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Frank Ocean – Blonde

Frank Ocean

Blonde | 2016

PONTUAÇÃO:

8.0

 

 

 

Depois de inúmeros falsos alarmes, falsas esperanças e provocações, Frank Ocean finalmente lançou o seu tão aguardado segundo trabalho, Blonde, precedido pelo álbum visual Endless. E é seguro dizer que o príncipe do R&B alternativo voltou forte e feio, puxando (ainda mais) o envelope no que toca a experiências com o género, criando um álbum minimalista, contudo, cheio de emoções intensas e profundas e recheado de beleza enigmática.

Fruto de uma vida entre a Califórnia e o Louisiana, Frank Ocean (nascido Christopher Edwin Breaux) nunca soube fazer mais nada a não ser música. Após o Furacão Katrina, em 2005, debruçou-se sobre a indústria musical de Los Angeles, escrevendo para artistas como Beyoncé, John Legend e Justin Bieber, algo que mais tarde o levou a assinar com a Def Jam Recordings como artista. Volvidos onze anos, tem no currículo uma mixtape e um álbum, ambos bastante aclamados tanto pela crítica como pelo público, e algumas colaborações de peso com outros artistas.

E depois das obras primas que foram Channel ORANGE e Nostalgia, ultra, a fasquia estava bastante alta para Ocean. Pressão dos críticos, dos media, dos fãs e do público em geral transformaram esta antecipação num espetáculo que durou quatro anos. Mas é mais que garantido que a espera valeu a pena. Blonde é Frank Ocean no seu mais puro ser. E os anos que ele demorou a construir esta obra foram necessários, senão não teríamos acesso às angústias, amores e memórias de Ocean.

Este Blonde foge à prática comum que é usar demasiados produtores, estando repleto de canções intimistas, contendo simples notas de piano, guitarras elétricas e acústicas sobre sintetizadores e arranjos de cordas. E ao adicionarmos a voz de Ocean a este cocktail, este álbum transforma-se numa obra quase, senão mesmo, perfeita de R&B minimalista. Talvez, o mais interessante, seja o facto de as colaborações com nomes como Beyoncé, Kendrick Lamar e Andre 3000 não serem uma distração do produto fulcral de Blonde. Eles estão presentes, dando um pouco de corpo e alma às músicas, mas não absorvem a essência delas. Essa, ainda pertence a Ocean e dificilmente se consegue fugir a isso.

Claro que Ocean não mostra as páginas do seu diário assim, sem mais nem menos. Por isso, desengane-se quem acha que o consegue decifrar à primeira audição. Contudo, ainda estão lá os elementos que fazem de Frank Ocean quem ele é. As suas experiências pessoais continuam a ser o que alimenta as suas músicas e a conclusão que podemos retirar é que Ocean amadureceu ao longo destes anos.

O primeiro single, “Nikes” é o primeiro impacto que se tem com Blonde. É o típico “estranha-se, mas depois entranha-se”, que mesmo envolto em auto-tune, cativa depressa o ouvinte. Abre, então, as portas ao diário de Frank Ocean. “Ivy” fala diretamente do coração, sendo o fruto sincero do fim de uma relação que apesar de ter sido uma montanha russa, foi boa (“I broke your heart last week / You’ll probably feel better by the weekend”).

Mas as declarações não param por aqui. “Self Control” é uma das canções de amor mais sinceras e frágeis que Ocean alguma vez compôs. A sua voz acompanhada de guitarra elétrica e de cordas, transporta o ouvinte para o lado cinematográfico da história da canção. E Blonde não é só sobre amor. As drogas estão presentes à sua volta (“Skyline To”), a família ainda é importante na sua vida (“Futura Free”), e a sua mente está repleta de interrogações e confusões e “Siegfried” é um espelho disso, sendo uma das canções mais introspetivas presentes no álbum (Been living in an idea / An idea from another man’s mind / Maybe I’m a fool / To settle for a place with some nice views”).  Mas, o coração deste californiano também está recheado de alegria e “Pink + White” é o exemplo perfeito disso, em que Ocean visita as memórias da sua adolescência feliz, com uma pequena ajuda da Beyoncé.

Frank Ocean tem o dom de transformar as pessoas em românticos incuráveis, defensores dos direitos humanos e em filósofos da madrugada. E Blonde é, sem dúvida, um trabalho avant-garde em que, mais uma vez, Ocean não tem medo de mostrar o que sente e o que pensa.

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Por Ângela Santos / 17 Dezembro, 2016

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