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Nick Cave & The Bad Seeds – Skeleton Tree

Review
Nick Cave & The Bad Seeds Skeleton Tree | 2016
Inês Pinto da Costa 20 de Setembro, 2016
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Sentir no coração algo que não se experienciou: é quase possível.


 

Se quisesse ser sintética na descrição de Skeleton Tree e do documentário de que se fez acompanhar a 9 de setembro de 2016, One More Time With Feeling, fá-lo-ia (e não seria muito difícil): Nick Cave fala da sua vida privada da forma mais direta e pura possível, contradizendo aquelas que foram as suas convicções durante tantos anos, e transforma todo um público numa desconfortável reflexão e lágrimas infinitas.  Mas não é isso que vou fazer. O homem que sempre se mostrou impenetrável a tudo o que fosse invasão da sua privacidade ‘’despiu-se’’ para nós (embora não por nós) e, por isso, merece mais do que uma avaliação sintética. Merece-nos muito mais do que isso.

Voltemos então ao início, à página em branco. One more time with feeling.

Nick Cave é o pai da premissa que dita tudo, a problemática: ‘’Como reage o ser humano quando obrigado a mudar por influência de um acontecimento significativo? Como reger a vida quando o simples reconhecimento da própria figura é impraticável?’’ Tal como pai da premissa, Nick Cave é pai de um filho que perdeu há um ano atrás (e essa sim, é a chave para entender tudo).

Todo o álbum pode ser visto como uma tentativa cíclica de entender as circunstâncias, aceitá-las nas medidas do possível, seguir em frente e voltar ao zero. Em One More Time With Feeling, de forma tão honesta que se torna doce, Nick chama a esta forma de viver ‘’tempo elástico’’: o tempo que parte da tragédia, avança, avança, avança e eventualmente nos puxa outra vez para ela. Por mais que o luto seja feito e que a lógica apresente mil e um motivos para a aceitação, há sentimentos que não se explicam: ’Its our bodies that fall when we try to rise’’, ‘’Anthrocene’’.

O primeiro contacto com Skeleton Tree não é difícil. A sonoridade de ‘’Jesus Alone’’, a primeira faixa do álbum, não nos é desconhecida tendo em conta o antecessor de 2013, Push The Sky Away, onde há uma melodia base muitas vezes constituída por sintetizadores, pedais e o piano de Nick acompanhados da típica (leia-se, não repetitiva) narrativa deste músico/poeta australiano. Apesar de tudo isto, a sensação de perda é evidente, principalmente na voz de Cave. Numa das cenas do documentário vemos Nick sentado ao piano, preparado para gravar as segundas vozes de ‘’Jesus Alone’’, afirmando que ‘’devia ter ensaiado isto antes. (...) Nem sequer sei os acordes.’’ (Esquece lá isso, Nick, está tudo óptimo).

Na verdade, tudo encaixa na perfeição. Há espaço para dar atenção aos músicos, espaço para ouvir as palavras e tempo para contemplar o esforço transcendente que Cave pôs na realização deste trabalho. É difícil, na verdade, passar pelas oito músicas e apontar erros (assim como é difícil passar por elas sem que se parta o coração a uma alma minimamente sensível). Algo que não pode, de forma alguma, ser ignorado é a presença de Warren Ellis em tudo isto. Bad Seed de longa data e amigo cúmplice de Nick Cave, Ellis sempre se mostrou uma peça essencial deste belo (por vezes complexo) puzzle e, por isso, não deve ser esquecido.

Em questão está, portanto, a mudança, o tema basilar. Também a escrita de Cave mudou em Skeleton Tree, tornando-se díspar dos quinze álbuns anteriores. Se antes existia uma distinção evidente entre o autor e o narrador, surge agora uma união entre ambos, uma harmonia que resulta numa escrita sincera e terna. ‘’I Need You’’, talvez a música mais transparente de toda a sua carreira (‘’Nothing really matters when the one you love is gone/You're still in me, baby/I need you/In my heart, I need you (...) just breathe’’), e ‘’Girl in Amber’’ (‘’Lace up his shoes, your little blue-eyed boy/Take him by his hand, go move and spin him down the hall’’) são talvez as faixas que melhor explicam tudo isto. Quase no final, em ‘’Distant Sky’’ surge uma das maiores surpresas, a voz de Else Torp que entoa, como um anjo, ‘’Let us go now, my darling companion/Set out for the distant skies’’.

A conclusão de tudo isto encontra-se na última faixa, de título homónimo ao disco: Nothing is for free/And it's alright now. Há coisas com as quais temos que aprender a viver, aprender a não deixar que nos parem. Com a sua perda, alertou-nos para o valor da existência, tornando uma catástrofe na origem deste álbum extraordinário. Sentir no coração algo que não se experienciou, com Skeleton Tree, é quase possível. Coisas destas não acontecem todos os dias (nem sequer todos os anos) mas quando acontecem, só podem ser distinguidas.

Um “muito obrigada”, Nick Cave. Assim assisto, ainda tentando digerir, ao nascer de uma obra de arte.
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Nick Cave & The Bad Seeds – Skeleton Tree
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