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Kaytranada - 99.9%

Review
Kaytranada 99.9% | 2016
José Martins 09 de Janeiro, 2017
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DJ, produtor e fenómeno do SoundCloud, Kaytranada, 24 anos, nascido no Haiti, mas oriundo de Montreal, Canadá, começou a sua carreira musical em 2010. Ao longo destes seis anos realizou 41 remixes, sendo algumas destas lançadas segundo seu anterior stage name Kaytradamus. Em 2014 assinou com a editora independente XL Recordings e, no mesmo ano, anunciou o lançamento de um EP de título So Bad, a estreia da música “Leave Me Alone”, música essa que seria futuramente o primeiro single do seu primeiro álbum.

A partir daí muitas portas se abriram para o jovem canadiano. Em janeiro de 2015 inicia a produção do seu futuro álbum e lança o que viria a ser o segundo single do mesmo, “Drive Me Crazy”. Em fevereiro do mesmo ano começa a trabalhar com o lendário produtor Rick Rubin, aumentando assim os rumores em torno do seu álbum de estreia, sendo ainda convidado para abrir vários concertos de Madonna.

Depois de vários meses de espera, apenas em 2016 volta a dar notícias com o lançamento de mais três singles, sendo o último lançado posteriormente ao álbum. No seu website oficial, com o intuito de promover o álbum, lança também um vídeo jogo, 99.9%: The Game.

Finalmente, em maio do corrente ano, presenteia-nos com o produto final, o seu álbum de estreia 99.9%.

Durante todo o álbum, Kaytranada consegue afogar completamente o ouvinte na sua fusão de hip hop instrumental, contemporâneo R&B com pedaços de dance pop e house aqui e ali, criando assim um som colorido e revigorante, mostrando um nível de versatilidade muito acima da média. Não há nada que Kaytranada não consiga fazer e a prova disso está neste álbum.

99.9% estende-se por quase uma hora, sendo composto por quinze tracks, podendo assim considerar-se um álbum relativamente longo. Conta com um número considerável de participações, especialmente vocais, com alguns nomes de peso como Anderson .Paak, Vic Mensa, Little Dragon, Syd, Craig David, AlunaGeorge, BadBadNotGood e Karriem Riggins, provando também a enorme variedade de géneros incorporados neste álbum.

Com base nos singles lançados meses antes do álbum a curiosidade estava elevada para saber como é que tais singles iriam ser incorporados de forma consistente num álbum, especialmente num álbum tão longo como este acabaria por ser. Mas curiosidade com algum receio à mistura, especialmente pelo facto de, apesar da imensa qualidade, não só do instrumental, como também das participações vocais, os singles parecerem tão diversificados, tão longe um dos outros em termos de genre.

Esta diversidade é bastante notória nas tracks “Got it Good” e “Drive Me Crazy”. A primeira é um total throwback aos 2000 do R&B, um som em que a participação vocal, Craig David, se sente bastante confortável e complementa de forma soberba o instrumental um pouco psicadélico de Kaytranada. A segunda, com um instrumental mais espacial, algo também nunca feito por Kaytranada, mas que apesar disso consegue manter a constante sonoridade do álbum, sendo também de destacar a participação vocal de Vic Mensa que é bastante cativante.

A importância não está no género, mas sim no sentimento que a música transmite e foi com base nisso que o jovem produtor construiu o seu álbum. Tendo como base a sua sonoridade colorida característica, Kaytranada elabora uma viagem musical nunca cansativa e constantemente viva, muito destacada também pela coesão existente em algumas transições, sem paragens, ritmo atrás de ritmo, beat atrás de beat, completamente imersas em good vibes.

Embora todo o álbum seja contagiante, no último terço é ainda mais notória a capacidade de Kaytranada em agarrar o ouvinte. Os ritmos são mais funky, mais dançáveis e, especialmente, mais alegres, destacando-se neste último aspeto a track “Lite Spots”, que inclui uma incrível sample vocal em português do Brasil, que complementa imensamente bem com o instrumental para formar uma verdadeira feel good song. É também nesta parte do álbum que Kaytranada incorpora mais o house na sua sonoridade e, apesar de não ser um genre onde estamos habituados a ouvi-lo, ele surpreende.  

Contudo, o álbum não é perfeito. Com muitas participações especiais é compreensível nem todas serem tão bem integradas e até mesmo polidas de forma a demonstrar que a track tem de facto uma participação externa. Aqui incluo a inclusão de Karriem Riggins e de BadBadNotGood, ambas pouco memoráveis. BadBadNotGood, apesar de terem química e serem capazes de se misturar bem com o som de Kaytranada, não acrescentam nada de relevante, parecendo por vezes um mero sample. O mesmo pode ser dito sobre a participação de Riggins, apesar da excelente performance, não tem a relevância porque a track não é muito longa. Não querendo assim menosprezar a complementação existente nas restantes tracks, sendo que esse aspeto é também um em que Kaytranada brilha e consegue, precisamente por causa disso, ter uma variedade de excelentes músicas neste álbum.

Concluindo, a versatilidade e o som extremamente colorido e contagiante de Kaytranada fazem deste álbum um prazer de ouvir, não só para quem gosta de hip hop e R&B, mas também para quem gosta de música alegre e não consegue resistir à tentação de dançar. O jovem DJ demonstra que consegue fazer tudo, brilhando particularmente quando se concentra em produzir música difícil de rotular, criando assim uma sonoridade muito característica. Nunca aborrecido, este álbum é uma excelente estreia de Kaytranada que o lança para um patamar superior e o torna um dos artistas a manter debaixo de olho nos próximos anos.
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