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IDLES - Ultra Mono

Review
IDLES Ultra Mono | 2020
Beatriz Fontes 05 de Outubro, 2020
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Svalbard - When I Die, Will I Get Better?

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São o equivalente post-punk a um soco no estômago, com um nível de magnetismo que não nos permite ficar indiferentes. Como banda que acena o dedo do meio às injustiças sociopolíticas com uma atitude geralmente otimista, IDLES são este interessante diagrama de Venn onde a raiva declarada, o absurdo e o bom humor se combinam numa banda punk que não se encaixa em mais lado nenhum senão no agora.

Ultra Mono surge então como mais um impulso de melhoria, como Joy as an Act of Resistance acabou por ser face a Brutalism. A melhoria aqui assenta na forma como têm vindo a solidificar uma já bastante sólida ideia de si mesmos, refletida num som que se tem vindo a tornar gradualmente mais endurecido e maçudo. A energia em Ultra Mono mantém-se em cima, compondo um alinhamento conceptualmente consistente, onde tanto o instrumental, voz e letras estão agora um pouco mais impacientes e ainda mais temperamentais. As distorções nasty estão ainda mais nasty, carregadas de notas curtas e compactas que constroem uma enorme muralha de som que nos tranca neste disco com elas.

O álbum abre com “War”, uma música que cheira a uma fábrica industrial onde todos os que estavam dentro dela enlouqueceram. O instrumental faz com que o riff evolua gradualmente para algo semelhante a uma sirene de defesa civil, com uma vitalidade alucinante e magnética, enquanto as vozes se concentram em ser propositadamente desorientadoras. Um break permite a entrada de um solo de bateria digno de uma paragem cardíaca, e o mesmo solo que bombeou adrenalina nas nossas correntes sanguíneas aparece vísivel no videoclipe sob a forma de uma corrida de imagens, videoclipe esse onde a tensão de viver nos dias de hoje aparece diante de nós com toda a sua beleza demente.

O que este álbum oferece mais do que os anteriores é uma maior tendência experimental que se estende para a produção, cortesia da presença de Kenny Beats, com uma intenção direta de embeber este disco no feeling do hip-hop. A produção em Ultra Mono aparece-nos equilibrada, em complemento à musculatura das faixas, onde o som de cada elemento nos aparece rígido, rotativo, compacto ou dilatante quando necessário, para estender o seu efeito impactante numa mistura entre a crueza impulsiva e a nitidez. O instrumental em si, sempre de punho levantado, aparece aqui mais instigador do que antes e mais recheado em termos de informação sonora. A faixa “Reigns”, uma música inflamada e de peso industrial, inclui um sintetizador grave que faz bombear severidade e alarme pela faixa com uma brutalidade enorme. Falando de sensações alarmantes e em experimentalismo, temos bastante de ambos em “Danke”, que conta com uma bateria forte e cheia de ritmo e um baixo tenso e firme a falar entre os dentes lá do fundo. Já o sintetizador eufórico que abre “Grounds”, ligado a um riff robusto e corrosivo de força bruta, fornecem a esta música medidas quase iguais de ousadia e aridez, cor e entusiasmo. Estes são detalhes que não estavam tão presentes antes e que agora alimentam as músicas com o balanço e dinamismo necessário para fortalecer a intenção central deste álbum.

Cada música conta com um componente especialmente memorável, seja ele um detalhe repetido, um riff cativante, uma colocação de voz catchy ou o conjunto completo. Para mencionar algumas destas inclusões memoráveis, aponte-se a intro da faixa “Kill them with Kindness”, onde um piano limpo e simpático aparece com intenções irónicas, interrompido pelo estrondo da entrada da banda. “Ne Touche Pas Moi” inclui back vocals roucos que repetem o título da música e um riff revigorante, constante e alegre que se aproxima ligeiramente de uma via mais pop que, em conjunto com o refrão, transforma esta música num protesto feminista muito divertido. Em semelhança aos dois álbuns anteriores, se há alguma coisa que este álbum é, é incrivelmente catchy. E se há música que vem à mente agora é “Anxiety”: carregada de energia, carregada de força e com um refrão com o earworm mais teimoso que este disco tem para oferecer – e tem vários. Em termos de peso, acidez e estamina, a exceção em Ultra Mono é “A Hymn”, que é uma música que apela mais ao sentimentalismo, preenchida por um dedilhar iluminado que abandona a muralha de som, expande o alcance do instrumental e alonga o tempo de vida das notas.

Embora não seja um aspeto singular a Ultra Mono, a voz de Talbot fez-se cunhar num tom rouco facilmente reconhecível, de veias inchadas e cara vermelha, que vai variando entre o rosnar de um lutador da resistência e a melodia e sensibilidade que usa para expressar vulnerabilidade. Neste disco, ouvimo-lo a cantar de maxilar cerrado enquanto cospe as letras com a agilidade de um rapper, com uma atitude provocadora igual a si, se não ainda mais.

Estranhamente, as letras de IDLES conseguiram melhorar também. A letra em “Mr. Motivator” visa atacar precisamente aqueles que questionaram a genuinidade da banda e os acusaram de terem letras demasiado simples, sendo que foram posteriormente criticados por usarem as suas letras para se apropriarem das desilusões da classe trabalhadora como um meio de obtenção de reconhecimento. Entregam-nos frases como “Like Kathleen Hanna with bear claws grabbing Trump by the pussy” e “Like David Attenborough clubbing seal clubbers with LeBron James”, com Talbot a perguntar: “How do you like them clichés?. Embora a crítica tenha claramente incomodado a banda, acabaram talvez por aumentar de facto o seu nível de franqueza na forma como falam na paisagem sociopolítica do Reino Unido que os incomoda e ulteriormente alimenta a sua criatividade. A hiperatividade em “Model Village” com pessoas frívolas que tentam acompanhar as expectativas de uma sociedade supostamente civilizada com padrões altos, enquanto são escrutinadas as falhas dessa estrutura aparentemente organizada que tão medrosamente se pretende ocultar. “Carcinogenic” fala-nos em todos os carcinogénicos políticos, económicos e sociais do mundo ocidental que caibam numa música com cerca de quatro minutos. Por sua vez, “Grounds” fala-nos em mudança e na existência de confiança quanto à sua iminência, onde Joe Talbot repete, em tom de validação: “Do you hear that thunder? That's the sound of strength in numbers”.

Enquanto as letras se tornam mais complexas, diretas e argumentativas, tudo à sua volta se torna mais emocional, mais sério e implacável, e este é precisamente o grande desenvolvimento que a banda teve neste álbum: tudo o que nos deram antes foi apurado em Ultra Mono. Faz sentido ouvi-los agora. Há um sentimento de revitalização em bandas como IDLES, onde as letras fazem questão de abordar o momento e, em especial, as lutas sociais enfrentadas pelas gerações millenial e Z, mas sem que se esqueçam de apontar o dedo às feridas dos restantes, e que por sua vez se fazem combinar com o temperamento efervescente da música, transformando-a em matéria oportuna, encorajadora e importante.

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