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Luca Argel - Bandeira

Review
Luca Argel Bandeira | 2017
Diogo Rocha 25 de Maio, 2017
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Luca Argel, carioca do Rio, é o cantautor e poeta com quatro livro publicados, que lançou tipos que tendem para o silêncio em 2016 e agora, em 2017, Bandeira. E é sobre este último que vos quero falar.

Bandeira é sobre o samba e para o samba. Foi o mote e a inspiração de Luca Argel para a criação deste disco. Um samba que, por vezes, pode ser confundido com bossa nova ou com uma mescla entre estes dois estilos musicais e que confere a este álbum uma simplicidade reconfortante. Entre acordes singelos de guitarra e uma voz tropical, a música que sai de Bandeira é um trago quente que se bebe numa noite chuvosa de Primavera e, ao mesmo tempo, é um consolo o refresco que cria naquelas tardes mais quentes de Verão. Mas, apesar de conter um som ligeiro e alegre, algures na poesia conseguimos vislumbrar um desconforto pelo modo como a sociedade está a evoluir e pela forma como as pessoas encaram as suas vivências diárias. Como o próprio Luca Argel descreveria, uma espécie de “Samba de Guerrilha”, em que o género musical é usado num formato critico e satirizante do meio em que os autores vivem e estão envoltos. Desta forma, são variados os temas das histórias agrupadas em poesias que nos enchem o ouvido durante meia-hora.

Uma separação é sempre algo difícil de ultrapassar, mas é também um bom motivo para transformar a raiva interior, para soltar e motivar a criatividade. Foi o que fez Luca para dar inicio ao álbum. “Estar o Ó Ep. 1” não é um começo feliz e cada palavra explora as dificuldades sentidas, mas a busca pela melodia alegre, pela voz da felicidade, leva-nos por ruas e ruelas até à “Rua da Consolação”. O ânimo arrebita com “Ninguém Faz Festa” e “Calote”, músicas em que a preocupação do cantautor é viver despreocupado e feliz, mesmo que a situação em que se encontra não seja a ideal,” É melhor estar no vermelho do que viver de joelho até ficar velho” lutando pela dignidade e ter o samba como modo de o conseguir, “Foi também quem primeiro avisou que o samba, uma gelada e o suor da nossa testa/ Ainda são as armas que nos restam”. “Acanalhado” é sobre amor, um amor que não deve ser publicitado, um segredo que se quer manter especial para os intervenientes e deve ser do desconhecimento de terceiros: “Quando eu morrer não vá ao enterro, não acenda vela/ Só nos que sabemos da nossa novela/ E vão estranhar a tua tristeza/ Não fique de luto nem vá levar flores à sepultura/ Ninguém mais conhece a nossa aventura/ E alguém vai pedir uma satisfação/ Deixe as coisas como elas estão”. Com “M&Ms” voltam os acordes felizes e os grooves sorridentes que nos voltam a encaminhar para o meio da roda de samba. Recebemos, com uma certa graça, a ode que Luca Argel faz aos deuses da ficção cientifico-galáctico-espacial em “Estar o Ó, Ep. 2” e voltamos ao planeta Terra em “Bandeira”, música que dá o seu nome ao álbum e que, não por acaso, é a última. Segundo o poeta, diz-se que uma escola de samba “enrolou bandeira” quando ela acaba, usando um dos significados de expressões associadas a esta palavra para colocar um ponto final neste seu novo trabalho. Bandeira também é uma homenagem ao poeta com o mesmo nome, Manuel Bandeira, cuja obra é demarcada  pela critica, de forma leviana e ligeira, e pela impossibilidade de não conseguir fechar os olhos perante o que está em redor “Assim eu quereria meu último poema/ Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais/ Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas/ Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume/ A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos/ A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.”

Luca Argel, que é formado em música pela UNIRIO e mestre em Literatura pela Universidade do Porto, conseguiu, neste seu segundo álbum, concentrar o que de melhor tem a música popular brasileira e dar-lhe o seu toque pessoal. Bandeira, sendo bastante diferente de tipos que tendem para o silêncio, consegue ter um som maduro, quente e dançável, uma poesia rica, crítica e variada e um sentimento bairrista e popular, mas um tanto ou quanto saudosista.

Nota: este autor usa o Antigo Acordo Ortográfico.
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