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Matthew E. White - Fresh Blood

Review
Matthew E. White Fresh Blood | 2015
Joao Rodrigues 02 de Abril, 2015
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Ermo - Amor Vezes Quatro (EP)

Liturgy - The Ark Work
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O álbum de estreia de Matthew E. White correu-lhe tão bem, que alguns álbuns produzidos pela Spacebomb Records, produtora criada por si, tiveram de ser adiados. Exemplo disso é o primeiro trabalho de Natalie Prass. Fresh Blood era, por isso, aguardado com alguma expetativa e, na verdade, a espera valeu a pena.

Fresh Blood traz-nos o Folk habitual de White, onde as sonoridades Jazz, Soul e R&B estão sempre presentes. O piano e a guitarra são a base de tudo e, a partir daí, a música do norte americano vai-se moldando, usando para isso o recurso a instrumentos como trompetes, violinos e back vocals.

A abertura do álbum cabe a "Take care my babe", uma música com toque Jazz que vai crescendo até se tornar uma música envolvente onde, algures a meio, já estamos a abanar o cabeça.

Segue-se "Rock & Roll is Cold", a música mais a atirar para o Rock de todo o álbum, onde somos levados a acreditar que o Rock & Roll não tem alma. No fundo, diz-nos que a música é o que nós fazemos dela.

Em "Fruit Trees", os violinos a acompanhar a voz e uma percussão ritmada fazem desta uma melodia forte e orelhuda.

"Holy Moly", que aborda um tema complicado como é a violação, é uma música cheia de força. À medida que os seus mais de 5 minutos vão passando, novas camadas vão sendo adicionadas, fazendo com que o final seja uma mistura tremenda de sons e que a tornam nesta faixa, uma das melhores músicas do álbum.

"Circle 'Round The Sun" mantém o mesmo registo, desta vez sem o poder crescente da música anterior. Mantem-se a voz embalada de Matthew E. White, o piano, o toque do jazz na percussão. Talvez a canção mais simples do álbum, sem violinos, trompetes e back vocals, não perdendo, contudo, o encanto.

Tudo está de volta com "Feeling Good is Good Enough", as camadas de instrumentos, a envolvência dos violinos, o toque Jazz dos trompetes... é como se costuma dizer: "cai que nem ginja".

Com "Tranquility" temos um Matthew mais introspetivo. Uma canção estranha que varia entre a melancolia quase estridente do violino e os tons mais grave dados pelo baixo, onde de repente uma guitarra cheia de distorção parece rasgar qualquer coisa em quem a ouve. Música em memória a Philip Seymour Hoffman que primeiro estranha-se, depois entranha-se.

Em "Golden Robes" e "Vision" voltamos a ter um Matthew E. White novamente com a sua veia Jazz, as back vocals quase gospel e a ambiência sonora que faz lembrar uma orquestra sinfônica.

Fresh Blood termina em grande com "Love is deep", não que traga algo de novo em relação ao que já foi falado mas porque é o culminar de um álbum todo ele sincero, pessoal, bem misturado, onde tudo está no lugar certo e tudo faz sentido.

Admito que não descobri Matthew E. White há muito tempo. Numa das minhas habituais viagens pela internet à procura de novas e boas coisas para ouvir descobri "Rock & Roll is Cold", single de avanço deste último álbum. Foi a partir daí que fui descobrir o seu mundo musical, desde logo o primeiro álbum Big Inner. Nunca me saiu da cabeça que Matthew E. White é uma mistura entre John Lennon e Van Morrison do século XXI. Fresh Blood saiu há pouco tempo, mas cá por mim, podem mandar vir mais.
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