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Jessy Lanza - Oh No

Review
Jessy Lanza Oh No | 2016
Sara Dias 13 de Maio, 2016
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Lycus – Chasms

ANOHNI – Hopelessness
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She came along the alley and up the back stairs the way she always used to. Doc hadn’t seen her for over a year.  Nobody had.  Back then it was always sandals, bottom half of a flower print bikini, faded Country Joe & the Fish Tshirt.  Tonight, she was all in flatland gear, hair a lot shorter than he remembered, looking just like she swore she’d never look... 

Is that you, Shasta?

Think you’re hallucinating...?

Los Angeles, meados de anos 70. Estão com a maior ressaca, os lábios gretados, são 21h da noite e acabam de acordar entrelaçados numa geisha com restos de pó de arroz pela cara, de boca entreaberta, enquanto vocês já nem sequer sabem da vossa roupa. No seu sofá está Doc a desenhar umas linhas de coca - que na realidade de linhas têm muito pouco, enrolam-se tanto quanto o cabelo encaracolado do rapaz que dorme agarrado na vossa perna. A casa está um caos, no fundo qualquer coisa que vos é familiar toca no gira-discos. Uma voz suave, tão tangível, tão melódica - tão parecida com a voz da Joanna Newsom - narra a historia da noite passada, e vocês nem conseguem acreditar na quantidade de merda que fizeram. São 21h, e a melhor cura para a ressaca é mesmo não chegar a tê-la sequer - remexem as peças de roupa abandonadas pelo chão, bebem uma garrafa de água de penalti e mandam o vosso último quadradinho mágico de LSD.

A carreira de Jessy Lanza, como conhecemos, começa com um episódio trágico: a morte do pai. Desta forma, acaba por herdar uma coleção invejável de synths e drum machines, que a afastam da sua formação musical clássica em Jazz e Piano na Concordia University of Montreal. Jessy lança-se na produção musical mais virada para o R&B, pop e para a música eletrónica. O primeiro álbum, Pull My Hair Back, co-produzido com Jeremy Greenspan dos Junior Boys, saiu em 2013 pela enorme Hyperdub, e logo se seguiu uma colaboração com Caribou em “Second Chance” do álbum de 2014, Our Love.

Não deve se ser por mero acaso que se lê pela internet que a Jessy Lanza é uma “futuristic fairy”. Em Oh No deparamo-nos com sonoridades caleidoscópicas, num álbum que começa com “New Ogi” que é quase como um apanhado de tudo o que vamos encontrando pelo álbum, com uma linha de synths dinâmica que demonstra bem influências de synth pop japonês nos fins dos anos 70 e inícios dos anos 80, com artistas como Miharu Koshi, Ryuichi Sakamoto e Akiko Yano. O LSD começa a fazer efeito: “VV Violence” explode-nos com cores néon na cara, é uma explosão de inquietude de provocação ingénua, com as vocais etéreas de Jessy: 'I say it to your face but it doesn't mean a thing, NO!'. esta é uma das faixas mais interessantes e catchy lançadas este ano dentro da pop. Os synths prevalecem frenéticos em “Never Enough” que vagueia muito por sonoridades dos fins dos anos 70, sonoridades que extravasam para “I Talk BB” e ganham uma nova dimensão de sensualidade, onde Jessy nos sussurra ao ouvido – quase lhe sentimos a respiração na nuca. “Going Somewhere” surge quase como um aquecimento para aquilo que realmente interessa: a frescura de “It Means I Love You”, esta que é uma das melhores faixas do ano. Faixa que dança nas entrelinhas entre sonoridades tropicais sem nunca perder de vista a ingenuidade e a sensualidade típica de Jessy Lanza – “If you want it, come and find my love”, - vocais que são acentuadas com um auto-tune manhoso e samples que vão sendo disparados freneticamente. Nas seguintes faixas, “Vivica”, “Oh No”, “Begins” e “It Could Be You”, Jessy Lanza volta a Pull My Hair Back e ao seu R&B típico – lento, sussurrado, com apontamentos de synth e de drum machines que não são tão proeminentes como na primeira parte do álbum.

Oh No é isto. Uma mistura synth pop niponica da decada de 70 com uma brisa fresca de tropicália quasi-baiana banhada na ingenuidade de uma 'menina que dança' e uma explosão de cores, de verdes tropa, de dourados ofuscantes, de azuis safira. É palpável a obsessão de Lanza por esta tropicalidade ao ponto de afirmar numa press release, segundo a Stereogum, ““I became obsessed with surrounding myself with tropical plants. I’ve been convinced that the air quality in our house is slowly killing us. It might sound crazy but the plants have made a huge difference.” Oh No acaba por ser também uma lufada de ar fresco, mais dinâmico, mas sem perder as raízes lançadas por Lanza no seu álbum de Pull My Hair Back. As sonoridades R’n’B, com toda a sua eerieness, que lentamente nos seduzem o ouvido, continuam lá.  A viagem só tem 40 minutos, mas são dos melhores 40 que já vivemos. 21.40h, e já não vemos Doc no sofá. A bagunça é a mesma, mas ficamos sozinhos no meio dela. É altura de levantar e limpar o que nos resta.

Doc fell into a car convoy, moving slowly, single lane through the fog.  He figured if he missed the Gordita Beach exit, he'd take the first one whose sign he could read and work his way back on surface streets. (…). For the fog to burn off, and for something else this time, somehow, to be there instead. * 

*Excertos do livro/filme Inherent Vice de Thomas Pynchon/Paul Thomas Anderson.
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Jessy Lanza - Oh No
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