23
TER
24
QUA
25
QUI
26
SEX
27
SAB
28
DOM
29
SEG
30
TER
31
QUA
1
QUI
2
SEX
3
SAB
4
DOM
5
SEG
6
TER
7
QUA
8
QUI
9
SEX
10
SAB
11
DOM
12
SEG
13
TER
14
QUA
15
QUI
16
SEX
17
SAB
18
DOM
19
SEG
20
TER
21
QUA
22
QUI
23
SEX

Frank Ocean – Blonde

Review
Frank Ocean Blonde | 2016
Ângela Santos 17 de Dezembro, 2016
Partilhar no Facebook Partilhar no Google+ Partilhar no Twitter Partilhar no Tumblr

The Dear Hunter - Act V: Hymns With The Devil In Confessional

Wilco – Schmilco
[img=http://www.wavmagazine.net/wp-content/uploads/2016/12/5f06f7f6.jpg][titulo=Frank Ocean][album=Blonde | 2016][pontuacao=8.0][musica=spotify:album:3mH6qwIy9crq0I9YQbOuDf]

 

Depois de inúmeros falsos alarmes, falsas esperanças e provocações, Frank Ocean finalmente lançou o seu tão aguardado segundo trabalho, Blonde, precedido pelo álbum visual Endless. E é seguro dizer que o príncipe do R&B alternativo voltou forte e feio, puxando (ainda mais) o envelope no que toca a experiências com o género, criando um álbum minimalista, contudo, cheio de emoções intensas e profundas e recheado de beleza enigmática.

Fruto de uma vida entre a Califórnia e o Louisiana, Frank Ocean (nascido Christopher Edwin Breaux) nunca soube fazer mais nada a não ser música. Após o Furacão Katrina, em 2005, debruçou-se sobre a indústria musical de Los Angeles, escrevendo para artistas como Beyoncé, John Legend e Justin Bieber, algo que mais tarde o levou a assinar com a Def Jam Recordings como artista. Volvidos onze anos, tem no currículo uma mixtape e um álbum, ambos bastante aclamados tanto pela crítica como pelo público, e algumas colaborações de peso com outros artistas.

E depois das obras primas que foram Channel ORANGE e Nostalgia, ultra, a fasquia estava bastante alta para Ocean. Pressão dos críticos, dos media, dos fãs e do público em geral transformaram esta antecipação num espetáculo que durou quatro anos. Mas é mais que garantido que a espera valeu a pena. Blonde é Frank Ocean no seu mais puro ser. E os anos que ele demorou a construir esta obra foram necessários, senão não teríamos acesso às angústias, amores e memórias de Ocean.

Este Blonde foge à prática comum que é usar demasiados produtores, estando repleto de canções intimistas, contendo simples notas de piano, guitarras elétricas e acústicas sobre sintetizadores e arranjos de cordas. E ao adicionarmos a voz de Ocean a este cocktail, este álbum transforma-se numa obra quase, senão mesmo, perfeita de R&B minimalista. Talvez, o mais interessante, seja o facto de as colaborações com nomes como Beyoncé, Kendrick Lamar e Andre 3000 não serem uma distração do produto fulcral de Blonde. Eles estão presentes, dando um pouco de corpo e alma às músicas, mas não absorvem a essência delas. Essa, ainda pertence a Ocean e dificilmente se consegue fugir a isso.

Claro que Ocean não mostra as páginas do seu diário assim, sem mais nem menos. Por isso, desengane-se quem acha que o consegue decifrar à primeira audição. Contudo, ainda estão lá os elementos que fazem de Frank Ocean quem ele é. As suas experiências pessoais continuam a ser o que alimenta as suas músicas e a conclusão que podemos retirar é que Ocean amadureceu ao longo destes anos.

O primeiro single, “Nikes” é o primeiro impacto que se tem com Blonde. É o típico “estranha-se, mas depois entranha-se”, que mesmo envolto em auto-tune, cativa depressa o ouvinte. Abre, então, as portas ao diário de Frank Ocean. “Ivy” fala diretamente do coração, sendo o fruto sincero do fim de uma relação que apesar de ter sido uma montanha russa, foi boa (“I broke your heart last week / You’ll probably feel better by the weekend”).

Mas as declarações não param por aqui. “Self Control” é uma das canções de amor mais sinceras e frágeis que Ocean alguma vez compôs. A sua voz acompanhada de guitarra elétrica e de cordas, transporta o ouvinte para o lado cinematográfico da história da canção. E Blonde não é só sobre amor. As drogas estão presentes à sua volta (“Skyline To”), a família ainda é importante na sua vida (“Futura Free”), e a sua mente está repleta de interrogações e confusões e “Siegfried” é um espelho disso, sendo uma das canções mais introspetivas presentes no álbum (Been living in an idea / An idea from another man's mind / Maybe I'm a fool / To settle for a place with some nice views”).  Mas, o coração deste californiano também está recheado de alegria e “Pink + White” é o exemplo perfeito disso, em que Ocean visita as memórias da sua adolescência feliz, com uma pequena ajuda da Beyoncé.

Frank Ocean tem o dom de transformar as pessoas em românticos incuráveis, defensores dos direitos humanos e em filósofos da madrugada. E Blonde é, sem dúvida, um trabalho avant-garde em que, mais uma vez, Ocean não tem medo de mostrar o que sente e o que pensa.
por
em Reviews

Frank Ocean – Blonde
Queres receber novidades?
Comentários
http://www.MOTORdoctor.PT
Contactos
WAV | 2019
Facebook WAV Twitter WAV Youtube WAV Flickr WAV RSS WAV
Queres receber novidades?