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Ghost Bath - Moonlover

Review
Ghost Bath Moonlover | 2015
Francisco Silva 19 de Março, 2015
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O metal é muito provavelmente o género musical que tem mais micro géneros dentro dos seus múltiplos sub géneros. É demasiado fácil perdermo-nos na árvore onde as pequenas ramificações parecem não ter fim. Mas, no entanto, essa é precisamente uma das razões que faz dele um género apelativo em primeiro lugar. Pelo menos para mim.

Pelos dias que correm, ao contrário do que acontece noutros sub géneros, como o Doom, o Black Metal é aquele que tem oferecido uma maior panóplia de experimentação e de diversificação. A introdução de influências de post-punk ou de shoegaze são cada vez mais comuns e bandas como os Deafheaven, com Sunbather (álbum revi aqui) ou Black Monolith com The Passenger puseram a fasquia muito alta para posteriores igualarem. Finalmente uma resposta! Não deixa de ser uma resposta irónica, uma vez que este álbum se intitula Moonlover e tem faixas de nomes “Happyhouse” ou “Beneath the Shade Tree”. A associação ao álbum dos Deafheaven intitulado Sunbather, com músicas de nome “Dreamhouse” ou “The Pecan Tree”, parece lógica e deixa no ar a pergunta: Até que ponto é que isto não é mesmo uma resposta explícita ao desafio lançado em 2013 pelos Deafheaven?

Bem, mas vamos ao que interessa. A acenar da China - há rumores que isto não passa marketing e que afinal eles são de North Dakota - Ghost Bath é um projeto de Black Metal Atmosférico. Este projeto anónimo chegou-me aos ouvidos pela primeira vez em 2013 com o lançamento do seu primeiro álbum de longa duração intitulado Funeral. Já nesse ano, Ghost Bath liderava, de longe, o micro género que muitos gostam de aclamar Depressive Black Metal. O meu único problema com esse álbum foi só mesmo achar que a sua ambição não justificava a sua duração - o álbum ultrapassa a hora de duração - porque de resto, achei um álbum bem escrito e muitíssimo bem executado. Depois de ouvir o EP antecessor de Funeral, apesar de ter qualidade, achei que o primeiro longa-duração seria o ponto alto das suas carreiras musicais mas enganei-me. Redondamente. Esta é a prova.

Em Moonlover, Ghost Bath abandona o Depressive Black Metal e abraça aquilo que a que muitos chamam de Blackgaze. Já em 2015, o single “Golden Number” apanhou todos de surpresa e criou muita expectativa para aquilo que seria o resto álbum. Pode-se finalmente dizer que essa expectativa foi correspondida com o lançamento do resto do álbum.

O álbum começa com uma música de minuto e vinte e cinco segundos chamada “The Sleeping Fields”, um dedelhado atmosférico tocado que serve de aquecimento para “Golden Number”, aquela que, na minha opinião, é a segunda melhor faixa de todo o álbum. A intro aparece com um riff fantástico, e ao fim de vinte segundos, começa a primeira sessão de blast com vocais incrivelmente poderosos e desesperantes. Consegue-se perceber nesse segundo que será uma música épica. E é. Somos agarrados pela garganta e a banda nunca mais nos larga. A introdução constante de camadas nos riffs e a variação entre partes em tons altos e baixos faz com que o interesse na música nunca se perca, acabando numa belíssima peça de piano que dura dois minutos.

Segue-se a minha música preferida do álbum, “Happyhouse”. Algumas influências mais sludgy e aqui, ao contrário do que acontece em “The Golden Number”, toda a música é escrita à volta dos vocais, que ainda são mais poderosos do que na anterior. A música é tocada tão intensamente, sobretudo a partir da segunda secção, que mais uma vez é impossível perder o interesse nela, com o tom dos vocais sempre a irem acompanhando o tom das guitarras até explodir neste solo extraordinário solo antes da última secção. A música tem este som importado do Sludge mas depois, quando os vocais aparecem, percebe-se que são os Ghost Bath na mesma, com os seus vocais que fizeram deles a banda mais importante em Depressive Black Metal. Isto é talento, engenho e trabalho.

Em relação às restantes músicas, são dignas de figurarem e comporem este álbum. “Beneath the Shade Tree”, acaba por ser das músicas que menos me dizem, ainda assim é um dedilhado bem composto que converge para uma espécie de solo num tom mais influenciado pelo Shoegaze e com harmónicas por trás. Depois temos “The Silver Flower”, parte 1 e 2. A primeira parte, é uma espécie de Drone com field recordings de sons da natureza e flutua muitíssimo bem para a parte 2, essa sim, mais agressiva, rápida e implacável. Nesta parte 2, a produção é muito mais direcionada para os instrumentais, com o gurial dos vocais a aparecer por trás e com a guitarra a ter ainda mais destaque sobretudo na primeira parte da música, onde a banda usa a mesma fórmula de tocar e de construir músicas.

Mais nenhuma me deixou de queixo no chão, com a cabeça a viajar ou com os ouvidos a arder, como “Happyhouse” ou “Golden Number”, no entanto, a última faixa, “Death and the Maiden” é ainda assim uma música que também ela está extremamente bem escrita e onde a chord progression está arrepiante. A produção aqui é menos detalhada e atmosférica o que faz da música mais caótica. É uma pena não termos muitas informações acerca do processo de escrita da banda porque não só gostava de perceber o que os influencia mas como também fazem música.

É, na minha opinião, o melhor lançamento na esfera Metal até ao momento. Ainda assim é acessível o suficiente para chegar a um público mais abrangente. A atenção ao detalhe e a qualidade de trabalho fazem do álbum um must para quem é fã do género.
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em Reviews

Ghost Bath - Moonlover
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