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Iggy Pop - Post Pop Depression

Review
Iggy Pop Post Pop Depression | 2016
Inês Pinto da Costa 11 de Abril, 2016
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‘’I’m gonna break into your heart’’- a primeira frase que ouvimos de Iggy Pop em Post Pop Depression, o mais recente álbum de um dos maiores ícones da música, que se junta a Josh Homme (vocalista e guitarrista dos Queens Of The Stone Age), Matt Helders (baterista dos Arctic Monkeys) e Dean Fertita (também dos Queens Of The Stone Age) para uma colaboração que só poderia dar certo.

Aquando do anúncio do lançamento de Post Pop Depression, Iggy Pop deixou bem claro que ia trazer de volta o som dos Stooges dos anos 70, algo que deixaria Bowie orgulhoso. O que podemos comprovar é que a promessa foi cumprida mas sem renunciar a um som mais moderno (talvez tenhamos coragem de usar calças à boca-de-sino em 2016 mas usar as mesmas com uma camisa laranja com folhos e ombreiras é capaz de nos parecer arriscado).

"Break Into Your Heart" é o início perfeito para o conjunto das 9 músicas que constituem Post Pop Depression. Guitarras rasgadas, uma melodia imponente e a voz segura de Iggy, que insiste em repetir uma das frases mais poderosas do disco: I’m gonna break into your heart, I’m gonna crawl under your skin. Segue-se "Gardenia", o single de lançamento. Para lá da polémica adjacente ao facto de ter o mesmo nome que uma grande música dos Kyuss (a ex-banda do Josh Homme), Gardenia é uma das melhores faixas deste longa-duração. A música inicia com os acordes do refrão (que, aviso desde já, é difícil de tirar da cabeça). Para além de um riff de guitarra contagiante, apesar de bastante simples, sente-se um baixo bem forte que marca a direção que toma a voz de Iggy Pop (aqui na sua figura de ‘’engatatão’’) desde o início até ao ponto forte da música, o refrão: all I wanna do is tell Gardenia what to do tonight. De notar também uma parte instrumental em que Iggy faz uma pseudo-declamação, bem à estilo de Bowie em "I’m Afraid Of Americans".

"American Valhalla" faz-nos pensar, por momentos, em "China Girl". Toda a música é acompanhada pela melodia de um xilofone mas sempre com um ritmo de rock que lembra, de facto, os Stooges. "In The Lobby" tem como fundo uma bateria mais blues que vai sendo interrompida para dar lugar às guitarras imponentes e um ritmo, diria, mais experimental que conta com a presença de metais (algo que surge, por vezes, em Post Pop Depression). Quanto a "Sunday", a quinta música do disco, não há, na minha opinião, muito mais a dizer que não a afirmação de que esta é a melhor música do álbum. Um refrão completamente contagiante, a presença de vozes femininas (embora de forma subtil), as guitarras perfeitas e um final totalmente inesperado de orquestração são alguns dos factores que fazem desta, repito, a melhor música de Post Pop Depression.

Depois de "Sunday" e das expectativas altas por esta deixada, cabe a "Vulture" não fazer descer a parada. Num ritmo completamente americano que lembra um western ou a banda-sonora de um filme de Quentin Tarantino, Iggy grita Vulture (abutre, em português) como se não houvesse amanhã. Não desilude. "German Days" é a típica música rock de Iggy com um twist a meio, expresso por um interlúdio onde o ritmo da bateria domina. Chocolate Drops é, provavelmente, a música mais calma do disco. Iggy veste o seu smoking, põe o laço preto ao pescoço, deixa o cabelo despenteado (não pensem que se torna num menino bem-comportado de um momento para o outro) e canta uma balada que faz, por momentos, lembrar Nick Cave. Para fechar com chave de ouro chega-nos "Paraguay", uma música que, não sendo a mais imponente, faz bem o seu papel. Num ritmo que lembra Queens Of The Stone Age (por razões óbvias) sem nunca perder a essência do punk que tão bem caracteriza Iggy Pop, "Paraguay" funciona como um bom final.

Apesar da presença de outros membros na produção do álbum, nomeadamente a de Josh Homme, e da inclusão de alguns elementos mais modernos no mesmo não há razão para que se perca a essência de Iggy, algo que agrada a qualquer fã. No fundo, Post Pop Depression resume-se à frase que tantas vezes repito ao longo do texto: ‘’I’m gonna break into your heart’’. E assim é.
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