13
DOM
14
SEG
15
TER
16
QUA
17
QUI
18
SEX
19
SAB
20
DOM
21
SEG
22
TER
23
QUA
24
QUI
25
SEX
26
SAB
27
DOM
28
SEG
29
TER
30
QUA
31
QUI
1
SEX
2
SAB
3
DOM
4
SEG
5
TER
6
QUA
7
QUI
8
SEX
9
SAB
10
DOM
11
SEG
12
TER
13
QUA

Full of Hell - Weeping Choir

Review
Full of Hell Weeping Choir | 2019
João "Mislow" Almeida 23 de Maio, 2019
Partilhar no Facebook Partilhar no Google+ Partilhar no Twitter Partilhar no Tumblr

Sinkane - Dépaysé

Alex Lahey - The Best of Luck Club
É preciso viver-se debaixo de uma pedra para poder ignorar esta banda. Só este ano, Full of Hell cumprem dez anos de carreira, e apesar de parecer muito, o quarteto é ainda bastante jovem para uma década. A este ponto, seria expectável ver a juventude a pesar o desleixo e a preguiça, mas a banda não é assim. São exatamente o contrário, workaholics puros. Desde que se juntaram, contam com quatro discos a solo, uma extensão de projetos colaborativos com The Body e Merzbow, uma mão cheia de splits, entre os quais com Code Orange Kids, Psywarfare e Nails, tal como uma imensidão de noise tapes e EPs. O ciclo da banda é continuamente firmado em compor, lançar, tocar, colaborar, tocar de novo e assim sucessivamente. É irónico como um ciclo tão mecânico é fomentado pela mais extensa lista de editoras que por aí se vê. Até agora, já colaboraram com a A389, Profound Lore, Thrill Jockey, Neurot, e nos dias de hoje consignam-se ao seu quarto disco, pela massiva Relapse Records.

É difícil colocar esta banda numa só gaveta. Começaram com blackened hardcore e eventualmente transitaram para o caos absoluto. Hoje em dia, podemos perfeitamente “classificá-los” como grindcore, death metal, powerviolence e muito mais. Dito isto, não há nada de redundante no som do coletivo, e não bastando, este é muito leal à ética de trabalho que até aqui tem sido estabelecida. Weeping Choir é a nova contribuição dos americanos. Sendo esta uma “sister release” do seu antecessor Trumpeting Ecstasy, conta também com Kurt Ballou na produção, Brad Boatright a masterizar e Mark McCoy a ilustrar a capa do álbum. O resultado final tem de ser tão bom, senão melhor, como o seu antecessor. Mas é excecionalmente melhor.

Segundo Dylan, Kurt puxou muito mais pela banda nesta volta do que na anterior. Com o guitarrista de Converge a almejar perfeição, este viu-se, muitas vezes, a insistir em sucessivas tentativas para tentar tirar o melhor de cada um em estúdio. O produto é evidentemente esmagador. As faixas mais curtas e rápidas, como a primeira “Burning Myrrh”, seguida pela “Haunted Arches”, ilustram perfeitamente o quão exaustivo deve ter sido consegui-las nas gravações. Outras faixas como a abrasiva “Downward”, “Silmaril” ou “Ygramul The Many” compilam uma mão cheia de malhas que, apesar de seguirem um layout bastante frontal, com blast beats e progressões muito aceleradas, não deixam de impressionar com os seus riffs estupidamente bem escritos.

O retorno do noise tornou-se fulcral no disco. Mesmo que este se reduza ao panorama atmosférico, muitas vezes servindo como um rugido mecânico ou estática, é ele que entrelaça as faixas num fio condutor. O interlúdio “Rainbow Coil” é prova disso, pois este liga duas faixas completamente diferentes sem que haja uma perda de coerência e coesão entre estas. A massiva “Thundering Hammers” pronuncia-se como uma ode a Morbid Angel e Immolation, com riffs lamacentos e um arrastar sujo e desnorteado. Na outra extremidade, está o assalto em forma de trauma contundente de “Aria of Jeweled Tears”, com vocais e hidráulica pressurizada por Limbs Bin.

Até aqui, facilmente se ganha uma dimensão de grandeza com a densidade e o sufoco da instrumentalização de uma música atrás da outra. No entanto, há duas músicas em concreto que elevam a banda por novos e destemidos terrenos. Uma delas é “Angels Gather Here”, que vê o baixo e a batida a “transformar” a atmosfera num desbaste industrial. Mesmo tendo uma base mais eletrónica, os berros sangrentos de Dylan não abandonam nem abrandam. O que acabou por relembrar um pouco de Author & Punisher, mas com uma entoação mais visceral e com destemido exagero.

A outra é “Armory of Obsidian Glass”. Inquestionavelmente uma das mais fortes e estridentes músicas que Full of Hell já compôs até hoje. Alcançando quase sete minutos de reprodução, esta conta com a participação de Lingua Ignota a projetar cantos litúrgicos, ao som de uma abismal queda num vórtice de vácuo humano. Os riffs são melódicos, a par do timbre de Kristin, e a atmosfera parece percorrer artérias que, até aqui, nunca tinham sido exploradas pelo quarteto. A funcionalidade é exímia, mas toda a química entre a banda e a convidada brinda esta faixa como o opus magnum da carreira de dez anos da banda.

Apesar do seu claro crescimento, o grupo nunca escondeu as suas influências e admirações. Na verdade, estes sempre se mantiveram humildes aquando da partilha de palco com nomes como Dropdead, Demilich, Immolation, Pig Destroyer e tantos outros. Inegavelmente, todas as suas contribuições os têm colocado num escalão isolado na música extrema. Com Weeping Choir, essa posição mantém-se gloriosamente cimentada e sem paralelos. Sem grandes rivais, aqui se ergue o maior candidato a álbum do ano no espectro da música extrema.
por
em Reviews

Full of Hell - Weeping Choir
Queres receber novidades?
Comentários
http://www.MOTORdoctor.PT
Contactos
WAV | 2019
Facebook WAV Twitter WAV Youtube WAV Flickr WAV RSS WAV
Queres receber novidades?