Mastodon – Emperor of Sand - Wav
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Mastodon – Emperor of Sand

Review
Mastodon Emperor of Sand | 2017
Pedro Sarmento 05 de Abril, 2017
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O mastodonte acordou novamente, desta vez, para uma longa travessia pelo deserto. Emperor of Sand, sétimo álbum de estúdio do quarteto de Atlanta, marca definitivamente um excelente início musical de 2017. Produzido em parceria com Brendan O’Brien (sim, o produtor do Crack the Skye, esse mesmo!) o disco é conceptual e versa sobre a vida e a morte, em particular sobre o cancro e os golpes devastadores dados pela doença. Troy Sanders, Brann Dailor e Bill Kelliher, todos eles se viram recentemente ao lado de familiares em luta contra a maleita, e a lírica nua e crua do álbum reflecte precisamente essa experiência. Editado pela Reprise Records, o trabalho conta também com a contribuição vocal do já habitual Scott Kelly (Neurosis) e também de Kevin Sharp (Brutal Truth).

A viagem ao longo das onze faixas começa com “Sultan’s Curse”, tema disponibilizado previamente pela banda para abrir apetites. As campainhas de desolação rapidamente abrem caminho para o poderoso riff em dança de tercinas, e o rugido assombroso de Troy Sanders alterna sucessivamente com o timbre à duende da Cornualha da voz Brent Hinds. Cinematicamente, a areia ardente do deserto está a toda a volta do tema, e o guitarrista e compositor Bill Kelliher aponta Lawrence of Arabia como principal fonte de inspiração.

“Show Yourself” é a faixa mais pop do disco. Brann Dailor é aqui a estrela central, guiando a lírica através da malha com retoques de “Crazy Train”. Exactamente a meio, o tema muda de contexto, o caos instala-se, e surge finalmente um solo espacial de Brent Hinds. O refrão catchy fecha o ciclo: “I'll see you on the other side of fire”. Também em “Steambreather” cabe ao baterista assumir o papel de vocalista principal, sendo cada vez mais preponderante o seu contributo quando há necessidade de uma abordagem mais melódica.

A lírica da faixa cinco do álbum, “Roots Remain”, é, nas palavras de Brann e Bill, a mistura de todas as emoções que sentiram ao ver sofrer e definhar as respectivas mães durante todo o processo de tratamento. O solo de Brent Hinds é especialmente inspirado, passando bem todas as sensações de angústia e desespero eléctrico sentidas pela banda. O tema fecha com um piano triste rodeado por ruídos sincronizados, que desvanecem lentamente, como areia a desaparecer para o outro lado da ampulheta.

Em seguida, “Word To The Wise”, épica e com amplas variações de dinâmica, recheada de pequenas frases guitarrísticas deliciosas, “Ancient Kingdom”, com o seu final de sinos e cânticos apoteóticos e ribombantes, e “Clandestiny”, com as hipnóticas melodias de guitarra com toques de sintetizador de Bill Kelliher. “Andromeda” e “Scorpion Breath”, as faixas mais pesadonas do álbum, são agraciadas com as vozes de Kevin Sharp e Scott Kelly respectivamente, conferindo ainda mais profundidade e poder à sonoridade da banda.

O disco fecha com “Jaguar God”, simbolizando o confronto final com o deserto, o tempo, a vida, a morte. A peça, a mais longa e imponente do álbum, divide-se em três actos. Começa calmamente, com um dedilhado triste de guitarra ácida e metálica que introduz a voz sentida de Brent Hinds, desta vez num timbre menos extremo. O ambiente muda subitamente, e entramos na parte dois. Com tónica, tónica, tónica, sexta-menor e quinta, o baixo vai guiando o ritmo em três, deixando espaço para a melodia de sintetizador à anos 80. O tema vai calmamente crescendo em termos de dinâmica, desembocando numa enorme frase recheada de chicken picking, tão características da banda, que abre a porta a um ritmo frenético de bateria, muito pouco usual no repertório técnico de Brann Dailor. Refrão poderosíssimo de Troy Sanders, possuído, e voltamos novamente à secção inicial, desta vez com a adição de novo mega solo de Brent. A composição finda em ruídos de feedback e risos demoníacos (cliché, ou não).

Emperor of Sand, é, por um lado, um claro seguimento do estilo apresentado pela banda em The Hunter e Once More ‘Round The Sun, mas por outro, este disco aproxima-se mais do que os antecessores do cume em que está destacado e pedestalizado Crack The Skye. Eternos fundamentalistas da banda ficarão algo desapontados com a “continuidade pop”, profetizando com saudade o ambiente destruidor de Remission, Leviathan e mesmo Blood Mountain, mas o álbum é claramente um enorme trabalho de Mastodon, e, acima de tudo, uma composição honesta e com uma proximidade sentimental muito forte. Ponto positivo para as vozes, cada vez mais aprimoradas e interligadas, destaque para a inovação sonora e escolha de efeitos, ruídos e overdubs, e elogio rasgado à continuidade da qualidade instrumental individual de cada elemento.

Nota: Este autor utiliza o Antigo Acordo Ortográfico.
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