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Galgo apresenta Parte Chão
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The Twist Connection
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Revolution Within + Infraktor
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Selma Uamusse
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Abaixo Cu Sistema - The SYSTEM OF A DOWN Tribute
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The LAST Internationale
15 Years Of Yellow Stripe
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Fleet Foxes - Shore

Review
Fleet Foxes Shore | 2020
João Alves 27 de Setembro, 2020
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Em 2017, enquanto fazia surf na Califórnia, o espírito criativo de Fleet Foxes foi derrubado por uma onda longe da praia e, submerso pela corrente, chegou a achar que não sairia da água com vida. Quando eventualmente chegou à costa prometeu a si mesmo que, para além do nome do álbum estar definido, este emanaria leveza, seria rejubilante.

No primeiro dia do equinócio de outono, três anos mais tarde (metade do tempo que tivemos de esperar pelo sucessor de Helplessness Blues), Robin manteve-se fiel à sua promessa e traz-nos Shore, uma experiência musical espaçosa, luminosa e muito mais acessível que Crack-Up; apesar do registo mais sombrio e da tonalidade mais opaca deste último estarem ausentes, Shore continua a contar as suas histórias no meio de uma instrumentalização audaz e entrelaçada.

Tendo tido tão presente a fugacidade da vida, os temas do quarto álbum da banda prendem-se muito com a gratidão. Gratidão por mais um dia: “And with love and hate in the balance / One last way past the malice / One warm day is all I really need”, ouve-se em “Featherweight”.  Gratidão pelo amor: “Have a true love, more than just an outline / Never failed us, even losing daylight”, canta em “Thymia”.

Porém, o maior agradecimento ou reconhecimento aparece direcionado aos artistas que já partiram (alguns ainda este ano) e que inspiraram e moldaram a música de Pecknold. “For Richard Swift / For John and Bill / For every gift lifted far before its will / Judee and Smith / For Berman too”, declara na dinâmica e inspiradora ode “Sunblind”.

 O clímax vem com “Quiet Air / Gioia”, que acarta a responsabilidade de interlúdio, numa prática que se tornou numa tradição nos álbuns da banda com “The Shrine / An Argument” ou “Third of May / Ōdaigahara”. Uma guitarra solta, uma percussão possante e uma “layerização” dos vocais montam num crescendo que culmina num riff de baixo intercalado com a voz de Pecknold, que denota as influências do seu pai que tocava o instrumento profissionalmente.

A nível do instrumental, dá-se também o regresso aos coros quentes a que nos habituou desde Sun Giant (“For a Week or Two”), às guitarras dinâmicas e reverberantes (Maestranza”), aos instrumentos de sopro (A Long Way Past the Past”) e ao ocasional piano (Shore”). Mas a juntar à presença dos elementos que compõem a sonoridade inconfundível de um dos pioneiros do indie folk, há também novas iniciativas que contribuem para o tom resplandecente de Shore. Em Can I Believe You”, o líder criativo do grupo pediu, através da sua conta de Instagram, contribuições de canto aos seus seguidores para uma melodia que exemplificou. Ora, foram mais de 450 os ficheiros recebidos e que Beatriz Artola, a engenheira de som do álbum, teve de filtrar para obter a esperançosa e harmoniosa secção que começa a música. Estes inícios inventivos continuam com Featherweight”, onde surge um dueto dedilhado de guitarras, relembrando um registo mais clássico.

Há um sentimento de comunidade ao longo do álbum, pois estar vivo não é viver, e muito do que experienciamos é ampliado ou reforçado pelas pessoas com quem partilhamos esta frágil existência. É coerente então que a primeira voz que se oiça no álbum, na inocente e rogativa Wading in Waist-High Water”, não seja a de Pecknold mas a de Uwade Akhere (que também aparece em Can I Believe You” e Shore”). Em Jara”, que deve o nome ao ativista chileno, a voz de Meara O’Reilly é utilizada em hoquetus e é com português que termina a meditativa e solarenga Going-to-the-Sun Road”, por Tim Bernardes, o cantor brasileiro amigo do vocalista.

Shore é uma obra aconchegante que preza a existência sem ser desprovida de preocupações e dúvidas. É lá que a água se encontra com a terra e de onde se pode apreciar a beleza do oceano, a sua força, a cautela que as ondas inspiram. Uma onda pode cruzar milhares de quilómetros antes de permitir que um surfista a percorra. Tem a capacidade de nos relembrar da nossa mortalidade, mas de uma forma colateral, passageira.

Agora, podemos escolher ficar em terra, conformados aos nossos medos, secos e incólumes, mas isso seria deixar demasiado da vida por experienciar. Robin sabe isto demasiado bem e admite, por fim, na música que dá o título a este seu memorável quarto álbum: “Afraid of the empty / But too safe on the shore / And ‘fore I forget me / I want to record”.

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