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Naðra – Allir vegir til glötunar

Naðra

Allir vegir til glötunar | 2016

PONTUAÇÃO:

8.0

 

 

 

O Black Metal Islandês está em alta – 2016 começou com uma prova do porquê de tal coisa estar a acontecer. Apesar de ser um projeto paralelo de membros dos já conhecidos e reconhecidos Misþyrming, existe outra banda que está a mostrar a força do Black Metal Islandês, os Naðra que merecem igual atenção.

Com apenas um EP chamado Eitur (2014), Allir vegir til glötunar ou “Todos os caminhos para a destruição”, é o primeiro álbum da banda. A começar com “Fjallið” sem introduções nem floreados, a banda mergulha-nos imediatamente num turbilhão de caos que logo nos primeiros segundos agarra a atenção e nos mostra que esta banda sabe tocar todos os instrumentos que decidiram tocar. Poucos segundos depois somos introduzidos à voz que não só é exatamente aquilo que seria de esperar numa banda de Black Metal, é também uma voz característica.

“Sál” tem um inicio mais lento para contrastar com a musica anterior, mas igualmente pesado, no entanto, a velocidade não tarda a chegar. Nesta faixa nota-se alguns elementos de Viking Metal ao estilo de Bathory no final dos anos oitenta e inícios de noventa que irão reaparecer em alguns cantos do álbum. A maior musica do álbum “Falið” segue-se com quase um quarto de hora de obscuridade musical. É uma longa montanha russa de violência acelerada e melancolia deliciosamente arrastada que encerra maravilhosamente o lado A.

A começar o lado B (eles gostam dos seus lançamentos em formato vinil) chega-nos a melodia confortante e embaladora de “Sár”, pelo menos durante os primeiros segundos até a banda voltar a arremessar os nossos ouvidos para um abismo negro cheio de cobras a tocar guitarra e dos gritos de Örlygur Sigurðarson – esta faixa que se traduz como o ponto alto do álbum. Os mesmos elementos que nas músicas anteriores encontram-se aqui, uma alternância bem-feita entre tocar depressa e arrastar os riffs, técnica que mostra que estes senhores sabem mexer nos instrumentos e também uma aura de melancolia a demonstrar o lado mais emocionalmente negro das coisas. Até se ouvem pássaros a cantar no final.

Para acabar como se começou, a ultima música “Fallið” começa depressa e sem sinais de abrandar, até que repentinamente tudo acalma para se juntar à fogueira durante uns momentos para tocar musica de guitarra acústica, fazer cânticos druídicos. Mas se há alguma coisa que se aprende com isto tudo é que os Naðra só fazem essas coisas para nos mergulhar em mais agressão alguns segundos mais tarde. Negrume à bruta segue-se até culminar em mais cânticos druídicos, desta vez acompanhados por uma guitarra cujas cordas parecem víboras a tentar fugir, mas são tocadas à mesma, deixando escapar das suas entranhas, servindo de conclusão deste excelente exemplo de Black Metal. Nada mau para algo que demorou dois anos a ser feito.

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Por João Alves / 21 Abril, 2016

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