nos apresentado pelo seu single, versão homónima do tema ao vivo dos Ku De Judas, única e exclusivamente presente na compilação Vozes Da Raiva, lançada nos já longínquos idos de 1996 (há precisamente 20 anos, para quem não quer estar a fazer contas). Um single bem mais “pesado” com direito a solo de guitarra e tudo, que contou com a participação de João Pedro Almendra (dos próprios Ku De Judas) e de Ruka (dos Tara Perdida). Apesar da boa versão de apresentação, em jeito de homenagem, com direito a presença de duas personagens ímpares do universo punk português, desenganem-se aqueles que pensem que a banda é só isto, pois não é. Se fosse, não vos estava a escrever neste preciso momento, pois não temos por hábito elaborar recensões críticas a bandas de covers (ou de versões, como queiram).

Os F.P.M. mostram-nos como é possível (dentro dos seus limites enquanto banda estreante) fazer punk hardcore sem cair nos clichés típicos que inundam o género, atualmente, sem se afastarem muito da sua sonoridade matriz, com letras efusivas, interventivas e algo motivadoras, como o Punk assim pede. Algo visível desde a primeira à última das nove canções deste álbum. O disco conta com uma muito boa coesão sonora, existindo as variações necessárias (incluindo uma faixa instrumental) para que a obra não se desgaste na cabeça do ouvinte, mantendo o “power” ao longo dos temas, e sendo esta suficientemente curta para que este o inicie numa segunda rodagem.

A destacar estão as canções “Ordem De Despejo” e “Pelas Ruas”, curiosamente, duas canções que surgem de seguida (faixas 04 e 05, respectivamente). A primeira das quais abre com as palavras de ordem “Mata mais uma caneta de um político corrupto do que uma metralhadora nas mãos de um terrorista” proferidas por uma senhora de idade, ao mesmo tempo que se inicia a introdução mais melódica do álbum, fazendo-nos pensar sobre o que foi dito com algum nível de seriedade e melancolia para depois nos concentrarmos na história contada por Diogo, vocalista de banda, que vai intercalando os gritos com a sua voz regular, não só neste tema como ao longo de todo o disco. Algo que achámos particularmente interessante, visível logo em “Chance”, tema de abertura do registo. A Segunda (“Pelas Ruas”) é talvez o hino e a canção mais orelhuda destes F.P.M., pois à terceira audição já (eu) sabia e cantava o refrão de cor (“Entre nós nunca estamos só, entre nós nunca ficamos sós, são estas ruas que nos fazem gritar”). Uma faixa que mostra uma abordagem mais simples/mais popular por parte da banda e que tem tudo para resultar bem ao vivo e para meter uma boa quantidade de pessoas a cantar. “Eu cravei o meu nome em teu segredo” é a última frase de “Contrastes” e é assim, de forma bruta e gingona, que termina o disco. Meia-hora certas que nos acompanharão muitas mais vezes ao longo, não só deste ano, como dos próximos.

Os F.P.M. não agitam radicalmente a mesa nem saltam para fora do barco, mantêm-se firmes no seu canto, marcando o seu território, experimentando e dando os “primeiros” passos na sua música enquanto colectivo (visto quase todos os membros terem tido outras bandas), sem pressas e com uma mensagem a passar. Não têm pretensões em ser os campeões da inovação musical, mas trazem sangue novo (e alguma novidade) para dentro do movimento em que se inserem e é isso que é importante reter, afinal de contas. Sem dúvida, uma boa estreia de uma banda que se vai revelando como uma jovem promessa do punk português.

 
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