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New Order – Music Complete

New Order

Music Complete | 2015

PONTUAÇÃO:

8.3

 

 

 
Sempre ouvi dizer que o bom filho a casa torna. E assim sendo, como qualquer mãe que se sente feliz quando o filho chega ao domingo para almoçar em casa com a nora e os netos, sinto um orgulho enorme e vontade de gritar aos vizinhos esta grande novidade: os New Order voltaram a casa.

New Order começou como um projeto de 3 homens abandonados que, depois de assistirem à morte de Ian Curtis (e, por isso, terem visto Joy Division a chegar ao fim), sentiram uma vontade enorme de não se darem a si mesmos por terminados. Escusado será dizer que o que surgiu como ‘’improviso’’ se tornou rapidamente numa prova mais do que válida da genialidade de Bernard Sumner, Peter Hook, Stephen Morris e também de Gillian Gilbert (namorada de Morris, que se juntou a estes assumindo o controlo das teclas e da guitarra). Este novo começo foi um marco nos anos oitenta, tão definido pelo surgimento da Dance Music em Manchester, e desde o lançamento do primeiro álbum, Movement, que os New Order marcaram posição, sendo estes os felizes culpados pela invenção do Dance Rock- e é tão bom concluir que este ainda permanece fiel a si mesmo nos trabalhos da banda, 35 anos depois.

Chega então o décimo álbum de New Order, Music Complete, desta vez sem a presença de Peter Hook. Music Complete é uma onda de energia perigosa com contra-indicações: ou nos transporta para a pista de dança mais próxima ou transforma qualquer que seja o sítio onde estamos numa pista de dança.

A primeira faixa obriga, desde o início, os pés a seguirem a batida (o que faz com que a melhor forma de descrever a música seja o título, perfeitamente ‘’Restless’’). Numa passagem por “Singularity” e “Plastic”, um excelente single de Music Complete, é estabelecida a ponte perfeita para um dos melhores momentos do álbum: “Tutti Frutti”. Esta faixa conta com a presença fulcral de Elly Jackson (mais conhecida por La Roux) que canta o refrão mais contagiante e feliz de todo o disco: You’ve got me where it hurts/But I don’t really care/Cause I know I’m OK/Whenever you are there (estará o problema amoroso de Blue Monday resolvido?).

Continuando na viagem pela pista de dança, desta vez acompanhados por Iggy Pop, “Stray Dog” é capaz de ser a música mais calma, mantendo sempre a batida forte e tão típica de New Order. “Academic” é a excelente banda sonora para um amor complicado e “Nothing But A Fool” soa a um hino à juventude. “The Game” é, de facto, o jogo entre o desejo e a realidade e, por fim, Superheated é a derradeira confissão de um apaixonado rendido, interpretado por Brandon Flowers, e um perfeito final de noite.

Music Complete contraria o caminho de tantas bandas de longo historial que se arruínam ao longo dos anos. Tal só se pode dever às qualidades inegáveis destes tão imponentes músicos que demonstram a cada lançamento uma sabedoria equivalente ao seu talento: inquestionavelmente grande. As comparações são inevitáveis e surgem em muitas bocas, mas New Order não é Joy Division- nunca foi (e, cá entre nós, ainda bem que assim é- já pensaram no que seria da “New Dawn Fades” com ritmo eletrónico e sintetizadores?). New Order é uma excelente banda, capaz de surpreender aqueles que se atrevam a explorá-la. E como bons filhos que são, é sempre bom vê-los a voltar a casa.

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Por Inês Pinto da Costa / 3 Novembro, 2015

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