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Lowly - Heba

Review
Lowly Heba | 2017
Jorge Alves 26 de Abril, 2017
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A existência dos dinamarqueses Lowly é ainda bastante curta, mas o jovem grupo já granjeou um estatuto notável na comunidade indie com a edição deste impressionante álbum de estreia co- produzido por Anders Boll, engenheiro de som dos Efterklang.

Lançado após alguns singles e um EP, Heba – nome inspirado numa amiga síria dos Lowly que se mudou para a Dinamarca para escapar à guerra do seu país - é uma majestosa viagem por um mundo de sonoridades delicadas e etéreas, em que a simplicidade acaba por se tornar complexa devido aos inúmeros detalhes que descobrimos quando mergulhamos no universo da banda nórdica – um exemplo é o tema de abertura “Still Life”, onde somos brindados com a maravilhosa participação da soprano Anna Maria Wierød. Todavia, mesmo que não haja convidados, todas as músicas são preenchidas de forma exímia, com cada instrumento a trabalhar em conjunto de forma a criar esplêndidas camadas sonoras.

É certo que aquilo que fazem, situado no território do dream pop ou synthpop e com laivos de noise em determinados momentos, não prima necessariamente pela inovação, mas isso é irrelevante quando nos deixamos levar pela magia das composições. À instrumentação inegavelmente rica juntam-se as magníficas vozes de Nanna Schannong e Soffie Viemose, detentoras de poderosos e belíssimos registos que espalham emoção com cada palavra proferida. Heba é um álbum marcado pela intensidade das sensações que transmite ao ouvinte, conseguindo ser tão reconfortante como melancólico, tão doce como amargo, num fascinante contraste de atmosferas.

Mesmo a nível musical essa diversidade está presente: se “Pommerate”, por exemplo, é um tema mais lento, “Stubborn Day” é consideravelmente mais ritmado e aventureiro. Contudo, essa variedade nunca é sinónimo de falta de coesão, sobretudo porque o grupo sabe bem o que quer ser e, acima de tudo, como sê-lo. Nem sempre um disco consegue eficazmente prender a nossa atenção do início ao fim, mas Heba é uma obra surpreendentemente envolvente, daquelas que se tornam viciantes ao ponto de não desejarmos ouvir mais nada durante a sua duração.

Estamos ainda no início de 2017, mas já encontramos um forte candidato para as habituais listas de melhores do ano. Afirmação ousada? Talvez, mas o álbum merece esse nível de confiança.

 

Nota: Este artigo utiliza o Antigo Acordo Ortográfico.
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