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Mariana Vergueiro - Morning Rain

Review
Mariana Vergueiro Morning Rain | 2015
Goncalo Tavares 28 de Dezembro, 2015
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TV Rural - Sujo

Máquina del Amor – Máquina del Amor

Há um burburinho crescente em relação à associação Porta-Jazz. Ela assume a promoção deste género do e no Porto, através de espectáculos, gravações e outras mostras. Sobre a tutela do seu carimbo, foram editados 20 discos descomprometidos, provenientes de uma geração de músicos que, respeitando a tradição, tem clara vontade de fazer algo fresco. A última peça desta linhagem é Morning Rain de Mariana Vergueiro, a inaugurar os registos vocais da editora.

Para o seu álbum de estreia, a jovem cantora muniu-se de Pedro Neves (piano), Bruno Macedo (guitarras), Nuno Campos (contrabaixo) e Nuno Oliveira (bateria). Foram escolhas de excelência: a banda pinta o palco, deixando-a elegantemente posar.

Em Morning Rain, o conceito de “tema-solos-temas” é deixado em casa em prol da linearidade, da simplicidade. É um álbum de canções, mas com sensibilidade jazzística. A sua composição é cuidada, esmerando-se nos detalhes do acompanhamento e na cor da melodia, sem nunca o tornar inacessível. Aqui, o agradável não ameaça a substância.

Faixas como “Ballad for Spring”, “Skylark” e “Morning Rain” apresentam esse contraste. A primeira é ampla, de bateria galga e guitarras coloridas, pensando em textura. A faixa homónima abre em modo acústico, com a linguagem e aspereza que podíamos encontrar num Norberto Lobo, e parte para voz e guitarra, num momento distante do swing. Procura-se, antes de mais, a beleza da canção.

Da mesma forma, os contornos da melodia de “Turn Back” piscam o olho a alguns momentos cantados da Disney. E o “Leaving the Ground” de “Home” lembra o “From the Ground” de Minta. É Esta camada pop que acaba por dar ao álbum um sabor particular. Ao lado do fluente discurso jazzístco surgem estas nuances, capazes de o abrir a uma outra degustação. “Morning Rain” faz mais do que seguir a estética da associação, amplia-a para o público geral, que não ouve o género por causa de velharias, motivos que já passaram o prazo.

Este jazz é hidratante para todos os ouvidos. Passem a palavra.
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Mariana Vergueiro - Morning Rain
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