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Machine Girl - WLFGRL

Review
Machine Girl WLFGRL | 2014
Luan 30 de Abril, 2014
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Pouco se sabe sobre o Machine Girl, apenas que é de Nova Iorque e que deve ser uma pessoa divertida. Gosta de Jet Set Radio e nada teme, porque se tivesse medo não lançava uma ataque epiléptico como WLFGRL, uma pérola escondida de 2014 que combina desde um Breakcore de tirar o fôlego com Drum and Bass, Footwork, samples "cheesy" que encaixam perfeitamente em toda a histeria do álbum e... sintetizadores espaciais.


Não tenho a menor dúvida que WLFGRL é para alguns, não para todos. É um álbum que te põe a ver strobe lights onde quer que estejas. Mete-te a dançar em velocidades que não sabes dançar, parte o beat e deixa-te em glitch cerrado por uns bons segundos (influência clara de IDM em algumas faixas, por muito pretensioso que o termo seja), só parando para te catapultar para mais uma onda de adrenalina com um break clássico de Jungle. É esta combinação de tantos elementos, ao mesmo tempo que se consegue manter fiel às raizes Juke/Footwork e claro, muito Jungle e Dn'B, que faz este álbum ser tão fresco e divertido. Divertido é a palavra certa: nunca a música se leva demasiado a sério (um problema cada vez maior na "cena" electrónica de rave), o retro-futurismo que Machine Girl concretiza é sem dúvidas muito consciente do quão "corny" vai sendo, e isso só lhe faz ganhar pontos com o ouvinte.


Eu não gosto da palavra "drop", mas não dá para escapar. O build-up que culmina em sample vocal e depois parte a casa toda que há em algumas (diversas) faixas é genial. Não é particularmente original, nem especial, mas faz aquilo que quer fazer: pôr o ouvinte a mexer. Eu estou a ouvir o álbum neste momento e só paro de abanar a cabeça para ir consultando as notas na secretária. É este o efeito de WLFGRL. A Freewill (Phase B) não te dá um segundo, começa logo com a carga toda. Consegues encontrar as influências clássicas com facilidade, mas isso não torna o som datado, bem pelo contrário: é impressionante como algo tão único consiga ter as suas influências tão visíveis.


Nada aqui é particularmente estruturado. Temos os breaks, temos uma série de sintetizadores daqueles espaciais, direitinhos de uma ficção científica de há 20 ou 30 anos. Nunca o som fica estanque, temos uns segundos para um segmento, e estejas ou não preparado, rapidamente te lança para outra "explosão": se Vaporwave é um futuro sereno de utopia capitalista, esta grande mistura que é WLFGRL é o caos, o futuro do mundo sem um fôlego. Está em voga esta visão retro-futurística com peso forte naquilo que os anos 90 foram e imaginaram para o novo milénio, e ainda bem que assim o é: repescar o ambiente rave dessa década e incorporar futurismos também da altura resultou demasiado bem.


Mesmo com todas estas temáticas, nunca o álbum soa demasiado estéril. Há sempre uma componente humana que nos aproxima das faixas e torna tudo muito mais familiar. Por falar em familiaridade, é verdade que nós, enquanto portugueses, não vivemos a onda de "electrónica parte-tudo" espremidos em caves escuras e mal iluminadas, que é exactamente de onde este álbum sai, mas não é por isso que perdemos o contexto onde WLFGRL se insere, nunca nada é excessivamente distante da nossa vivência (talvez pelos nossos vizinhos ali nas ilhas da Rainha que nos puseram em contacto, por menor que este o seja).


A grande faixa de destaque é claramente a penúltima. Um épico de 8 minutos (o J. Murphy iria adorar) que descreve o álbum todo. É o mais claramente futurístico, com samples robóticas, com texturas evidentemente baseadas em temáticas espaciais (tais como as concebiam antigamente), os breaks que dominaram a cena durante tanto tempo. Consegue ser alucinante e, talvez, uma faixa bela, com segmentos de tranquilidade (tão raros dentro deste rush de adrenalina) que fazem todo o sentido e soam, de facto, muito bem.


Em suma, é isto. Quem gosta de Juke, de footwork, de música de rave como as de outrora, vai gostar disto. Ou então quem gosta de pular e suar, esses também vão gostar muito de WLFGRL. Aqueles que procuram música que projecte os seus sentimentos não se vão rever muito nesta obra, até porque ela não te dá tempo para sentir. Se por algum motivo te identificas com qualquer momento deste álbum a nível pessoal, bebe água. Diz que desidratação é inimigo mortal de MDMA.



Luan Bellussi
por
em Reviews

Machine Girl - WLFGRL
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