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Foxygen - Hang

Review
Foxygen Hang | 2017
João Rocha 26 de Janeiro, 2017
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Distam de 2014 apenas três anos, mas tempo suficiente e agressivamente acelerado no que toca às mudanças que ocorreram um pouco por todo o planeta. Também este intervalo temporal afasta os Foxygen da aparente crispação interna criativa e de destaque de onde resulta um álbum de mera tentativa existencial. (...And Star Power), duma era encabeçada e curiosamente anti-representada pela sombra Trump, que despertou na banda americana o clique criativo, irreverente e de certa forma juvenil com o qual conquistaram o público um pouco por todo o mundo.

Três anos permitiram a Jonathan Rado apurar-se num álbum a solo e diversificar-se (sim, ainda mais) com a produção de outras bandas, como foi o caso do aclamado Light Upon the Lake dos Whitney. Traz a experiência para os Foxygen e fazem o seu regresso, da forma mais americana possível: massivamente! Auxiliados pela mente transbordante de Steven Drozd dos Flaming Lips, e acompanhados por uma banda de quarenta elementos, liderada pela genialidade do messias folk Matthew E. White, montam uma peça digna de uma boa parada pintada a azul branco e vermelho. Isto acontece num ano onde se consagra o espectáculo enquanto força motora social, capaz de controlar ciências que há muito fugiam ao controle do homem, como a Política e a Economia. Bastião da cultura ocidental (e também do progressismo social, ao empurrão do êxtase Obama), basta olhar para o que se passa nos EUA, para ver os efeitos que o entretenimento consegue produzir, daí a data de lançamento do álbum coincidir com a tomada de posse do novo Presidente. É neste contexto de depressiva festividade que surge “Hang”, o quinto álbum do duo americano, e seja ele produto ou reacção da actual situação, “long short story” este é uma das respostas mais sagazes e à altura da situação.

A mestria sucede-se com a capacidade de Sam France e companhia, têm em criar um universo paralelo e dissimulado entre o que é do coração e o que é do estado da Nação, entre o que é um acto de patriotismo e o que é um acto de pura ironia. “America” transpira tons burlescos franceses (alusão à Estátua da Liberdade?!) e batalha entre o kitsch e a agressão até concluir que “If you're already there/ Then you're already dead” apontando o dedo da culpa ao egocentrismo de cada um. “Follow the Leader” é apenas o início de uma longa procissão de Canções com “C” maiúsculo, onde a orquestração se demonstra logo patriótica, mas diversificada. Não é à toa que em seguida, os Foxygen movem a mítica ilha da lenda Arturiana de “Avalon”, para um típico saloon do Faroeste, até ele rapidamente esbarrar em “Waterlloo” dos ABBA. Esta aliteração musical é um dos pontos altos, mas também a grande falha deste novo álbum. As orquestrações e variações estilísticas apesar de soarem imponentes, divertidas, grande parte das vezes soam massivas de mais, confusas, escapando-lhes o elo de ligação entre o que é a identidade musical da banda e o que é todo este aglomerado de músicos. No entanto há excepções, que por sua vez roçam a perfeição, como é o caso de “Mr. Adams” onde conseguimos obter todo o poder e capacidade da orquestra em perfeita comunhão com o duo Norte Americano. “Upon the Hill” é outro dos pontos altos do álbum, onde com um jeito bem cartoonesco puxam a veia mais psicadélica e libertina que nos deram a conhecer em tempos de Take the Kids Off Broadway.

“Hang” é uma peça em oito actos, cada um deles distintos, mas todos eles coesos entre si. Não se trata de um álbum político ou activista a tentar abordar os temas basais de sempre: amor, perda, desilusão e a inegável morte. Pelo contrário trata-se de um álbum de sempre, ordinário na sua génese conceptual como tantos outros, a revestir-se de clichés actuais para se tornar único, e é este aspecto que faz dele um trabalho criativo tão bem sucedido. Um exercício de reflexão em jeito de festa que não esquece os tempos em que vive, e que consegue vestir a quem o ouve um fato carregado de ironia, onde a imaginação rapidamente se sente como um activista ecológico se sentiria ao assistir ao delírio de um público em ovação perante uma corrida de motores Prius inseridos e disfarçados de carros no NASCAR.

Nota: O autor usa o antigo acordo ortográfico.
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