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Ghost Iris – Blind World

Ghost Iris

Blind World | 2017

PONTUAÇÃO:

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Anunciando-se como “the most streamed Danish metal act of 2016”, os Ghost Iris contam já com três anos de existência e dois álbuns de estúdio. O mais recente trabalho do quarteto, Blind World, lançado a 17 de Fevereiro deste ano, apresenta-se com dez faixas que se situam num limbo entre o tech-metal e o djent, amparadas por uma produção brilhante e apurada. O sucessor de Anecdotes Of Science & Soul, lançado pela editora Long Branch Records, dá continuidade ao estilo e formato da temática composicional da banda, não contrastando com nenhuma mudança drástica no fio condutor musical de sempre, para além de, talvez, um ligeiro incremento de “groovalhada” e “funkice”.

É claramente um trabalho djent. Fãs de Periphery, Tesseract e Monuments não ficarão certamente desapontados (por outro lado, não encontrarão nada que os motive a saltar da cadeira e correr a gritar ao mundo a maravilha que são as guitarras com mais cordas do que a norma). Ritmos sincopados, breakdowns e tappings, vozes guturais graves e agudas, refrões limpos e cativantes: a fórmula é a mesma, tem sido “vencedora”, e há quem alegue que nessas não se deve mexer.

Os cerca de 37 minutos do disco abrem com “Gods Of Neglect”. Crescendo inicial de um riff clean em tapping que se transfigura rapidamente em peso, com a tarola da bateria de Sebastian Linnet pautada por acentuações epiléticas. A voz mantém-se “growlesca” ao longo de todo o tema, alternando entre o berro e o guincho, transmitindo desde o início todo o poder e força que o álbum tem para oferecer.

A segunda faixa, “Save Yourself” é o clássico protótipo djentesco: frequências médias em destaque, sétima corda abafada em simbiose com baixo e bateria, et voilá, voz a alternar entre o melódico limpo e o grito brutal. O refrão fica no ouvido e é uma primeira boa amostra da flexibilidade vocal de Jesper Vicencio. O tema conta com videoclipe e mostra o lado mais descontraído e galhofeiro da banda.

Seguem-se “The Flower Of Life”, com as mesmas linhas das antecessoras, acrescentando breakdowns intensos, “Pinnacle”, a outra faixa do álbum com direito a videoclipe, mais userfriendly e com uma segunda metade mais calma, límpida e harmoniosa que culmina em cortes e ruídos samplados, e “No Way Out”, com nova dose de djent tradicional.

A faixa mais pequena do álbum, “Blind World”, é totalmente instrumental, começando em guitarra acústica e com diálogos em voz off, desembocando em distorção pausada e ampla com toques de guitarra lead, retornando por fim ao ambiente inicial.

A produção do álbum é de grande qualidade, o djent é bom e bem aplicado, e o som da banda ganha muita vida com a desenvoltura vocal de Jesper Vicencio, colorindo quando é preciso, rasgando ao longo da maior parte do tempo, e alternando fluentemente entre registos e dinâmicas. De resto, todos os instrumentistas desempenham sem falhas o seu papel. O disco peca, no entanto, por alguma falta de inovação dentro do estilo, cingindo-se ao convencional e não explorando novos territórios sonoros, mantendo-se dentro da caixa de sempre (ainda que seja uma boa caixa).
Nota: Este autor utiliza o Antigo Acordo Ortográfico.

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Por Pedro Sarmento / 21 Março, 2017

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