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Gone is Gone - Echolocation

Review
Gone is Gone Echolocation | 2017
Pedro Sarmento 23 de Janeiro, 2017
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  Gone Is Gone é um projecto norte-americano iniciado em 2016, nascido para dar forma às criações de Tony Hajjar (bateria, At the Drive-In) e do multi-instrumentalista Mike Zarin, parceiros de longa data na composição de banda sonora para trailers de filmes, videojogos e media através da Sencit Music. Apercebendo-se a dada altura de que tinham entre os dois material que necessitava desesperadamente de uma banda que o exteriorizasse, a decisão foi tomada. Com o recrutamento de Troy Van Leeuwen (guitarra, Queens of the Stone Age), a criação/gravação daquele que seria o primeiro EP da banda começou a dar os primeiros passos. A vaga para vocalista continuava aberta e Troy Sanders (baixo/voz, Mastodon) era o desejado. Aproveitando a química histórica entre os dois Troys e a vontade que ambos tinham de fazer música em conjunto, a chamada foi feita e a participação do baixista/vocalista do colossal mastodonte tornou-se oficial.

Contando já com o EP Gone Is Gone, primeiro trabalho da banda lançado no Verão de 2016, o quarteto estreou a 6 de Janeiro deste ano o álbum Echolocation através da Rise Records, com um total de doze faixas novas que se expressam num post-rock experimental metalado com salpicos acústicos de Deftones, co-produzido com sucesso e qualidade por Ken Andrews (Beck, A Perfect Circle) e pela banda.

“Sentient” é o primeiro chamamento e desenvolve-se muito calmamente. Num ritmo pausado, Troy Sanders sussurra os versos iniciais e o ambiente é criado. O instrumental é envolvente e prepara a explosão de graves pausados fundidos naquele tom fuzzy tão característico da guitarra de Van Leeuwen que mudam repentinamente o fluir do tema. A audição da primeira faixa do álbum, que conta já com lyric video a condizer, assegura os fãs dos mais recentes trabalhos de Mastodon que vieram ao sítio certo no que ao campo vocal diz respeito.

O riff groovalhudo introdutório da faixa dois, “Gift”, mostra uma mudança de ares de estilo e garante que a monotonia não terá lugar na viagem sonora. Numa forma mais tradicional de verso-refrão-verso-refrão as melancólicas melodias solistas da guitarra funcionam definitivamente como um corta-sabores delicioso.

Seguem-se “Resurge”, com Troy Sanders a abrir as festas com linhas de baixo marcadas e Tony Hajjar a manter a coesão com um ritmo tribalíssimo, “Dublin”, a criação favorita do baixista/vocalista, contando também com videoclip, assombrosa, tétrica, a fazer lembrar uma “Tubular Bells” a meio gás, e que versa sobre quem do caminho se desvia, e “Ornament”, com um autêntico vocal rasgado à la Mastodon, regado de reverb, explorando o stereo e a espacialização, guiado por um ritmo cavalgado em loop contagiante.

A aglutinação sonora experimental de “Slow Awakening” e “Fast Awakening”, faixas nove e dez respectivamente, revela-se uma aposta ganha. Com registos de compasso concordantes com o título, cada um dos temas é uma amálgama bem gerida de contrastes e estilos, sobressaindo-se a palhetada tremolo furiosa que pauta as duas faixas.

“Echolocation”, última e maior faixa do álbum, é responsável pelo riff mais cativante e hipnótico do disco, repetido na dose certa e amparado por um refrão igualmente viciante. O cenário muda bruscamente a partir do minuto três, o tempo diminui, o espaço e o negrume aumentam e o caos toma conta da acção. A voz de Troy passa, curiosamente, de inglês para italiano, num canto gregoriano comprimido e modulado. O solo da guitarra de Van Leeuwen, sem grandes floreados e com aquele timbre gordo e puro, faz as vezes de ponte e transporta o ouvinte para o mesmo motivo do início que termina com um refrão final e encerra o álbum com um acorde bem resolvido em fade out.

Outros destaques vão para a pesadona e entrópica “Prawns”, e também para “Resolve”, tema mais suave do álbum, solene e sem distorção, mostrando uma faceta mais intimista do quarteto.

Echolocation é um bom augúrio introdutório daquilo que 2017 poderá ter para oferecer. Apesar de não se revelar extraordinário, o trabalho não desilude o crescente público do grupo e cativará certamente mais ouvidos, mostrando uma vez mais o quão interessantes podem ser as colaborações entre membros de bandas com estéticas relativamente afastadas. O disco é sólido em termos de composição, com bom gosto na escolha e aplicação de variações de dinâmica, tempo e intensidade ao longo das doze faixas, conseguindo fundir totalmente a veia mais experimental/ambiental dos sintetizadores de Zarin com o núcleo de hard-rock/metal dos restantes elementos. Ponto positivo para o facto de Echolocation não ter nenhum tema “importado” do anterior EP, como é frequente acontecer noutros projectos quando o intervalo entre o primeiro e o segundo lançamento é tão curto, mostrando que o quarteto está nisto de corpo, alma e gosto, não procurando fama nem fortuna, mas sim novas experiências e sonoridades. Desengane-se quem achar que se trata de uma parceria sensaborona de vedetas da cena: o quarteto mostra uma intrusão própria de amigos de sempre, cada elemento contribuindo com um cunho muito pessoal sem, no entanto, se estender em egos e vaidades.

Nota: Este autor utiliza o Antigo Acordo Ortográfico
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