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Matmos - Ultimate Care II

Review
Matmos Ultimate Care II | 2016
Rafael Baptista 12 de Dezembro, 2016
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Live Low – Toada


 

Já todos tivemos aquele momento em que surge em conversa que instrumentos tocamos. Uns dizem guitarra, outros bateria, se calhar lá há alguém que diz algo menos convencional com um didjeridoo ou assim, mas depois há sempre alguém que diz que toca campainhas. Verdade ou não? Verdade, claro. E como é óbvio ninguém a leva a sério e todos percebemos que não toca instrumento algum. Agora pergunto, e se essa pessoa em vez de campainha tivesse dito máquina de lavar a roupa? Todos lhe daríamos os parabéns pela imaginação, mas mais uma vez ninguém a levaria a sério e tudo supunha que não tocava. Pois bem, se essa pessoa fosse Martin Schmidt ou Drew Daniel ela estaria de facto a dizer a verdade.

Schmidt e Daniel juntos são Matmos, um duo de música eletrónica experimental de são Francisco atualmente a residir em Baltimore. Durante vários anos lançaram os seus trabalhos pela Matador Records (Thurston More, Darkside, Boards of Canada), mas é pela irreverente Thrill Jockey (Lightning Bolt, Wooden Shjips, Circuit des Yeux) que nos dão a conhecer o seu décimo longa duração. De nome Ultimate Care II o segundo álbum que lançam pela editora é assim chamado porque é esse o modelo da máquina de lavar Whirlpool, por eles utilizada, como fonte sonora do álbum. Claro que isto vindo das mesmas pessoas que produziram o álbum A Chance to Cut Is a Chance to Cure (2001) usando, maioritariamente, samples de procedimentos médicos como cirurgias plásticas, operações aos olhos ou uma lipoaspiração não é de admirar, mas desta vez o álbum é constituído unicamente por samples processadas da máquina em questão.

Ultimate Care II é uma peça única de 38:07 minutos e começa como seria de esperar. Ouve-se o programador a rodar, alguém carrega no botão e podemos apreciar a água a correr, a partir daqui a viagem é alucinante, abrasiva e acima de tudo inesperada. Estamos dentro da máquina por isso é natural que assim seja. Como expectável, estamos perante um álbum extremamente mecânico, ouve se bater na máquina, arranhar, arrastar, trinta por uma linha, mas graças ao processamento de todos esses sons ouvem-se passagens extremamente orgânicas e melódicas. Ouve se techno algo convencional, drum & bass, quási-jazz, música abstrata, glitchs, drones, e tudo isso dá forma tanto aos momentos pesados, metálicos e industriais como aos interlúdios ambient harmoniosos e serenos.

Por volta no minuto 27, logo a seguir uma das partes mais melódicas do álbum, existem uns minutos de barulhos da Whirlpool praticamente inalterados, ouve se a água a revoltar-se contra o tambor e contra ela própria, e uns drones longínquos que se vão dissipando até termos apenas a máquina imaculada como criadora de ruído. A máquina para, há espuma, um barulho efervescente vindo de trás aumenta de intensidade e logo para, dando lugar a batimentos tribais. Ora param oram voltam, mas sempre que voltam trazem algo de novo com eles. Ainda que a música vá ficando caótica gradualmente, nada vos pode preparar para o se segue. A música para, dá lugar a algo abstrato, mas calmo, suaves batidas aparecem para logo desaparecer, agora ouvem se glitchs, a velocidade e o pitch são inconstantes, suavemente um ruído abrasivo vai se fazendo ouvir até que ouvem a primeira pancada metálica daquela que será a parte mais visceral e intensa do álbum. Salvos, ao minuto 38:01, pelo aviso sonoro de que o programa acabou, os seis segundos seguintes são dedicados a contemplar a saída da água tal como ela entrou.

É com a bonança depois da tempestade que acaba Ultimate Care II, aquele que é provavelmente o trabalho mais cativante do duo dos últimos tempos. Bonança essa que deverá durar pouco tempo, porque quando ouvirem a água a sair vão desejar que estivesse a entrar e o replay vai ser praticamente instantâneo e será compensador. Dado tratar se de um álbum em constante evolução e tão diverso, a audição repetida será involuntária.
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