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I Am No Hero – Underwater Cities

Após o primeiro álbum, de relativo sucesso e aceitação, I am No Hero, arrisca-se novamente pelo Post Rock, e a 3 de Janeiro de 2014 lança o seu primeiro EP: “Underwater Cities”.
 
All lines are missing”, convida-nos a entrar, de forma calma e progressiva. Numa primeira audição, e até nos primeiros minutos ficamos a pensar: “onde é eu já ouvi isto?”. Enquanto divagamos nas nossa reflexões, vamos ouvindo mais um pouco e somos progressivamente sugados. Esta faixa possui irrevogavelmente as suas referências e influências em várias sonoridades deste género. O que nos leva, de uma forma suave, a mudar o nosso pensamento negativamente precoce sobre o EP, para o estado: “é semelhante a outras músicas que já ouvi, mas quero ouvir mais!”.

E é assim que entrámos com uma imensa calma na segunda música do EP: “Grotesque”. O ritmo lento que serve de estrutura para as notas agradáveis e melancólicas, cativa-nos cada vez mais a atenção. E assim que estamos dentro, o ritmo musical fragmenta-se, aumentando progressivamente, juntamente com um riff de fundo e uma precursão mais agressiva.

“Sunny Days” é provavelmente a melhor música do álbum por diversas razões. Primeiramente pela ironia do nome, sendo que é designada por “Sunny Days”, e no entanto, está carregadíssima de uma atmosfera que transmite uma poderosa nostalgia depressiva. Entrega-nos tudo isto numa composição claramente inspirada em sonoridades já transmitidas por bandas como Mono, mas ainda assim, não falha em nos envolver cada vez mais nos seus sons preenchidos de referências num formato envolvente e original.

A verdade é que os “Dias de Sol” chegam com a “In Waves”. O contraste com a sua precedente é percetível, logo após a audição da primeira nota. Muito mais positiva, a penúltima música do álbum é composta por uma percussão de ritmo alegre e com registos de guitarra e baixo progressivos. Quase como se toda a sonoridade do álbum até aqui, nos obrigasse a ser sugados pela melancolia das notas mais tristes, e esta música tivesse como objetivo empurrar-nos para fora de toda a depressão a que fomos expostos, levando-nos a caminhar por tons bem mais agradáveis que abrem a porta para a última música do álbum.

Mais uma vez, I am No Hero termina a sua lista com uma música que possui o mesmo nome do albúm: “Underwater Cities”. Esta, por sua vez,  sumariza tudo aquilo que as outras faixas nos transmitiram.

Concluindo, e já referi isto na análise do primeiro álbum destes jovens provenientes da Grécia, a música não possui composições brilhantes, nem adiciona nada de novo ao género de Post Rock. Ainda assim, mesmo que muitos dos tons sejam previsíveis, conseguiram recriar de uma forma ou de outra, aquilo que mais se aprecia no Post Rock, entregando-nos uma atmosfera imersiva que qualquer apreciador do género deveria pelo menos experimentar.

Por JoaoSimoes / 4 Julho, 2014

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