24
DOM
25
SEG
26
TER
28
QUI
3
TER
4
QUA
8
DOM
9
SEG
15
DOM
16
SEG
17
TER
18
QUA

Mammoth Grinder - Cosmic Crypt

Review
Mammoth Grinder Cosmic Crypt | 2018
João "Mislow" Almeida 16 de Fevereiro, 2018
Partilhar no Facebook Partilhar no Google+ Partilhar no Twitter Partilhar no Tumblr

Shame - Songs of Praise

The Go! Team - Semicircle

Com todo o alarido que tem havido perante a nova geração de bandas de black metal a surgir da Polónia, Islândia, Estados Unidos e Alemanha, frequentemente infiltradas com porções de death sempre a rasgar, o ratio de projetos que rondam em torno das frequências mais baixas e das batidas mais prolongadas, tem vindo a diminuir exponencialmente. A não ser através do doom, sludge ou até mesmo drone, em contraposição com o death metal puro e cru, atualmente quase extinto, sobra às novas gerações recriar e redefinir um novo padrão para um dos estilos mais extremos na música. Um exemplo disso, são os Mammoth Grinder do Texas. Liderados por Chris Ulsh (Power Trip, Impalers e Hatred Surge), a banda é também constituída por Mark Bronzino e Ryan Parrish de Iron Reagan, sendo que este último também já se alinhou no passado com nomes como City of Caterpillar e Darkest Hour. Apesar do projeto ter nascido em 2005 e do imenso impacto que o grupo tem imposto desde então, este acabou por sofrer à conta da prioridade dos projetos primários, algo que resultou em inúmeras alterações de alinhamento e que só por si, ditou o hiatus da banda em 2014.

Em 2017, a banda anunciou o seu retorno, confirmando também lançamento do novo álbum, Cosmic Crypt, a ser lançado em 2018 através da Relapse. É inegável que a banda possui um nicho muito específico de aficionados a apreciar a sua música desde o lançamento de dois dos seus mais reconhecidos registos: Extinction Of Humanity e Underworlds. Tem sido evidente que os texanos entregam um som inerente a dois estilos quase polarizantes. Por um lado obtemos a fúria em forma de protesto do punk e por outro, o peso abundante do death metal desentranhado. A produção crua e a escrita refinada, ao longo dos anos, tem ajudado o trio a encontrar pontos estratégicos, onde amalgamar todas as suas influências com devido esplendor. É por isso que se acompanha hoje, o aguardado retorno do nome, em alinhamento renovado, perante um horizonte que promete peso desumano.

Há uma coleção de momentos durante a audição do álbum, onde se pode verdadeiramente apreciar o talento de músicos de gerações recentes. Neste preciso registo, enquanto que a produção e a falta de hesitação em determinadas secções favorecem o trio numa entrega de peso brutal, nunca dá para perceber ao certo qual a postura que a banda mantém ao escrever o material. A indecisão é gritante em faixas como “Servants Of The Most”, “Divine Loss” e “Locusts Nest” onde o coletivo entrega, com tremenda força, todo o poderio em aglomeração de ódio, mas peca sem saber como desenvolver argumentos, ou pelo menos os melhores, na entrega do instrumental. Mesmo com esse “quase” nos highlights, a forma física e o fulgor em brasa da banda, colocam-nos num patamar, digno de ser partilhado, com os nomes mais conceituados do estilo.

Criando uma tangibilidade quase pessoal para com o ouvinte, verdade é que uma química realmente bem investida consegue sempre grandes resultados. Sublinhando o bom timing e equilíbrio na métrica de “Human Is Obsolete”, onde a banda progride e encontra meios para amplificar as suas dimensões, e a ferocidade de “Blazing Burst” onde a banda encontra, com grande personalidade, uma pletora de mudanças de tempo a fundir com o lamaçal das basslines. As guitarras arrastam-se como um ciclone de porcaria humana, pintando assim uma moldura de horror e rendição, sujeitando a audiência a um tareão sónico onde as pinceladas de peso, marcam a mente como um machado de guerra ou uma cuspidela de escória em brasa. Infelizmente, a banda perde essa comunicação em faixas como “Grimmenstein”, “Molotov” e “Mysticism” onde acumulam poucos, senão nenhum, motivos para validar leitura e boas decisões.

Na verdade, a desinspiração e o refúgio incessante às mesmas soluções fáceis, definem a morte do artista. Seja por compensação ou não, a banda consegue redimir estes três nulos com um single merecedor de prémio, mais especificamente “Superior Firepower”. Esta última, tem tudo o que qualquer um pode desejar de Mammoth Grinder. Uma combinação implacável de energia e impacto, que ajuda a faixa a ganhar o momento mais memorável do álbum. Em contraste com todas as acima mencionadas, esta consegue armar o som com um arranque a soluçar a engrenagem em ruído, com agressão, presença, ataque, contagiosidade e uma quantidade absurda de energia. Ouvindo-se o reverb dos growls puncionados pelas cordas, estas intercalam-se com a lentidão absurda da bateria, onde esta encontra a confortável ameaça física na hesitação da entrada e na aceleração a meio da faixa. Tudo isto culmina num arbítrio absoluto para escavar o maior mosh-pit num raio concebível.

Não havendo necessidade de colocar o nome deste trio num patamar que não merece a pressão de uma ambição específica, vale a pena livrar todo e qualquer desejo de ler a banda numa postura de músicos incontornáveis. Mammoth Grinder não existe para convencer críticos nem ganhar Grammys e diante de nós temos uma banda que escreve para poder tocar ao vivo. Observando o resultado final com essa perspectiva em mente, apercebemo-nos de que a missão da banda foi bem conseguida, quanto a isso, não há dúvidas. Sujeitam-se, no entanto, à mercê de toda a media de música pesada, por finalmente se fazerem ouvir através de uma plataforma que alcança distâncias. No que toca aos dados finais, “Cosmic Crypt” rejeita sem hesitação, todo e qualquer vestígio de forward-thinking. Apesar da distorção que constrói paredões de pura destruição, com o exclusivo intuito de criar um som simplesmente primal e completamente arrojado, o álbum continua a ter, no seu cerne, uma fundação punk. É por isso que, mesmo sem grandes elaborações e desenhos, o álbum apresenta-se como uma experiência digna de viagem imediata aos confins do abismo, onde qualquer entendio obtém uma entrada fácil, com uma saída muito fodida de se arranjar.
por
em Reviews

Mammoth Grinder - Cosmic Crypt
Queres receber novidades?
Comentários
http://www.MOTORdoctor.PT
Contactos
WAV | 2018
Facebook WAV Twitter WAV Youtube WAV Flickr WAV RSS WAV
Queres receber novidades?